Resposta à carta aberta do DCE: Não nos Representam!

O conceito moderno de democracia estabelece um modelo político baseado na representatividade, democracia indireta: onde um indivíduo ou grupo de indivíduos toma decisões e posições em nome do coletivo sem, necessariamente, consulta-lo. Este modelo apresenta sinais de estar em crise, pois os representados tem percebido, cada vez mais, que seus interesses não condizem com a postura dos representantes. Parece ser esse contexto de crise política que nos envolve. Temos, recentemente, no Brasil, diversas manifestações de descontentamento por parte de trabalhadores de diversos setores contra o PT, partido que tem o discurso histórico de compromisso com essa classe. Exemplo disso é o que vivemos hoje na educação, em que quase todas as Universidades Federais se encontram em greve em suas três categorias, todas insatisfeitas com os projetos do governo que precarizam e privatizam essas instituições.

O DCE da UFPR não foge a essa tendência. Formado por setores que compõem a UNE, tem servido de correia de transmissão do governo, pois ao invés de defender as posições dos estudantes contra o governo, vem representar o governo no movimento estudantil, atuando como uma força desmobilizadora. Exemplo disso, é o golpe aplicado pela UNE semana passada que, com a participação de nosso DCE, negociou com o governo nas costas dos estudantes que vem construindo a greve, que tinham seus delegados legitimamente tirados em assembleia. Assembleias essas que o próprio DCE tinha reconhecido como instância de decisão maior que o próprio DCE. Além disso, podemos citar a movimentação que fizeram antes da greve. Antes da assembleia geral que deflagrou greve, estavam articulando com os CAs que eram contrários a ela, e, ao perceber nessa assembleia que perderiam essa pauta, mudaram rapidamente de discurso. O que caracteriza um grande oportunismo, pois, mesmo depois disso, não ajudaram a construir a greve, tentando implodir os comandos e esvaziando as assembleias.

Depois do golpe da semana passada, a assembleia pediu uma retratação pública por parte dessa entidade, que atacou diretamente nosso coletivo. Por isso, para contribuir com uma discussão saudável, destacamos alguns elementos de respostas que achamos pertinentes para o debate. Primeiramente, destacamos que a carta de retratação foi positiva, pois eles mostraram realmente quem são: uma entidade que não tem vergonha de atropelar assembleias de base(pois raramente participam delas) e nem de negociar com o ministro nas costas dos grevistas, ficando claro o prévio acórdão que tinham com o governo, assumindo-se como verdadeiros burocratas, descolados da base. Com isso, afirmamos que não temos nenhum interesse em fazer unidade com quem faz esse tipo de política, e que por questão de princípios não fazemos e nunca faremos aliança com o grupo que está hoje no DCE. É uma questão de qualidade de democracia que faz a diferença aqui: enquanto os burocratas defendem uma democracia representativa, que aliena a base das decisões políticas e levam as políticas das próprias organizações para os espaços de decisão, nós defendemos a democracia direta, em que a base se apropria dos instrumentos de decisão política – as assembleias gerais e de curso, que tem um caráter horizontal e permitem a todos darem suas opiniões e votarem nas pautas que lhes dizem respeito.

Quem acompanha as movimentações do cotidiano observa que nosso objetivo é e sempre foi a construção das vitórias do movimento, a partir das demandas da base, e da forma mais democrática possível, com sinceridade e humildade na luta. Lutamos sempre contra entidades e grupos políticos que tentam atravancar o movimento. Observando que, historicamente, estudantes que ocuparam cargos na burocracia da UNE se aproveitaram dessa condição para alavancar cargos parlamentares, e que nosso objetivo nunca foi assumir qualquer forma de poder estatal, afirmamos que, quem usa o movimento estudantil para autoconstrução de sua organização e como trampolim político é a UNE e suas entidades parceiras.

Nós, do Quebrando Muros, estudantes da universidade, ressaltamos que não somos alienígenas alheios à base, mas sim parte dela, e não trabalhamos com militantes liberados, ou seja, militantes que são pagos por seus grupos políticos para fazer movimento estudantil e ficam 10 anos na universidade. Somos parte da base e, portanto, construímos o movimento a partir e em conjunto com ela, de baixo para cima, sempre estimulando seu protagonismo, a partir da democracia direta. Não somos estudantes PARA fazer política, mas fazemos política porque somos estudantes, e queremos lutar, em conjunto com a base, por nossas demandas.

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