Blá,blá,blá parte 2 + UNE: A burocracia do movimento mostra as suas garras

 

Nos últimos dias (25,26 e 27 de junho) na UFPR, tivemos a confirmação da falta de vontade da Reitoria em negociar com @s estudantes grevistas na UFPR. Após 5 semanas de negociação, temos o desfecho desta sem nenhum avanço concreto no que tange às demandas estudantis. Como se não bastasse isso, a Reitoria quer que aceitemos que nossas demandas já vêm sendo supridas pela administração. Afinal, eles querem dizer que nossa greve é sem sentido e esta atitude da Reitoria na negociação com @s estudantes é uma clara deslegitimação de nossas lutas. Cabe ainda destacar o episódio de ontem (26.06.12) na reunião da comissão de negociação, onde a pró- reitora de Assistência Estudantil Rita, responde à manifestação estudantil, frente ao descaso da Reitoria para com nossas demandas, com hostilidades abertas.

 

No ultimo processo de greve em 2011, apesar da “fala mansa” dos administradores de nossa Universidade e da propaganda institucional da Reitoria que afirmavam ter boa vontade para com @s estudantes, sabemos, nós, lutador@s, que ficamos mais de 20 dias “de molho” negociando e que somente quando ocupamos a Reitoria em resposta a este descaso, aplicando a ação direta, é que obtivemos sucessos em nossas pautas. Com isso tivemos alguns aprendizados: 1) Não será da boa vontade d@s administradores e gestores do Estado que virão os avanços em nossas demandas,  afinal,  são eles que se propõem a gerir o desmonte e sucateamento de nossa Universidade. Desta forma, não devemos nos iludir com a fraseologia dos administradores e de seu declarado “compromisso” com nossas demandas. 2) A vitória e o avanço em nossas demandas, ou seja, as conquistas d@s estudantes, são frutos de sua luta,  somente possíveis pela força que vem das bases organizada em luta, e que assim podemos garantir as transformações que almejamos para nossa Universidade. Estas transformações interessam ao conjunto d@s estudantes e são estes mesmos que devem arranca-las da burocracia com suas próprias mãos, da maneira que os “de baixo” sempre fizeram, pela Ação Direta, ou seja, pelos seus próprios atos, onde @s protagonistas somos nós, @s estudantes em Luta.

 

A conclusão que isso nos leva é que, agora, para obter as conquistas necessárias e avançar em nossas demandas, teremos de lançar mão de nossos meios já conhecidos de luta, afinal foi sempre com eles que avançamos. Mais uma vez fica claro que contra as burocracias e o Estado temos somente uma arma: a Ação Direta, e é com ela que podemos obter conquistas, e somente com elas que conseguimos impor um “diálogo” para “negociar” nossas demandas.

 

A partir de agora toda a força da base será necessária, pois só por meio da força e da nossa auto-organização garantimos nossas conquistas. Chegou a hora de dar um basta ao descaso da Reitoria, sabemos da justeza de nossas demandas, pois sofremos todos os dias com a precarização e sucateamento de nossas condições de acesso, permanência, ensino, pesquisa e extensão.

 

Há somente um caminho agora: Luta e Organização!

 

UNE: a burocracia do movimento mostra suas garras

 

Desde o dia 17 de maio, as IFES (Instituições Federais de Ensino Superior) sucessivamente deflagram estado de greve docente – já há a adesão de mais de 80% d@s professores de nosso País (informação do CNG d@s docentes 25.06.12).  No dia 11 de junho temos a deflagração de greve d@s servidores federais da educação também. Tal situação faz evidente o descontentamento da comunidade acadêmica do Brasil inteiro com as políticas educacionais que vêm sendo implementadas. Para nós, estudantes da UFPR, não é nenhuma novidade esta situação, e é eminente que também nos encontramos em greve e mobilizados. Desde o ano passado estamos travando lutas pela melhoria das condições da Universidade, e nosso esforço rendeu conquistas locais de peso, que são importantes para todo o corpo discente (3 casas estudantis, RU 7 dias por semana com café da manhã, fim das bolsas trabalho, etc.). Porém, sabemos que a situação da educação superior em nosso País enfrenta problemas que não são de ordem local, mas que tangem às políticas de Estado como um todo. São exemplos disso o REUNI e suas famigeradas metas (aumento em 50% do número de ingressos e 90% de aprovação, submetidos a acréscimo de 20% de recursos, recursos estes que já vieram pela metade), os constantes cortes de orçamento (somam mais de 5bi R$ para educação nos últimos 2 anos) e por fim o maldito PNE (Plano Nacional de Educação) que reafirma as metas do REUNI como projeto de lei, e tem medidas privatizantes para toda Educação do ensino infantil ao superior.

