Mês: dezembro 2012

II Seminário de Formação de Estudos de Gênero

No dia 8 de Dezembro tivemos a segunda formação sobre as questões de gênero, organizada pelo Grupo de Gênero do Coletivo Quebrando Muros. @s integrantes dessa vez apresentaram o histórico da luta feminista, destacando a luta das mujeres livres na Revoluçao Espanhola e também o histórico de luta lgbt.. Disponibilizamos aqui os textos disparadores do seminário, novamente escritos pel@s integrantes do GG.

História da mulher

Histórico LGBT

Mujeres Libres

[Contribuição] As lutas das mulheres e alguns desafios para os movimentos populares

Loreta  Carpenã 
Militante da Resistência Popular RS
 Nós mulheres, quando somos convocadas a falar sobre nossas lutas e sobre os desafios que nos são colocados diariamente, em geral, não sabemos nem por onde começar. Mas, isto não significa que não haja assunto ou nos faltem demandas, pelo contrário, são muitos assuntos pertinentes a serem abordados e sobram as demandas!
Podemos falar dos direitos, da importância da participação das mulheres nas lutas sociais, sobre o combate à cultura machista, sobre as questões relacionadas às relações de poder e por fim, qual é nosso papel enquanto sujeitas na tão sonhada Revolução Social. De fato não é uma tarefa fácil, abordar todos estes assuntos juntos em um só texto, pois todos têm seu grau de importância e necessitam de um aprofundamento. Cada uma destas questões que apontei anteriormente carece de nós um debruçar maior e não apenas breves pinceladas. E é por isto que aqui vou me ater apenas em alguns destes temas e mesmo assim corro o risco de ser superficial em algumas de suas abordagens, entendendo que o objetivo deste texto não é ser uma receita pronta ou um “mega material teórico”, tampouco é uma opinião de organização ou movimento, mas sim um disparador, um provocante e motivador que parte de uma militante no que se refere à luta pelos direitos e libertação das mulheres das classes oprimidas em nosso acionar social.
Inicialmente é importante dizer que nós, militantes comprometidos com a causa dos oprimidos, dos de baixo, devemos sempre manter nosso olhar atento a esta importante questão que é a emancipação das mulheres da cultura machista que domina seu destino e seus corpos. Sabemos que a sociedade em que vivemos, além de capitalista, é machista e não apenas oprime as mulheres por serem os “sujeitos frágeis”, mas oprime também todos aqueles que saem da forma pré-estabelecida por suas instituições, ou melhor, por seus mecanismos de dominação e controle.
É muito fácil observar que a cultura da violência machista, chamada de doméstica, é muito forte e arraigada, não é a toa que este tema ganha destaque. No Brasil a cada dia 10 mulheres são assassinadas, vítimas dos chamados, hipocritamente, “crimes passionais”.
A cultura em geral tem suma importância na transformação da sociedade; os aspectos subjetivos com os quais ela se constitui e são constituídos são fundamentais para uma verdadeira mudança de valores. Precisar o que ela carrega para a reprodução de pensamentos atrasados e conservadores é fundamental, porém, mais fundamental ainda é o seu combate. Entretanto, não será somente com o combate à cultura que está aí, por si só, que vai garantir a nós mulheres mais liberdade e sim um conjunto de ações que tenham em vista rupturas profundas com o modelo atual de sociedade e nisto, os aspectos ideológicos são importantíssimos. Cabe aqui ressaltar que não queremos transformar a sociedade apenas com as mulheres e para as mulheres, organizadas somente com mulheres. Nós somos parte da classe oprimida e é dentro dela, fortalecendo-a, que queremos alcançar a libertação de todos os povos oprimidos e estamos dispostas a lutar diariamente para alcançar a justiça social.
Este é um ponto importante de ser abordado, pois aqui demarcamos com força nosso caráter de classe, pois nos diferenciamos dos grupos de feministas que mantêm rechaço à participação masculina neste debate, ou melhor, nesta luta.  O que acabo de levantar aponta uma maior participação dos homens na luta contra a opressão das mulheres, e esta proposição abre brechas para grandes polêmicas, que sempre serão bem vindas e cabe a nós mulheres militantes libertárias perguntarmo-nos: por que não? Sabemos sim, que é importante ter espaços em que as mulheres se reúnam apenas entre si, pois não é fácil num primeiro momento falar sobre intimidades, anseios e desejos diante de todos, ainda mais quando estas mulheres estão em um contato muito inicial com uma reunião de movimento popular ou coisa do tipo. Também sabemos o quanto difícil é convocar as companheiras em um bairro, por exemplo, para uma reunião que tenha como objetivo falar sobre seus direitos e muito mais difícil seria se estas vissem um homem na coordenação da mesma. Entendemos que este não é um método apropriado, ainda mais quando acreditamos que são as próprias companheiras que devem se organizar e construírem sua autonomia. Agora, acreditar que sobre o assunto relacionado à luta das mulheres só devem participar, debater e construir somente as mulheres, a isto me refiro como errôneo. Ainda mais quando estamos falando (atuando) como movimento popular, que necessariamente se constitui com sujeitos diversos, mistos e que em seu interior precisa elevar este debate ao alcance de todos. A importância desta pauta, a luta das mulheres, deve ser sentida por todo movimento popular, pois somente assim vamos constituir uma igualdade de compreensão sobre a necessidade da mesma. Como podemos cobrar de nossos companheiros militantes libertários maiores comprometimentos nesta causa se não os buscamos para isto? Observo que esta crítica não perdoa aqueles que não fazem o mínimo esforço para ser parceiro nesta caminhada e rechaça profundamente aqueles que, ao contrário, contribuem para o fracasso de nossas peleias.
