PROGRAD 2012: Sucateamento em edital.

                O edital “PROGRAMA DE MELHORIA DA QUALIDADE SOCIAL NA GRADUAÇÃO DA UFPR” de 2012 ofertado pela PROGRAD da instituição só vem a comprovar a suspeita dos grevistas: está selado o casamento entre governo federal e a Reitoria da UFPR. Sem estar vinculada ao projeto REUNI (que paulatinamente sucateia o ensino universitário brasileiro) a PROGRAD copia sua lógica e oferece aos departamentos uma proposta de investimento cuja contrapartida é minimamente duvidosa.

                Entre os objetivos do edital pode-se ler que é almejado “a melhoria do fluxo acadêmico de curso”. Mais adiante podemos ler com exatidão a maneira como a PROGRAD resolve financiar a realização dessa meta:

“Até R$300.000,00 por curso para projetos de reformulação curricular que visem a adoção
de turno único
ou, nos já ofertados em turno único, que visem a redução da duração total
do curso
(semestre ou ano) nos limites da legislação, sendo no mínimo 30% do montante solicitado para pagamento de custeio.”

                A Universidade não está ajudando a melhorar fluxo algum. Ela está comprando a desistência de discentes que não podem trocar de turno. Ao mesmo tempo obriga os professores a reduzirem o conteúdo de suas disciplinas. Com menos turnos os cursos precisam de menos professores para lecionar. Com menos conteúdo forma-se profissionais menos qualificados. Simples assim? Simples assim.

                E vem mais. A lista de objetivos do edital também fala em modernização da infraestrutura. Mas o que deve-se entender por infraestrutura? Vejamos como a PROGRAD lida com isso  na forma de uma oferta de capital:

“Até R$100.000,00 por curso participante para transformação de horas curriculares presenciais em horas de ensino a distância nos termos da Resolução 72/10 CEPE.”

                Obviamente não se trata de melhorar a infraestrutura da UFPR. Antes tratas-se de manter o aluno afastado da instituição privando-o de travar a relação necessária com o professor, com as secretarias e órgãos de poder.

                O absurdo chega ao ápice quando na leitura do edital descobre-se que a análise dos projetos inscritos será feita por comissão criada pelo “Magnífico Reitor”. Não há nenhum dispositivo pelo qual tal comissão possa ser vetada; sequer existe a possibilidade de que pelo menos um dos membros da comissão seja indicado por alunos ou qualquer outro setor da comunidade acadêmica.

                Diante de demonstrações públicas, claras e autoritárias de um engajamento no desmonte do ensino público não resta outra alternativa aos alunos da UFPR a não ser o de cruzar os braços e gritar a plenos pulmões: CHEGA DE SUCATEAMENTO!

Quer ler o edital da PROGRAD? Clique aqui

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