Ser mulher – da classe trabalhadora – é uma grande sequência de atos de coragem

Na sociedade em que vivemos ser mulher – da classe trabalhadora – é uma grande sequência de atos de coragem.

Acesso real à assistência de saúde, um emprego satisfatório, condições estáveis de moradia, direito de ir e vir, condições de acesso à informação, incentivo ao estudo, possibilidade de apreciar cultura, condição de desenvolvimento da criatividade. Ao pensarmos que isso é o que precisamos para ter uma vida minimamente digna, pode-se perceber que a mulher, enquanto figura social, está em grande desvantagem na busca por esses fatores.

Ao precisarmos de acesso real à assistência de saúde, encontramos barreiras quanto às nossas decisões sexuais, imposições sobre nossos corpos, violência médica emocional e/ou física.

Ao procurarmos empregos, nos deparamos com assédio, diferenças salariais, falta de creches, preconceito sexual, divisão sexual do trabalho, objetificação da aparência feminina, desprezo por tarefas e duplas (ou triplas) jornadas de trabalho. Todos esses problemas nos tornam financeiramente instáveis, fazendo com que nós, mulheres, tenhamos maior dificuldade em nos sustentarmos por nós mesmas em sociedade.

Ao precisarmos de condições estáveis de moradia e tentarmos fazer uso do nosso direito de ir e vir, a instabilidade financeira imposta a nós muitas vezes nos leva a depender de familiares ou cônjuges, o que muitas vezes faz essas pessoas se sentirem no direito de controlar nossas vidas: o que fazemos, o que queremos, o que sentimos. Essa privação de condições iguais que sofremos acaba por nos obrigar a depender de relações de abuso.

Essas relações de abuso acontecem em muitos lugares – um pai ou marido que não permitem que a mulher saia de casa para trabalhar, estudar ou participar de grupos do interesse dela; um chefe ou empresa que força o uso de um uniforme humilhante ou que subentende que para se manter no emprego não se pode engravidar; pessoas que se sentem no direito de gritar coisas para mulheres desconhecidas na rua; a imposição silenciosa de que existem lugares e horários em que mulheres são simplesmente proibidas de andar na rua  – esses casos e muitos outros nos afastam constantemente do acesso à informação e ao estudo, e não nos permitem o desenvolvimento da nossa criatividade e aprendizado.

Recebemos ordens, proibições e críticas sobre cada aspecto das nossas vidas, e quando decidimos resistir, ainda tentam colocar algum tipo de culpa em nós, tentando nos ensinar que deveríamos estar obedecendo caladas. Mesmo assim nós resistimos, e nos colocamos no mundo contestando diariamente essas opressões.

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Nós, do Grupo de Gênero do Coletivo Quebrando Muros, convidamos você a mais um ato simbólico de coragem: participe conosco do ato do Dia da mulher trabalhadora, em 8 de Março (sexta-feira)16h30 na Boca Maldita e da Oficina de Cartazes para o 8 de Março que acontecerá dia 7 de Março (Quinta-Feira), na Reitoria da UFPR.

Venha conosco gritar a plenos pulmões! Essa luta é de todas e todos!

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