Sabemos é claro que estas práticas autoritárias e centralistas são muito mais comuns nos movimentos de massa, onde a maior parte da coordenação do mesmo se constitui por homens, e que o tema da autonomia e participação das mulheres sempre fica relegado a segundo plano. Nos últimos períodos, o que podemos acompanhar em termos de lutas sociais relacionadas às jornadas de lutas das mulheres foi grandes doses de desobediência dentro dos movimentos de massa, neste caso mais especificamente, podemos citar o movimento Sem Terra que em anos passados constituiu ações diretas de forte envergadura organizadas pelas companheiras e que enfrentou dificuldades internas em construir homogeneidade sobre o método e conteúdo de suas ações: a luta das mulheres contra todo um sistema de dominação que não se restringe ao agronegócio… Pareceu-me importante levantar este exemplo para ressaltar os muitos conflitos ainda existentes que pairam sobre o assunto da organização e luta das mulheres de movimentos sociais, de massa ou não, enfim populares.
Nós que acreditamos ser fundamental a mudança de valores culturais e ideológicos para a constituição de uma nova sociedade, nós que não cremos que são as relações produtivas da sociedade que vão determinar a transformação das relações de poder, nós que acreditamos que a mudança deve ser constituída desde abaixo, elevando as bases sólidas do poder popular, nós, o que pensamos sobre a luta das mulheres? Melhor, que fazemos nós enquanto organizações, movimentos populares para que as mulheres possam cada vez mais fortalecer sua participação e autonomia? Como destaco inicialmente aqui não cabem receitas prontas, ao contrário, as dúvidas, os anseios e as críticas são fundamentais para maiores possibilidades de acerto neste processo que se inventa e reinventa.
 Devemos nós que almejamos a libertação dos oprimidos, construir não somente um discurso para as mulheres do povo, mas sim um agir que possibilite nos nossos espaços de inserção social fazer a diferença a partir de práticas onde as companheiras se sintam empoderadas das ferramentas para sua emancipação. Sei e sabemos que ainda existe uma luta por direitos que não foi alcançada, apesar dos valorosos esforços de várias gerações que nos antecederam e não falo das lutas sufragistas. Ainda é preciso levantar a bandeira da creche, cozinha e lavanderia comunitária, ainda é preciso e urgente gritar por mais saúde e autonomia sobre nossos corpos. Companheiras, ainda é importante brigar por mais educação pública e de qualidade para nossos filhos e filhas.
Para não nos distanciarmos dos urgentes anseios das mulheres do povo, precisamos lembrar que é de extrema importância lutar pelo imediato, sem deixar de lado a briga política, ou seja, aquela que aponta para onde queremos chegar, uma sociedade com liberdade. As políticas públicas fazem parte da construção deste empoderamento dos de baixo e não seria diferente para nós, mulheres, que ainda temos lutado desesperadamente pelo mínimo de condições de uma vida digna.
 Nosso lugar, como oprimidas ao lado dos oprimidos, e o que podemos tomar ou criar por nós mesmas não devemos esperar como presente de ninguém. Os desafios que nos são colocados são muitos, mas muitos são também os nossos desejos de superá-los. A tarefa é organizar e fortalecer, nossa função nada mais é que instigar e fermentar as possibilidades de romper o cerco das opressões.
O resgate das datas simbólicas das lutas das mulheres são necessários, o movimento popular deve ter consciência que estas pequenas lutas, como as lutas dos 8 de março, são trincheiras vitais para o acumular de força na luta social. Cabe a todos a tarefa de fortalecer e encorajar as lutas das companheiras, colaborando em tarefas que possibilitem maior liberação das mulheres para se organizarem, ao mesmo tempo, que juntos construam às ações a serem realizadas. Queremos encontrar em nossos companheiros de luta um braço solidário nestas jornadas, o mesmo que eles encontram em nós quando fechamos uma rua para reivindicar um direito trabalhista, quando apoiamos uma greve, quando estamos juntos enfrentando a opressão do estado, quando mesmo em desvantagem gritamos em alto e bom som Justiça Social para Todos e Todas!
A revolução há de começar por baixo. E por dentro. Deixem que entre o ar na vida familiar, velha e estreita. Eduquem os filhos e filhas em liberdade e alegria. A vida será mil vezes mais harmoniosa quando a mulher for realmente uma “Mulher Livre”.
Ilse- Revista Mujeres libres n°7, VIII mês da Revolução
Contribua você também!
Envie-nos um email para: mulheresresistem.rp@gmail.com.

