Boas Vindas Calourxs 2013!

Parabéns pela aprovação, calourxs UFPR!

Vocês estão entrando na mais antiga instituição brasileira de ensino com conceito de Universidade. Uma nova etapa da sua educação começa. Vocês vão se preparar para uma profissão, vão conhecer muitas coisas novas e interessantes, vão ter muitas experiências…

 …mas nem tudo são flores.

A universidade pública brasileira, ao contrário do que dizem, infelizmente não é para todos.

 Para chegar até aqui, vocês enfrentaram o vestibular, um processo de seleção extremamente excludente, uma vez que milhares de pessoas, ano após ano, são privadas de viver a universidade que vocês viverão. Tal fato se dá, entre outros motivos, devido a esta mesma universidade não possuir a capacidade de absorver todos que a procuram. Apenas 7,9% em (dados IBGE 2010) tem diploma universitário 17,2% (menos de um quinto dos jovens) da população brasileira na faixa etária entre 18 e 24 anos se encontra em universidades, sendo que destes somente 25,8 % em públicas. Isso quer dizer que somente 4% dos jovens brasileiros estão matriculados em instituições publicas de ensino, ou seja, a maioria paga pelo direito de estudar, ou ainda fica sem estudar.

Portanto, a universidade calouros é para poucos! Com o diploma de ensino superior, ela qualifica uma minoria para exercer os melhores postos de trabalho, enquanto a maioria que não tem a mesma oportunidade.

Este ano a entrada de vocês está acontecendo um pouco mais tarde. O motivo tem nome, ano e resultados: a greve que a UFPR e outras mais de 50 universidades federais construíram no ano 2012.

 

A UFPR E AS GREVES DE 2011 e 2012

 As greves de 2011 e 2012, na UFPR (e também em grande parte das UFs), foram processos de luta em consequência dos efeitos de um projeto chamado REUNI, que data de 2007. O REUNI , a “reforma universitária”, tinha por objetivo expandir a universidade pública brasileira. Até aí, sem problema algum; somos todos a favor da expansão da universidade pública, desde que esta seja feita com qualidade. O REUNI, ao contrário, seguindo metas das instituições internacionais de “fomento” (Banco Mundial e Fundo monetário internacional), buscando maiores números de aprovação e diplomação, priorizando “quantidade” em detrimento de “qualidade”, criou novos cursos e superlotou salas das universidades de alunos e não forneceu o aporte necessário: não aumentou significativamente o número de professores e servidores, não investiu o suficiente em estrutura física, não melhorou a assistência estudantil e as condições de permanência na universidade que foram demandadas. Salas abarrotadas, alunos, professores e servidores em péssimas condições de estudo e trabalho e amontoados em cubículos mal equipados.

 Frente a precarização do ensino, os estudantes se mobilizaram com os professores e servidores e, depois de muita pressão ao governo e à reitoria, conquistaram muito em sua luta, em termos de pautas e de organização política. A greve de 2011 conseguiu, por exemplo, o aumento no número e no valor das bolsas e a abertura do RU se segunda a segunda, com três refeições diárias; ambas conquistas imprescindíveis para a permanência do estudante na universidade. Em 2012, mais vitórias: a criação da creche para os filhos e filhas das mães e pais estudantes da UFPR, condições de acessibilidade nos campi, convênios entre universidade e rede de ensino público para melhorar as licenciaturas, entre inúmeras outras conquistas.

 A greve é um dos mais importantes e eficazes instrumentos de luta, calouros! Ela faz o movimento avançar conquistando benefícios, ela impede retrocessos que os governos tentam impor à universidade pública brasileira e ela fortalece a luta por uma educação pública, de qualidade e para todos!

O Trote

Mesmo antes de entrar na universidade é sabido de todos que existem “estágios”. Primeiramente, passamos no vestibular, depois fazemos a matrícula e então frequentamos às aulas. Porém, no meio disso existe o famoso ritual de passagem, chamado “trote”.

O momento do trote é um momento tradicional de interação entre veteranas/os e calouras/os. Espaço de brincadeiras, confraternização e diversão. Mas costumeiramente também é um momento propício à violências de todos os tipos, sejam elas psicológicas, verbais ou até mesmo físicas. São alvos principais dessas violências negras/os, mulheres, homo e transexuais, que são submetidas/os a “brincadeiras” e humilhações. Muitas calouras são coagidas a terem relações sexuais com veteranos, a fazerem gestos que remetem ao ato sexual, como lamber objetos fálicos em público, e a beberam além da conta, ficando vulneráveis a qualquer forma de violência. Calouras/os são pressionadas/os a participarem do trote recebendo ameaças de agressão ou de serem taxadas/os de “chatas/os” ou “caretas”, como também são proibidas/os de participarem do trote do ano seguinte.

Este “ritual” está entranhado na cultura acadêmica e representa uma iniciação dos mais novos a universidade, um lugar desconhecido onde passarão os anos seguintes. Este momento de integração entre os alunos já habituados (veteranos) e os calouros, deveria servir para apresentá-los a esse mundo novo, e ajudá-los em sua adaptação, e não usar de sua “ingenuidade” para coagi-los e intimidá-los com o “poder” de ser veterano, causando traumas, muitas vezes, irreversíveis.
O trote deve ser um espaço de diversão e integração para todas/os, calouras/os e veteranas/os, mas isso só acontecerá se não houver opressão de nenhum indivíduo, pois o oprimido não se diverte.


Você não é obrigada/o a se submeter a brincadeiras e situações humilhantes!
Caloura/o NÃO É PROPRIEDADE de veterana/o!

Grupo de Gênero do Coletivo Quebrando Muros

 

O MOVIMENTO ESTUDANTIL

Os estudantes, assim como professores e servidores, conhecem sua realidade e suas demandas. Percebemos que as reformas impostas pelos governos não melhoram a universidade. Por isso os estudantes se organizam, se movimentam e lutam em favor do direito a um ensino superior digno, através do movimento estudantil!

 Tanto as greves de 2011 e 2012 quanto as outras inúmeras que já ocorreram e as inúmeras que vão ocorrer (pois a luta continua até que tenhamos uma educação de qualidade), tiveram e terão a participação do movimento estudantil. Em 1968, não fosse estudantes organizados lutarem contra a privatização das universidades públicas brasileiras, hoje nós pagaríamos para estudar na UFPR.

 Nós, do Coletivo Quebrando Muros, somos estudantes organizados do movimento estudantil desde 2010, participando das lutas com nossos trabalhos e princípios políticos, buscando fazer um movimento democrático, de forma horizontal, pautando-se sempre no protagonismo estudantil e na ação direta dos estudantes. Encampamos as greves de 2011, 2012 e, principalmente, desde o inicio, estamos diariamente, lado a lado a estudantes como nós, fazendo movimento estudantil e obtendo conquistas para a melhoria da educação.

 

Coletivo Quebrando Muros: “onde há muros, há o que esconder”

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