49 anos da luta contra a Ditadura!

Há exatos 49 anos, iniciou-se no Brasil um período marcado pelo autoritarismo e repressão: o Regime Militar. Instaurado no dia 1 de abril de 1964, através de um golpe militar conhecido como A Revolução de 64, o Regime Militar pôs fim ao período Populista do até então presidente João Goulart. O golpe de estado foi apoiado pelos setores conservadores da sociedade, que temiam a implantação da reforma de base, alegando que tal medida despontaria numa ditadura comunista. O então chefe do Estado-Maior do exército, Mal. Castelo Branco, um dos principais articuladores do golpe de 64, é eleito presidente pelo Congresso, o primeiro dos cinco que estiveram no poder durante os 21 anos de ditadura militar no Brasil. O plano político do regime era marcado pelo autoritarismo, supressão dos direitos civis, censura prévia aos meios de comunicação e pelas prisões torturas e assassinatos Aqueles que fossem opositores aos golpistas deveriam ser presos. Diversos militantes da esquerda tiveram de se exilar, suas casas foram invadidas, pois qualquer ligação à esquerda ideológica era considerada como uma ameaça ao regime instaurado. Centenas foram mortos pelas forças armadas ou são dadas como desaparecidas até hoje.

Os movimentos sociais passaram a agir na clandestinidade, à margem do governo ditatorial. Muitos estudantes compunham organizações contra o Regime Militar, estavam presentes em diversos conflitos frente às Forças Armadas. No mesmo 1 de abril, a sede da União Nacional do Estudantes, a UNE, é incendiada no Rio de Janeiro, fato que desencadeou grande revolta entre os estudantes. O contexto se agrava a partir do momento em que o até então reitor da UFPR, Flávio Suplicy de Lacerda, torna-se ministro da educação e decreta a extinção das entidades estaduais e a UNE. As decisões repressivas do governo tornavam a revoltas entre os estudantis ainda maiores. Foi com o AI-5 e o fechamento do Congresso que muitos estudantes decidiram aderir à luta armada nos anos seguintes, muitos passaram a compor grupos radicais de resistência, participando de assassinatos, sequestros e assaltos a bancos e supermercados, para financiar as lutas armadas contra o regime militar.

O ministério da educação assinou diversos acordos com a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID), e nos relatórios de 1965 a 1968 eram indicados que as instituições buscassem formas alternativas para financiar a educação. Em 1967, o ex- ministro da educação e naquele momento reitor da UFPR, Flavio Suplicy, tenta estabelecer uma taxa de anuidade aos estudantes ingressos na instituição a partir do vestibular daquele ano. O movimento estudantil, organizado por meio do DCE, UNE e dos diretórios acadêmicos, realizou uma ampla campanha contra a cobrança da anuidade entre os universitários e secundaristas. Para barrar a cobrança de taxa naquele ano, os estudantes usaram como instrumento uma brecha legal no regulamento de matrícula, que possibilitava ao estudante carente requerer isenção do pagamento. A mobilização dos alunos acabou adiando a iniciativa. Como grande parte dos estudantes entrou com um processo solicitando a isenção de taxa, foi impossível para a Universidade adotar a cobrança já em 1968. Aquela mobilização desencadeara uma manifestação de ocupação da Reitoria com cerca de 5 mil estudantes, com apoio de médicos, juízes, promotores para que não houvesse repressão policial.O processo terminou pacificamente, e dias depois, o Conselho Universitário extinguiu o pagamento de anuidade na UFPR.

Nós do Coletivo Quebrando Muros entendemos que devemos continuar com a luta daqueles que no passado arriscaram suas vidas por melhores condições dentro e fora da Universidade. Somente dessa forma podemos continuar a construir um movimento estudantil forte e combativo, abaixo e à esquerda!

ABAIXO O AUTORITARISMO!

ABAIXO A REPRESSÃO!

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