Convocatória ELAOPA

elaopa

 

X Encontro Latino Americano de Organizações Populares Autônomas – ELAOPA

Construir o Poder Popular para a integração dos que lutam!

 

Completamos 10 anos desde a primeira edição do ELAOPA em 2003, e seguimos por nossa América Latina orientados pelos princípios fundamentais que nos constituem.

Nos definimos como organizações sociais orientadas pela luta de classes, pela identidade como povos originais deste continente, e por princípios como trabalho de base, democracia direta, solidariedade entre os de baixo, luta popular e autonomia dos oprimidos.

Mantemos a nossa independência frente a partidos políticos, ao Estado e a seus governos, ONGs, empresas, e a todos aqueles que vêm nos dizer o que temos que fazer, com estruturas autoritárias e distantes de nossa realidade. Reivindicamos a autonomia porque é uma ferramenta para realizar nossos sonhos.

Fazemos as ações políticas a partir de nossas organizações sociais, com a participação de todas e todos para criar um poder nosso, um Poder Popular.

Desde o primeiro encontro nos propusemos a juntar nossas mãos e forças para mudar a realidade injusta e brutal de mais de 500 anos de opressão em nosso continente. Nessa América Latina que, no final do século XX, foi alvo das políticas neoliberais e do programa aplicado pelo Consenso de Washington promotor do livre comércio, das privatizações, da desregulamentação da economia, de reformas impositivas, e da redução de gastos públicos. Nesse contexto a ameaça vinha sob a sigla ALCA, mas ao mesmo tempo eram diversas as lutas de resistência que impuseram derrotas parciais através da ação direta popular, o que derrubou governos, reverteu privatizações e colocou em xeque golpes de Estado. Foi desde então que o ELAOPA tem servido como um espaço de acúmulo de experiências organizativas diversas, fortalecendo os campos de atuação no meio popular, sindical, estudantil, comunitário, ambiental, campesino, etc.

Levando em consideração a realidade latino-americana, é reconhecido que nessa última década tivemos algumas mudanças. No entanto, também devemos criticamente pontuar que essas mudanças têm encontrado limitações. Sabemos que existem diferenças importantes entre os governos neoliberais do passado e os atuais, intitulados de progressistas. Porém, ao mesmo tempo, existem semelhanças estruturais entre esses governos que se apresentam como limites para os sonhos de uma verdadeira emancipação da nossa gente.

Vivemos hoje uma tentativa de aliança entre os de cima e os de baixo, através das políticas de conciliação de classes desses governos progressistas. Seguimos em nossas realidades com um modelo capitalista extrativista como os principais países exportadores nos setores agro-mineral, e estamos entre aqueles comprometidos com as principais multinacionais energéticas e de mineração do mundo. São essas concessões às multinacionais extrativistas que, aliadas às classes dirigentes locais, garantem certa estabilidade ao financiarem os crescentes gastos sociais que permitem a reeleição desses governos.

