[Terceirização ou Escravidão?]: Nº 3 – Descaso com a proteção individual e prevenção de acidentes

Nos boletins anteriores apresentamos a campanha “Terceirização ou Escravidão?”, relatamos os problemas dos trabalhadores com a periculosidade e insalubridade e os adicionais que eles não recebem, falamos sobre a história da terceirização no mundo, no Brasil e expusemos vários de seus problemas.

 Descaso com a proteção individual e prevenção de acidentes

Boa parte dos serviços prestados por funcionários terceirizados na UFPR envolve a utilização de produtos nocivos ou atividades que podem causar danos à saúde dos trabalhadores. Está claro que a saúde destes funcionários não é prioridade nem para a universidade nem para as empresas empregadoras. Isso se exemplifica no fato de que a única medida de proteção à saúde destes trabalhadores é o fornecimento de alguns dos equipamentos de proteção individual (EPI’s) importantes, mesmo quando todos os EPI’s, os EPC’s (Equipamentos de Proteção Coletiva), e os mapas de riscos necessários são garantidos por lei.

Outra medida para diminuir os riscos e prevenir acidentes, garantida por lei, não cumprida pelas empresas é a CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), já comentada no Boletim N°1 desta campanha. A CIPA deveria assegurar uma maior segurança no trabalho, de modo que os próprios trabalhadores devessem contribuir para a fiscalização e adequação de EPIs, EPC’s e mapas de riscos. Tão absurdo quanto é que grande parte dos trabalhadores sequer recebeu informações sobre a existência de eleições da CIPA, quem pode se candidatar e votar, quais são os candidatos, etc. Dessa forma, quando as empresas fazem eleições, essas mesmas são fraudadas, quem gostaria de se candidatar não se candidata, os empregadores escolhem os trabalhadores ‘cipeiros’, os votos são computados na empresa e por fim as reuniões mensais com todos trabalhadores não são convocadas e os problemas com segurança e prevenção de acidentes continuam.

Equipamentos de Proteção Individual, figurino que não protege.

Os funcionários da limpeza e da manutenção são os que mais sofrem com a negligência da UFPR e descaso das empresas empregadoras. As funcionárias da limpeza diariamente sofrem com a falta de equipamento adequado como luvas, botas, etc. ou com a má qualidade dos produtos oferecidos. Muitas vezes as botas fazem buracos e as próprias trabalhadoras são obrigadas a comprar novas; as luvas rasgam e elas têm duas escolhas: gastar seus salários com luvas ou então não usá-las e sofrerem com coceiras, feridas, mãos descascando ou até piores problemas.

Os trabalhadores da manutenção são obrigados a utilizar capacetes,“O EPI universal”, seja qual for sua função. Desta forma, encanadores, pintores, jardineiros, varredores, eletricistas não recebem todos os EPI’s necessários para o cumprimento de suas funções, mas são obrigados a usar capacetes mesmo quando não é necessário. Assim eles devem usar o capacete no mesmo espaço em que professores, estudantes e servidores não os utilizam.

Exemplos reais são casos como os de encanadores e pintores que precisam utilizar luvas, no entanto tais luvas são de péssima qualidade e rasgam rapidamente, obrigando mais uma vez que os próprios trabalhadores comprem o que deveria ser lhes dado de direito. Varredores que trabalham sob o sol quente não recebem protetor solar, óculos e roupa adequada, e estes sim deveriam ser os EPI’s corretos e necessários. Pintores muitas vezes reclamam da falta de máscaras, estando eles submetidos a tintas e outros produtos tóxicos rotineiramente. Operadores de máquinas não recebem protetores auriculares e chega-se ao limite de encanadores serem obrigados a cortar árvores (sim, encanadores cortando árvores!) a mais de 5 metros de altura sem receber sequer cintos de segurança.

As trabalhadoras e os trabalhadores terceirizados são oprimidos pelo sistema de tal forma que precisam se submeter a exercer funções desgastantes e precárias como essas, em condições ainda mais indignas. Deste modo faz-se fundamental nós, enquanto Comunidade Acadêmica, lutarmos juntos com eles para transformarmos essa realidade revoltante.

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