 

Entendendo que os projetos do Estado que hoje desmontam e sucateiam a educação são parte de uma esfera maior que a local e que se referem às políticas de Estado, e possibilitados por uma série de greves estudantis locais que pipocam por todo Brasil em resposta aos ataques com as quais a educação superior vem sofrendo, @s estudantes do Brasil inteiro decidem por formar o Comando Nacional de Greve Estudantil (CNGE). Tal iniciativa tem como objetivo articular a luta d@s estudantes por todo Brasil, fornecendo a organização necessária para enfrentarmos o Estado e seu projeto de precarização da educação. Sabemos que a organização deste CNGE passou longe da UNE (União Nacional dos Estudantes), afinal, há muito esta entidade abandonou seu posto de luta, “vendendo” seu apoio para o governo Lula/Dilma (PT), desta maneira fazendo coro e aplaudindo todas as políticas que vem dele, não servindo como mais que uma interlocutora deste no movimento.

 

Episódios como os de ontem (26.06.12), onde após um ato (ou uma encenação) da UNE, o Ministro Mercadante, que se nega a negociar com os professores e servidores federais em greve, recebe de braços abertos a UNE, fazem mais eminente o que já é descarado sobre a relação desta com o governo PT.  Em tal encontro o ministro fez questão de afirmar: “só negocio com UNE”, se referindo a qualquer negociação da greve estudantil que acontece por todo o Brasil. Esta afirmação do ministro é uma marcada posição de desrespeito aos estudantes em luta que não podem e não querem ser representadas pela UNE e seu governismo. Sabemos o porquê desta posição do ministro: quer negociar a nossa greve, com seus “fiéis amigos” do movimento estudantil.

 

NÃO, NÃO, NÃO NOS REPRESENTA!

 

Como bem afirmamos, a UNE hoje é totalmente ausente das lutas estudantis, e não somente isso, direciona seus esforços a atacar e desconstruir qualquer processo que se enfrente com o Governo Dilma (PT). Isso se explica por sua relação histórica com este partido, hoje dirigente do Estado. Tal entidade é aparelhada por setores aliados ao governo, no caso o PC do B. O aparelhamento das entidades de luta (ex.: UNE) por partidos que tinham como intuito a gestão do Estado, levou com que toda a força destas entidades fosse capitalizada por seus projetos eleitorais, e que no atual momento sua força fosse jogada para a sustentação do Estado, tornando-se meras interlocutoras do governo no movimento estudantil, amaciando a luta entre os “de baixo” e os de “cima”, cumprindo à risca o dever do Estado, a conciliação de classes.

 

Tal situação expressa a demanda que temos por construir um modelo novo de movimento estudantil. Um movimento que deve ter independência do Estado e seus partidos, que deve contar com o protagonismo de suas bases, @s estudantes, pois somente estes sabem de suas demandas, e somente a sua força organizada pode garantir a luta em defesa de suas pautas. Pelo exemplo que o ciclo PT nos movimentos sociais nos dá, esse é somente mais um episódio da burocratização das lutas e absorção da organização dos “de baixo” pelo Estado capitalista.

 

Para romper com este ciclo, reiteramos que somente com a nossa auto-organização, baseada na autonomia do movimento, contando com a democracia direta e tendo como meio de luta a Ação Direta, ou seja, ação dos próprios interessados (nós estudantes) sem a dependência de externos, que podemos derrotar a burocracia do movimento, que persiste em alienar nosso sujeito político em nome dos projetos de poder de minorias opulentas.

 

Por isso resaltamos a necessidade do CNGE ser organizado de baixo pra cima, como vem sido construído aqui na UFPR, com delegados tirados em assembleia e com caráter executivo, ou seja, só leva o que a assembleia de base deliberar, sem a intenção de levar políticas de suas próprias organizações ou entidades. Que fique registrado nosso rechaço a esse verdadeiro golpe aplicado pela UNE aos que constroem a greve, e, além disso, são necessárias ações radicais e contundentes para mostrarmos nossa insatisfação a tudo isso, pois enquanto suamos para arrancar do governo nossas conquistas, os burocratas negociam nas nossas costas e nos enganam, prejudicando todo o esforço de construção e luta. Temos que garantir nossas vitórias e acabar com essa burocracia, nefasta ao movimento estudantil e todos os outros movimentos sociais. E sabemos que pra isso só há uma solução: Ação Direta já!

Anúncios

2 comentários

  1. Olá,
    Antes de nada, saúdo a iniciativa dos companheiros de lutar pela construção de um mov estudantil desburocratizado, abaixo e à esquerda, que tanto faz falta aqui no Brasil
    Mas queria saber: por que tem uma bandeira do Chile na imagem de vocês? Não que eu ache a do Brasil muito melhor, mas confesso que fiquei meio perplexo. Por que não uma rubro negra, só negra…? hehe.
    saúde e anarquia, luta e rebeldia!

    1. Compa me indaguei quando vi o desenho também feito por nossa conta, a autora falou que não é uma bandeira do Chile, mas um livro cujo a capa é parecida com a bandeira do Chile.
      Esclarecido.
      Forte Abra;o.Saúde nas lutas. Abaixo e a esquerda sempre!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s