Estão em curso programas contra a pobreza e tem se registrado algum êxito na redução da miséria, mas isso tem sido consequência do crescimento econômico e não é feito através da redistribuição da riqueza.

Na região, os governos têm financiado projetos de infraestrutura em grande escala para vincular os setores agro-mineral aos mercados exportadores, devastando o meio ambiente sob a justificativa do desenvolvimento produtivo. Ao mesmo tempo, os projetos de integração na América do Sul evocam nos discursos desses governos a epopeia dos mártires que resistiram ao imperialismo colonial em busca da independência. Dessa maneira, tentam blindar os interesses das transnacionais através da Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sulamericana (IIRSA) com citações de Simon Bolívar, José Martí e Artigas.

Por isso afirmamos que, para a emancipação dos oprimidos latinoamericanos, o caminho segue sendo o da luta popular. A cooptação e o clientelismo são tentativas eficazes que o sistema utiliza para nos fragmentar, mas não são capazes de sufocar a resistência. Seguimos firmes nas tarefas, organizando-nos, lutando e resistindo na escala local, denunciando os projetos da IIRSA e fazendo o contraponto político e ideológico aos mecanismos de controle do sistema nesses cinco séculos de dominação em nosso continente. Vamos semeando a solidariedade, construindo o Poder Popular com independência de classe e promovendo a ação direta contra as injustiças. Pela integração dos que lutam!

 

X ELAOPA – 25, 26 e 27 de Janeiro de 2013

Rio Grande do Sul/Brasil

Assentamento Milton Santos ocupa Secretaria da Presidente em São Paulo Segunda-Feira, 10/12/2012, 11:30 hs

Retirado de: http://www.assentamentomiltonsantos.com.br/?p=150

As famílias do Assentamento Milton Santos localizado em Americana-SP ocuparam hoje pela manhã a Secretaria da Presidência da República localizada na Avenida Paulista em São Paulo e até agora permanecem no local. As famílias estão prestes a ser despejadas da área onde foram assentadas há 7 anos atrás pelo Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (INCRA) e onde construíram suas casas e trabalham na produção agrícola. As famílias reivindicam a desapropriação por interesse social do local, única medida legal que pode reverter o despejo.

A entrada das famílias na secretaria da presidente foi pacífica e o patrimônio público permanece intacto, sem qualquer espécie de dano material. Contudo, as famílias e organizações apoiadoras, que totalizam cerca de 120 pessoas, permanecem no prédio e o clima é de tensão. Parte das famílias estão no andar da secretaria e outra parte está sendo impedida de subir pela segurança. Uma comissão de 17 assentados acaba de subir para uma reunião de negociação. As famílias permanecerão no local até que sua solicitação seja negociada e atendida pelo governo federal. Fazemos um apelo para que todos e todas que apoiam a luta do pela permanência do Assentamento Milton Santos que se dirijam ao local. A secretaria está localizada na Avenida Paulista no prédio do Banco do Brasil, ao lado do Conjunto Nacional, em frente ao Metro Consolação.

Em julho as famílias foram informadas que havia uma reintegração de posse, concedida pela Justiça Federal, para o Sítio Boa Vista, área do Assentamento. A responsabilidade pela retirada das famílias era do INCRA e em caso de descumprimento da decisão o órgão deveria pagar uma multa diária de R$ 5.000,00. O pedido foi feito pelos antigos donos da propriedade, a família Abdalla, que haviam perdido a terra por dívidas pública com o INSS na década de 1970, mas a conseguiram de volta recentemente.

O Superintendente do INCRA de São Paulo, Wellington Diniz Monteiro, e os representates do Governo Federal, Bigode e Feijó já visitaram o assentamento e garantiram às famílias publicamente que a Presidente Dilma desapropriaria a área em favor das 68 famílias que lá habitam e plantam. Infelizmente, o Governo Federal nada fez. No dia 29 de novembro, a Família Abdalla (proprietaria do imovel) e a Usina Ester (arrendatária e monocultora de cana), entraram com uma segunda ordem de reintegração de posse na qual o juiz estipulou o prazo de 15 dias para o INCRA retirar as famílias e autorizando o uso da força policial do Estado e da Polícia Federal para executar a ordem de despejo.

O prazo está se esgotando e os assentados não tem outra alternativa a não ser resistir no local, caso a área não seja desapropriada. Só a assinatura do decreto de Desapropriação por Interesse Social pela Presidente Dilma pode garantir que não ocorra um massacre!

