Desocupação tática: Trégua sim. Recuo jamais.

Na última assembleia estudantil, dia 20, o Movimento Estudantil da UFPR votou pela desocupação da reitoria da instituição. A ação de radicalização do movimento trouxe para junto dos alunos grevistas grande força externa para com sua luta. Os movimentos de paralisação de ambas as categorias, professores e servidores, manifestaram publicamente seu apoio à luta através da ocupação. Diversas entidades estudantis e coletivos de esquerda publicizaram moções nas quais se colocavam ombro a ombro com o Comando de Greve dos Estudantes. A força adquirida pelos alunos não podia mais ser ignorada pelos burocratas do poder.

                Acuada pela pressão estabelecida pela ocupação, a Reitoria da Universidade Federal do Paraná não teve outra escolha além de criminalizar e difamar os alunos que tomaram a dianteira do processo. Aliados ao DCE, os representantesda instituição espalharam junto à imprensa diversas mentiras que versavam desde uma falsa ligação da totalidade do Movimento para com partidos políticos (nunca é demais lembrar que o Coletivo Quebrando Muros é veementemente contrário a construção política realizada dessa maneira) até acusação de depredação do prédio ocupado, o que o próprio reitor Zaki Akel teve que desmentir depois da vistoria do prédio. Poucos dias antes da desocupação o mesmo reitor foi aos principais veículos de comunicação para amarrar ameaça de expulsão dos grevistas com a acusação de que o os discentes mobilizados se colocavam como entrave para liberação de medicamentos para a Maternidade Victor Ferreira do Amaral e também para a reforma do Campus Teixeira Soares.

Acusações falaciosas. Durante o processo de construção da greve, que começou a cerca de dois meses, militantes das três categorias (alunos, servidores e professores) visitaram, levantaram dados e realizaram atividades para esclarecer a situação do Teixeira Soares. Não só o Campus já era verdadeira ruína pós-apocalíptica, e, portanto, excessivamente atrasada, como o projeto do Campus atende uma lógica de ensino que contempla um projeto pedagógico absolutamente nefasto. A ocupação não poderia ter atrasado as obras, uma vez que elas nem sequer tinham, de fato, começado. E, com respeito, a Maternidade, a ocupação possuía uma Comissão de Ética que avaliava todos as requisições de documentos enviados para liberá-los se julgasse necessário. Documentos necessários para compra de remédios do Hospital de Clínicas foram liberados. Não haveria porque o tratamento ser diferente para com a maternidade se os documentos tivessem requisitados. Aliás, a mesma Comissão de Ética entrou em contato com a Maternidade e verificou que ela não estava com deficiência em seu estoque de medicamentos, desmentindo assim a matéria televisionada.

Ainda há de ser ressaltado que graças à militância na ocupação o Movimento continuou mobilizado mesmo em período de férias.  Tal mobilização garantiu que a maior assembleia de alunos da UFPR esse ano fosse realizada em meados de julho com cerca de 600 participantes que votaram pela manutenção da ocupação em tal ocasião. A excepcionalidade da radicalização do movimento evidenciou o movimento de greve perante a sociedade brasileira, inclusive forçando setores da imprensa que até então faziam de conta que a greve não existia a cobrir o evento.

Frente a isso fica claro que a saída da Reitoria não se dá por recuo, e sim, por trégua. O reinício imediato das negociações, e dessa vez pra valer, revela que a desocupação realizou-se de maneira estratégica e na hora certa. Não é mais possível a impassibilidade e ignorância que os burocratas tinham praticado frente às pautas elaboradas coletivamente por aqueles que lutam contra a destruição do ensino universitário. A mesa de negociações não é mais um faz de conta inócuo. A urgência com a qual os representantes do poder querem resolver nossas pautas só pode significar uma coisa: Os burocratas reconhecem a força do Movimento Estudantil e sabem que radicalização construída pela base é eficiente. Sabem que se a base optar pela radicalização, o Movimento radicaliza. Frente a um Movimento Estudantil forte e que opta pelo combate todos os ouvidos desensurdecem.

 

Quer saber porque o Movimento havia optado pela ocupação?
Clique aqui.

 

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