Liberdade: ação individualista ou construção coletiva? Esclarecimentos sobre nossa tendência política

“A transformação desta sociedade deve basear-se no protagonismo [dos movimentos sociais], ou seja, no protagonismo do povo organizado, o que diferencia esta estratégia de outras que concebem a transformação feita pelo partido de vanguarda, ou pela ação de minorias descoladas da base (como no caso do insurreicionalismo da “propaganda pelo fato” ou do foquismo, por exemplo).” –Felipe Correa, “O Agrupamento de Tendência”

Ontem (17/06), na marcha de luta contra o aumento da tarifa do transporte, ocorreram algumas confusões por conta de atitudes irresponsáveis de indivíduos ou grupos pouco organizados, que geraram grandes riscos para o movimento, tais como: perseguição aos trabalhadores do transporte, empurrões nas pessoas que estavam montando os cordões de isolamento nos semáforos para que o ato seguisse em segurança, destruição impensada etc. Estas atitudes, por sua vez, costumam ser logo classificadas pelo senso comum como “atos anarquistas”. O senso comum também associa o Coletivo Quebrando Muros ao anarquismo e, numa análise rasa, termina por concluir que estamos envolvidos neste tipo de ação. Diante disso, consideramos importante cumprir alguns esclarecimentos:

Primeiramente, é importante frisar que nós, do Coletivo Quebrando Muros, não somos especificamente anarquistas. Nossa organização é de tendência socialista libertária e, embora também congregue anarquistas e militantes que se identificam com o anarquismo, também admite espaço para pessoas que não se vinculam a uma ideologia específica, mas que possuem acordo programático com nossa forma de atuar e com nossos princípios: solidariedade de classe, autogestão, federalismo e ação direta.

Dito isto, por sermos um coletivo que visa à construção do socialismo libertário, repudiamos qualquer tipo de ação individualista que possa vir a prejudicar o movimento. Não somos contrários às radicalizações e inclusive defendemos a necessidade de um enfrentamento violento contra o Estado. Porém, este enfrentamento não se dá pela consciência descolada de determinados indivíduos, mas sim em conjunto com a base, respeitando sempre a autonomia do movimento. Para nós do Quebrando Muros, partir para ações impensadas que não contam com apoio da base social do movimento, não é agir de acordo com uma proposta libertária. Pelo contrário: permitir que a liberdade do indivíduo passe por cima da liberdade determinada pelo coletivo é um ato de autoritarismo ferrenho.

Portanto, entendemos que qualquer atuação, qualquer construção e organização dos movimentos sociais, devem ser sempre discutidas junto com a base e executada pela base, sem que os sujeitos se pautem pelos seus desejos individuais de fazerem o que quiserem ou tiverem vontade, apenas por conta de suas vaidades egoístas. A construção de um projeto de sociedade verdadeiramente libertário, e socialista, exige uma nova forma de pensamento, muito diferente da ideologia desagregadora, competitiva e individualista do capital: exige que pensemos em ação coletiva, responsabilidade coletiva, objetivo coletivo. Exige que estejamos organizados e unidos em torno de um objetivo em comum, pois só com a organização coletiva poderemos combater o nosso inimigo. Afinal de contas, sem socialismo não há liberdade, e sem liberdade não há socialismo.

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