Somos todos Milton Santos e lutaremos até o fim em defesa das famílias!

Coletivo de Comunicação do Assentamento Milton Santos

Assista o vídeo também em:

http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2012/12/514585.shtml

A assinatura das pautas: mais uma vitória sobre as burocracias!

No dia 05 de Dezembro (quarta-feira), com dezoito dias de atraso em relação ao acordo firmado entre a comissão de negociação da Reitoria de Zaki Akel e a comissão de negociação dos estudantes em greve — afinal, o acordo era de que a Reitoria assinaria as pautas no prazo de  noventa dias após o fim da greve (prazo este que teve término no dia 17 de Novembro, uma vez que a greve se encerrou no dia 17 de Agosto). O motivo deste atraso? O Reitor não queria se comprometer com @s estudantes em greve (representad@s nas assembleias, no comando de greve estudantil local, e por consequência, em sua respectiva comissão de negociação). Por quê? Ele queria respeitar a “institucionalidade”, nossos representantes legítimos, que para o Reitor são o DCE.

O Reitor alegou que os “comandos” se vão, mas a institucionalidade fica, e que as outras categorias já haviam assinado com suas entidades. Sabemos sim que o ideal é que nossa entidade respeitasse as posições tiradas em assembleia e executasse a vontade de sua base, como o fazem as entidades das outras categorias. Porém, vimos que nosso DCE não se comporta de tal forma na UFPR. Pelo contrário: a categoria delibera em assembleia que vai ocupar a Reitoria para obter resposta, e a diretoria da entidade (na época “Nós Vamos Invadir sua Praia”, sucedida pela chapa de continuidade “Quem vem com Tudo não cansa”) lança notas públicas e dá entrevistas reafirmando a posição de criminalização do movimento, fazendo coro junto à Reitoria. O movimento em assembleia delibera que a UNE não nos representa, e “quem negocia em nome dos estudantes em greve é  o Comando Nacional de Greve Estudantil” e não a UNE, e o que faz o DCE? Adere à negociação puxada pela UNE, sendo necessário que tanto DCE como UNE sejam repudiados em assembleia de estudantes na UFPR. É de se entender, então, o porquê de o Reitor não querer assumir o compromisso das pautas com o Comando Local de Greve Estudantil e com as comissões que este comando referendou em assembleia geral, mas sim com seus velhos aliados do DCE. O vergonhoso é que até de “pique esconde” o Reitor quer brincar com o Comando Local de Greve Estudantil, pois se não fosse a persistência de alguns estudantes do Comando Local de Greve Estudantil (CLGE) em conseguir a informação, nós (CLGE) sequer saberíamos do evento da assinatura das pautas, que seria a portas fechadas ao modelo “chá das cinco”. Sabemos qual a intenção do Reitor: se comprometer com quem nada cobra, e mais, dar espaço para a promoção política de uma diretoria de DCE que não só não promove nem se junta às lutas, como as desmobiliza.

Foram algumas semanas contactando a Reitoria para que esta assinasse as pautas, e também para que aceitasse as comissões tiradas em assembleia (e não em salas a portas fechadas do DCE). O fato é que nenhuma conquista nesta greve veio com apoio e auxílio do burocratas, sejam os da Reitoria e  do Governo Federal, sejam os do movimento (carinhosamente conhecidos como Ministério do Movimento Estudantil, ou seja,  representando a posição do Governo Federal no Movimento). Não seria no momento final desta greve , portanto, que deixaríamos de fazer um último embate às burocracias do Estado. Em curtíssimo prazo — duas horas, para ser mais preciso — mobilizamos algumas dezenas de estudantes, mostramos nossa força à Reitoria, e mais uma vez impusemos nossas vitórias sob esta e seu apêndice DCE.

 

Agora, mais uma luta a ser tocada nas comissões, para que lá consigamos fazer os acordos de greve serem respeitados, se necessário já demos mostra de nossa força e lá estaremos para nos fazer ouvidos!

Como sempre no lugar que escolhemos: “Abaixo e à Esquerda!”

Coletivo Quebrando Muros-“Onde há muros, há o que esconder”

Leia aqui quais são as conquistas da greve:https://quebrandomuros.wordpress.com/2012/08/22/greve-estudantil-ufpr-construcao-instrumentos-e-lutas-vitorias-e-resultados-da-greve-estudantil/

Em breve disponibilizaremos aos interessados aqui o vídeo da assinatura das pautas que esta em edição.