Ato comunitário da UFPR: Por uma unidade na luta

No dia 14 de junho, foi realizado no centro de Curitiba, um grande ato em prol da educação, reunindo docentes, estudantes e servidores técnico-administrativos da UFPR, IFPR e UTFPR. A mobilização trouxe às ruas o forte movimento grevista que se articula por todo Brasil, para mostrar ao povo que é lutando que se conquistam as transformações de fato. O ato contou com mais de setecentas pessoas, que cantaram palavras de ordem, pularam e até fizeram um velório simbólico da educação. As intervenções dos estudantes, seus cartazes, suas dinâmicas – sua organização- foi previamente organizada em seus comandos locais de greve ou no comando de greve geral. Tudo corria muito bem até o momento em que militantes do PSTU se posicionaram estrategicamente entre os manifestantes para erguer suas bandeiras e agitá-las ali, causando um mal-estar geral nos indivíduos que não se identificavam com esta sigla e que enxergaram esta atitude como extremamente oportunista e desrespeitosa com quem  de fato construiu o movimento que ali acontecia.

No dia anterior, os estudantes da UFPR em Assembleia Geral, elegeram seus delegados para o Comando Nacional de Greve, levantando um debate acerca da forma de se fazer movimento estudantil. A velha forma é a que se baseia na representatividade e na burocracia, em que delegamos nosso poder de decisão a indivíduos que se propõe a nos representar e esperamos sentados que nossos problemas sejam resolvidos. Essa velha forma, também inclui a construção de entidades que “dirijam” o movimento, de cima para baixo, sem enraizamento e respaldo nas bases. Mas uma nova forma de se fazer movimento vem se construindo no Movimento Estudantil da UFPR, um movimento a partir da Ação Direta e do protagonismo da base, que rechaça a autoridade de falsas direções, com participação direta dos estudantes, desde suas assembleias de base e construções coletivas. E esse protagonismo dos estudantes é o que se verificou no repudio a atitude do PSTU ao erguer suas bandeiras encima dos que não possuem identidade com esta sigla. Estudantes independentes e organizados perceberam o oportunismo desta entidade em tentar dirigir o processo. Não somos contra a presença de bandeiras de partidos políticos em atos deste tipo, mas somos contra SIM que essas sejam levantadas encima de pessoas que não se identifiquem com elas. Por estarmos sempre em meio à base – e tendo percebido uma situação de injustiça frente a ela – nos colocamos a seu favor quando esta exigiu que se abaixassem as bandeiras

Na concepção do Coletivo Quebrando Muros, não somos contra a presença de partidos políticos nos movimentos sociais, muito pelo contrario, acreditamos que quanto mais militantes organizados os construírem, ao lado dos independentes, mais forte serão os movimentos, por entendermos que a organização coletiva potencializa a prática do individuo. O que rechaçamos radicalmente é quando grupos políticos de qualquer tipo ideologizem o movimento, ou seja, o utilizem como aparelho de um único pensamento político contrariando qualquer expressão do poder da base. Somos contra a dominação, quando um determinado partido ou grupo político se valha do meio social para construir a si mesmo e não as lutas do meio social. Isso se expressa tanto na relação do Estado com as Classes Oprimidas, quanto, por exemplo, quando um partido que disputa o Estado faz uso dos movimentos sociais para angariar votos e tocar políticas alheias as da base.

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