Greve dos estudantes da UFPR: pautas, instrumentos, lutas!

@s estudantes da UFPR, em assembleia geral no dia 29 de maio de 2012, deflagraram greve por entender que este era o único instrumento de luta que cabia naquele momento para reivindicar e conquistar as melhorias para a sua universidade. Desde então, construiu-se em assembleias gerais, de forma exaustiva, um documento que contemplava as suas principais pautas para ser apresentado à Reitoria pela comissão de negociação d@s estudantes.

No sentido de contextualizar este processo, é importante pontuar alguns elementos para possibilitar uma boa análise, como o fato de que nos encontramos no período pós-REUNI que, como foi previsto pel@s estudantes da UFPR em 2007 quando ocuparam a reitoria como forma de protesto a este projeto, precarizou o ensino superior público, expandindo o número de vagas ofertadas sem expandir, também, a estrutura e o financiamento de forma proporcional (50% mais alunos e 20% mais verbas – os números não batem) com o argumento de que a universidade encontra-se com estrutura ociosa, o que é claramente, se não uma mentira, um erro de análise do governo federal.

Esta greve apresenta algumas peculiaridades, como o fato de ser nacional e também unificada entre as três categorias da UFPR (servidor, estudante e professor), diferentemente do que ocorreu na greve do ano passado (2011) onde o que se viu foi uma greve simultânea e não unificada. Estas peculiaridades implicam na subdivisão de nossas pautas em três níveis: locais, conjuntas (das três categorias) e nacionais.
Localmente nossas pautas contemplam nove eixos, entre eles se encontram reivindicações referentes à assistência estudantil (aumento no número e valor das bolsas e auxílios, mais ônibus intercampi, casa estudantil para mães, etc.), estrutura física, humana e técnica para a universidade (construção de um colégio de aplicação para os estudantes de licenciatura, etc.), estágios obrigatórios (política de assistência financeira aos estudantes que precisam realizar estágio obrigatório, alimentação garantida no local de estágio), não retaliação aos estudantes grevistas, acessibilidade (rampas para cadeirantes, intérpretes de libras, etc.), biblioteca (aumento do acervo, abertura para a comunidade externa e estudantes já formados), currículo (não divisão das habilitações nos cursos), democracia na universidade (paridade qualificada, transparência nos conselhos e colegiados), privatizações (fim da privatização de laboratórios na universidade, fim dos cursos pagos) e pós-graduação (assistência estudantil para cursos de especialização).

Após duas semanas em greve (19/06), foram iniciadas as mesas de “negociação” entre @s estudantes e a administração da UFPR, que havia reconhecido a greve estudantil e recebido as pautas na semana anterior (14/06), após grande ato das três categorias (servidores, professores e estudantes) junto à comunidade. Foram travadas, num primeiro momento, duas exaustivas reuniões para o esclarecimento das reivindicações pautadas pel@s estudantes.

Já na 5º rodada de “negociação” com a reitoria, no dia 3/07 onde acontecia, simultaneamente, o ato 3-J convocado pelo CNGE (Comando Nacional de Greve dos Estudantes), e visto que não havia nenhum avanço concreto nas pautas dos estudantes, em assembleia pós-ato @s estudantes optaram pela ocupação do prédio, entendendo a necessidade deste instrumento de luta diante do cenário que se apresentava a eles naquele momento.

A radicalização dos movimentos sociais se faz necessária quando não há avanços na luta dos “de baixo”. É um instrumento de luta legitimo e eficaz como forma de pressão para que o movimento seja visto com seriedade e se obtenha as conquistas almejadas.

A reitoria da UFPR considerou a ocupação como ruptura da “negociação” por parte d@s estudantes alegando que as negociações estavam ocorrendo e que o movimento estava se precipitando ao dizer que não havia, de fato, avanços concretos com esta. Com base nesse argumento, tentou de todas as formas deslegitimar o instrumento de luta do movimento estudantil e enfraquecê-lo. Após quase duas semanas de ocupação foi chamada uma nova reunião com a comissão de negociação estudantil pela reitoria. Entretanto, ao contrário do que era esperado – reinicio das negociações, com real avanço, para que a reitoria fosse desocupada – a reitoria utilizou dessa reunião para ameaçar @s estudantes e, desta forma, descumprindo acordo prévio, criminalizar o movimento.

Após 18 dias de ocupação da reitoria, @s estudantes, de forma tática, decidiram pela desocupação como forma de “trégua”, mas não de forma recuada, sempre pontuando que conforme a necessidade o movimento irá radicalizar novamente, da mesma forma com que já fez várias vezes na história. É importante citar que esta trégua se fez necessária diante das constantes e progressivas ameaças por parte da reitoria aos estudantes ocupad@s, ameaças que chegaram a citar expulsão destes e abertura de processos judiciais.

Encontramos-nos em um momento que é crucial para o movimento de greve dos estudantes, o momento em que temos de centrar todas as nossas energias para formas de pressionar a reitoria a atender o máximo possível de pautas, visto que acreditamos que todas são prioritárias e imprescindíveis para a melhora da educação dentro de nossa universidade. Entramos num novo patamar da negociação da greve. A Reitoria da UFPR já sentiu a força do movimento estudantil combativo, e demonstra medo diante da possibilidade de nova radicalização. Isso só nos mostra o quão legitima e eficaz é a luta travada, que só através do processo de greve forte e combativo de tod@s estudantes unidos, e não através de unidades representativas, que conseguimos real avanço para as melhorias na universidade.

Nacionalmente e localmente, a situação da greve das outras categorias da universidade (técnicos e professores) não é boa: o governo federal se nega a negociar até onde é possível, depois disso ele marca reuniões que não chegam a lugar algum, se mostra intransigente e desrespeitoso com o movimento. Isto nos mostra que não sofremos de um problema local, isolado; este descaso com os movimentos grevistas é a regra e não a exceção. Temos um governo que se diz dos trabalhadores, mas que afirma não negociar com grevistas, um governo que prefere direcionar dinheiro aos banqueiros e empresários ao invés da educação. E é por isso que a nossa única opção neste momento é fortalecer e se somar à luta, de demonstrar nossa solidariedade aos companheir@s que se encontram no mesmo processo de luta que nós e não recuar jamais!

Lutar, criar, poder popular!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s