Nota sobre Carteirinhas do Santander

No mês de março, a UFPR vai finalizar o processo de substituição das carteirinhas de identificação dos estudantes e funcionários. As novas carteirinhas foram produzidas em parceria com o Banco Santander, e terão, além de chips que permitirão o acesso às instalações da Universidade, a possibilidade de serem usados como cartões de débito bancário. As primeiras catracas serão instaladas no RU. E existe a perspectiva delas se espalharem por toda a Universidade.

Outro aspecto que é preocupante é que as carteirinhas (cartões “Mais de 900 mil Cartões Universidade” (http://www.santanderuniversidades.com.br/Paginas/iesnumeros.aspx)) fazem parte de um projeto maior que tem objetivos mais amplos e expansionistas, que é o PAES (Plano de Apoio à Educação Superior, veja em http://universidades.clientes.ananke.com.br/std_universidades.html). Este projeto é baseado em quatro eixos: mobilidade, inovação e empreendedorismo, transferência tecnológica (aqui se encontra o serviço de carteirinha/cartões) e apoios acadêmicos. Cabe bem deixar claro que não são simples serviços acadêmicos: “O Santander Universidades é o parceiro que viabiliza a implantação desse cartão inteligente que possui funções acadêmicas e financeiras.” (http://www.santanderuniversidades.com.br/Paginas/iescartaouniversidades.aspx)

. De acordo com o site podemos concluir também que as aspirações desta instituição não param nesse serviço, mas sim influem na vida acadêmica, a qual o banco nos quatro eixos apresenta perspectivas de assumir os investimentos na área de pesquisa e “empreendedorismo”, o que revela o caráter privatizante deste projeto, que coloca essas áreas de interesse social submetidas a iniciativa privada e seus interesses mercadológicos.

Essa medida, além de incentivar uma conta compulsória no crédito, corresponde à continuação do processo de privatização dos serviços públicos. Com a crise econômica que se alastra pelo globo, vemos o corte com gastos nas áreas de interesse social, e a esse propósito vemos que tem se apresentado as parcerias público privadas fundadas sob a justificativa de vantagens e economias do estado com a inserção da iniciativa privada. Nesse sentido o governo brasileiro desencadeou uma política de enxugar os gastos públicos, assim fazendo parceria com os setores privados, para estes tocarem os serviços públicos, seguindo a tendência neoliberal que tem se aprofundado desde meados da década de 90. O problema disso é que o setor privado não tem compromisso algum com a população, tendo como objetivo apenas seu lucro, portanto tem preferência, ao ser atendido, aquele que pode pagar pelo serviço. Quando adentrado o serviço público, a tendência é que este passe a ser cobrado, afinal dificilmente o setor privado presta serviços por altruísmo. Esta não é uma tendência isolada. Recentemente tivemos uma medida por parte de nossos representantes deputados, senadores e governo federal, que possibilita a gestão dos Hospitais Universitários pelo setor privado, a PL 1749. Fica claro que por todos os lados se busca diminuir os gastos públicos em setores sociais, e ainda trazer por meio destes a possibilidade de lucro ao setor privado, isto tudo ainda financiado às nossas custas, já que essas estruturas cedidas pelo estado ao setor privado já foram erigidas com os impostos do contribuinte.

Por outro lado vemos que o modelo de desenvolvimento econômico adotado pelo Brasil se baseia na expansão do crédito. Observando que a economia a nível mundial entra em recessão, e que os altos níveis de inadimplência levam boa parte da população a já estar de fora do serviço de crédito (7,3% em novembro 2011). Nesse sentido parece que se faz interessante fazer das carteirinhas cartões que fazem de toda comunidade universitária potenciais clientes, ou seja, pagadores de juros ao Banco Santander, denunciando a política que expande o poder de compra do povo com base no endividamento da população e no aumento do lucro do setor financeiro, ao invés de propiciar aumentos reais tanto aos salários, bem como das bolsas estudantis..

Uma das principais justificativas por parte da UFPR para implantar esse procedimento são os roubos de materiais que acontecem dentro da Universidade, justificando a instalação de catracas para regular quem entra e quem sai. Desse modo, a Universidade parece ser vista como um espaço isolado da sociedade, o que não é. Roubos acontecem em todos os lugares da sociedade, e a Universidade é só mais um desses locais. Para resolver o problema da UFPR, é necessário resolver o problema da segurança pública. A universidade como espaço privilegiado de reflexão da sociedade deveria justamente dar o exemplo nas discussões a respeito de segurança pública, onde é notável que o investimento em repressão e monitoramento se faz cada vez mais ineficaz para resolver tais problemas de ordem social, que devem ser compreendidos em um contexto de um país como o nosso, provocado pelas injustiças e desigualdades socais principais fatores instigadores da criminalidade, cuja resposta é sempre mais repressão à população. Nesse caso a possibilidade da ampla maioria que não é parte da comunidade acadêmica estará impedida de adentrar os espaços da UFPR, impedidas por não terem carteirinhas para passar pelas catracas que sem duvida se espalharão pela Universidade.

POR ISSO NÃO A PRIVATIZAÇÃO!

FORA SANTANDER!

Assinam a carta:

Coletivo Maio
Coletivo Barricadas
Centro Acadêmico de Enfermagem
Loco Sul I ENEENF – Executiva Nacional de Estudantes de Enfermagem
CACE (Centro Acadêmico de Ciências Econômicas)
Coletivo Quebrando Muros
CAHIS (Centro Acadêmico de História)

Coletivo Somos Tod@s Guriérrez (Ciências Sociais)

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