Nota sobre eleições do DCE 2012/2013 do Coletivo Quebrando Muros

Fomos chamados a nos declarar publicamente sobre as eleições do DCE UFPR 2012/2013. Neste texto que segue colocaremos nossas posições para que não restem dúvidas nem se alimentem mais acusações falaciosas.

Destacamos que não nos sentimos tensionados em nossas posições e convicções pelos ataques vindos dos coletivos que hoje compõem a chapa “Nada Será Como Antes” (Barricadas, Convite à Ousadia e Rompendo Amarras), que nos acusam de se alinhar à direita pelas nossas posições frente às eleições do DCE 2012/2013. Ressaltamos que na carta aberta deste coletivos, tem-se a perspectiva de nos “chamar” a aliança. Não cremos que a calúnia e os ataques são a melhor forma de tentar constituir uma aliança, mas sim a fraternidade e o diálogo, coisa que estes coletivos jamais tentaram antes de fazer calunias públicas a nossa organização.

Para nós do Coletivo Quebrando Muros, nunca foi uma posição absoluta disputar a direção do DCE UFPR. Desta forma, não existe nem crise nem incoerência da nossa parte. Em outros anos (inclusive nossa primeira aparição pública) construímos uma campanha alternativa durante as eleições do DCE 2010/2011 “Nossas lutas não cabem nas urnas”, afinal nossa crítica da burocratização e afastamento destas entidades frente à base, e os resultados disto – entidades sem reconhecimento da base e que por isso não conseguem tocar lutas reais – não são novas. No mesmo sentido não nos sentimos constrangidos em nos alinharmos a uma chapa como no ano passado (2011), quando apoiamos a chapa “Tecendo o Amanhã”. Fizemos isso com base na análise de que um DCE com uma gestão conservadora/governista (chapa “Nós Vamos Invadir sua Praia, composta por C7, PT e PDT majoritariamente) poderia atrapalhar nas mobilizações que se avizinhavam (Greve da Educação 2012) onde o aparelho do DCE seria usado para atravancar e desmobilizar xs estudantes em luta. Acertamos em nossa análise, afinal o DCE unido a Reitoria da UFPR lançou mão de todos os instrumentos possíveis para desconstruir a greve, inclusive endossou a criminalização da ocupação da Reitoria fazendo coro junto à mídia empresarial e à Reitoria. No entanto, isso não bastou para impedir a mobilização dos estudantes – mesmo sem contar com o aparato (DCE) -, obrigando assim os estudantes se organizarem de modo horizontal (assembleias gerais e locais), e também através da ação direta (tomada da reitoria), a fim de superar as adversidades postas dentro deste novo cenário. Assim sendo, entendemos que a conjuntura é outra, não parece que grandes mobilizações de estudantes estão dadas no horizonte próximo, afinal com os resultados das greves deste ano parece que há poucas possibilidades das categorias encamparem um movimento desta proporção. Deste modo, se faz necessário a volta à base, na continuidade dos trabalhos junto a ela, que foram potencializados pela greve deste ano.

Nesta nova conjuntura que se desenha, parece que o DCE pode potencializar muito pouco a organização de base, afinal este aparelho tem por tendência a centralização dos esforços militantes, e mais, em atividades que não necessariamente auxiliam na organização e luta de base (como os conselhos) que esvaem grandes esforços militantes em atividades inférteis além de projetar as lutas que devem ser cotidianamente travadas nas bases para espaços burocratizados, que reforçam a ilusão nos espaços institucionais (que não são neutros). Ou seja, tais formas canalizam os esforços das mobilizações para a eleição de certos atores que “conduziriam” as lutas dos estudantes. Mas, ao contrário disso, a greve deste ano mostrou que as conquistas dos estudantes só foram possíveis através das mobilizações que pressionaram o poder burocrático da universidade de tal forma que terminou por arrancar as conquistas, fazendo com que os gestores da universidade “preferissem perder os anéis aos dedos”.

Foi na intensa participação dos estudantes neste processo que o modelo de organização política dos estudantes, pautada pela representação indireta (democracia representativa), em todas as instâncias foi posto em xeque. Como exemplo disso, o “Coletivo Quebrando Muros” aderiu ao chamado nacional da “Outra Campanha”, que buscou pautar que a luta politica não está circunscrita aos espaços institucionais (e burocráticos), assim, foi possível construir uma (Outra) campanha que buscasse se contrapor às campanhas eleitorais dos políticos profissionais, buscando resgatar o protagonismos daqueles que constroem às lutas, a base (todos nós). A partir desta perspectiva, as atuais eleições para o DCE não se distinguem tanto das eleições burguesas, na qual escolhemos por um grupo (geralmente um partido ou uma coalizão de partidos) que fará por nós, em nosso lugar (delegando o poder ao outro). Neste sentido, a base (nós todos) devemos se restringir a escolha dos “sujeitos” que conduziram as tomadas de decisão (a política). Como contraponto a isso, buscamos aprofundar (enraizar) as formas de organização construída na Greve, como as decisões todas em assembleias (de cursos ou geral), nas quais não havia nenhuma restrição para participação, todos tinham igual voz e voto. Assim deliberava-se e executava-se a política por meio da ação direta: atos, manifestações, ocupações, etc. Ao invés de escolher os representantes que vão gerir os seus interesses a base se tornou protagonista da luta. Em relação à atual eleição do DCE, fazemos sim distinção do conteúdo da chapa de esquerda (“Nada será como antes!”) e da direita (“Quem vem com tudo não cansa”), porém sabemos que não é a troca das direções do movimento que consolidará as conquistas que tivemos na última greve, sejam as conquistas organizativas e mesmo as conquistas de direitos.

Não fazemos um chamado ao voto , mas CONVOCAMOS A TOD@S @S ESTUDANTES PARA A LUTA!Não se trata de votar, nem mesmo propor a anulação do voto. Não nos abstemos. Propomos “outra” campanha.conseguiremos efetivar as conquistas e avançar na melhora das condições estudantis caso a luta seja tocada no dia a dia. Portanto, não basta depositar um voto na urna para REALMENTE MUDAR a situação na qual vivemos. Desta maneira passamos a compor a campanha “Façamos nós por nossas próprias mãos”, ocupando o lugar que escolhemos “abaixo e à esquerda”!

Acesse também: http://facamosnos.wordpress.com/

Todos os comunicados em relação as eleições do DCE 2012/2013 agora serão realizados pela campanha “Façamos Nós Por Nossas Mãos” (https://quebrandomuros.wordpress.com/2012/11/21/sobre-nos-facamos-nos-por-nossas-maos/)

Coletivo Quebrando Muros 21 de novembro de 2012

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