[OP-RJ]Povo na luta é povo que transforma!!

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A atual conjuntura consiste em um quadro perverso do Capitalismo, pois este coloca no centro de tudo os interesses privados – sobretudo o lucro empresarial. Isto acaba gerando uma estrutura socioeconômica desigual, dificultando para muitos o acesso à alimentação, moradia, saneamento básico, trabalho, saúde etc. Neste cenário, convivem diversas lutas em que indivíduos e grupos reivindicam tais direitos básicos que lhes são negados pela sociedade. Uma destas lutas é a que constrói o Fórum de Lutas contra o Aumento: por um transporte público, gratuito e de qualidade.

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Por esta origem comum, a questão dos transportes e outras demandas dos movimentos sociais se relacionam entre si. Defendemos, a partir disto, que haja uma aproximação entre o Fórum Contra o Aumento das Passagens e outros movimentos sociais/populares. Esta união entre os movimentos sociais é central para construção do PODER POPULAR.

Só a partir da organização e luta popular que conseguiremos alcançar mudanças de fato – como vimos recentemente na redução dos 20 centavos. Até em cidades governadas por partidos de esquerda, a passagem só baixou mesmo após o povo ir pra rua massivamente e pressionar os políticos (como Macapá, governada pelo PSOL). É preciso fazer uma política desde baixo por todas e todos que sentem diariamente as dores de se viver numa realidade de injustiça, dominação, miséria e discriminação. Mas, diante de tantas demandas como são as dos movimentos sociais, que reivindicações trazer para o Fórum de Lutas Contra o Aumento das Passagens?

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Com relação à questão da moradia, a especulação imobiliária é um dos grandes vilões dos/as trabalhadores/as no Rio de Janeiro. O governo, financiado pela máfia da construção civil e outros grupos dominantes, violam a função social do solo urbano a partir dos despejos e remoções de famílias sem-teto e aumento dos aluguéis. Isso faz com que as empreiteiras tenham livre acesso ao uso do solo urbano para alimentarem seus lucros exorbitantes, gerando um déficit habitacional brasileiro de cerca de 40 milhões de sem-teto pelo país.

Na área da saúde, ao longo dos 20 anos de criação do SUS (Sistema Único de Saúde), sucessivos cortes de investimento do setor têm sido feitos. Isto se reflete na péssima qualidade da saúde pública – filas intermináveis de hospitais, casos de pessoas mortas esperando por exames, falta de medicamentos básicos –, que já é bem conhecida de todos nós.

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O povo, quando se organiza e luta pelos seus direitos, acaba esbarrando na repressão que tem sido cada vez mais forte contra os protestos e os movimentos sociais. A questão social tem sido tratada, comumente, como caso de polícia. Isto se agrava quando levamos em conta a organização das Olimpíadas e da Copa do Mundo. Junto a estes dois eventos, vemos um aumento significativo da repressão policial, da privatização de espaços públicos (Maracanã) e de uma “limpeza” da cidade (ocupações e populações de rua), a partir de uma reforma urbana que só privilegia as classes dominantes.

Nas manifestações contra o aumento das passagens, repressão e truculência policial foram visíveis, na medida em que o único diálogo do governo com o povo foi o das bombas de gás lacrimogêneo.

Também é importante a diferença da atuação da polícia no asfalto e na favela. Nesta última, não são usadas apenas armas não-letais, sendo o extermínio da população da comunidade muito comum nas operações policiais. Vemos isso desde sempre e, mais recentemente, nas ocupações militares para implantação das UPPs e na operação da Maré que deixou 13 mortos. Já são mais de 10 mil mortos em uma década! É esta a lógica de atuação da polícia militar do Rio, a polícia que mais mata no mundo. A polícia que reprime no asfalto é a mesma que mata na favela!!

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Para alteração deste quadro social, as bandeiras de luta estão colocadas e sugerimos a aproximação do fórum com estas lutas:

Pela moradia gratuita e de qualidade para todas as trabalhadoras e trabalhadores;
Contra os despejos e remoções das ocupações sem-teto, comunidades indígenas, quilombolas e favelas;
Pelo direito de posse no campo e na cidade e fim dos títulos de propriedade;
Por um sistema de saúde para o povo, com qualidade e gratuidade garantidas e um sistema de transporte público com tarifa zero sem aliviar/subsidiar os empresários;
Pela democracia direta nos espaços políticos de decisão;
Contra a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais;

Libertação imediata dos presos políticos das manifestações;
Pelo Fim da Polícia Militar;
Pelo fim do uso de venenos (agrotóxicos) e transgênicos no campo;
Fim das privatizações e leilões do petróleo.

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Na nossa luta, a despeito dos avanços que conseguimos, a resposta que o governo tem dado para o povo, na maior parte das vezes, é a violência. O Estado vândalo e violento tem tentado apagar nossas reivindicações, mas nós não nos calaremos! Não é através dele que virá a mudança, mas só a partir do povo nas ruas que poderemos trazer transformações efetivas, pois o governo – que elege seus políticos mentirosos e corruptos a partir de uma aliança com a classe empresarial – só poderá agravar a condição de miséria do povo, beneficiando a iniciativa privada que monopoliza e precariza os diferentes setores.

Precisamos construir o Poder Popular dando voz a quem não é deixado falar!! Para isto, organização e luta! As manifestações que têm ocorrido são de extrema importância para que consigamos as transformações que almejamos, mas também de suma importância é o trabalho de base! Este consiste na agitação e propaganda da nossa luta, assim como a participação nas assembleias de organização dos atos e discussão da linha política do movimento! Precisamos fazer frente à grande mídia, que procura orientar as ações dos manifestantes, inventando nossas bandeiras de luta e justificando a truculência policial. Com a nossa união e organização podemos ter voz e força na sociedade para colocar nossas reais demandas, e não as inventadas pela mídia de massas.

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Mas quais as vias de luta para efetivas mudanças? Como construir um Povo Forte que dê voz a todas/os as/os oprimidas/os que queiram se juntar à luta?

Devemos trazer estas questões para o nosso Fórum de Luta Contra o Aumento das Passagens. A finalidade de construir um povo forte não pode estar deslocada dos nossos meios para obtê-la. A organização pela base – que ouça todas as vozes dos que estão na luta – deve ser prioridade nos nossos métodos organizativos. Só a união de todas as cabeças que fazem parte do movimento social numa luta comum que trará nosso almejado Poder Popular. Neste sentido, a política do Fórum deve ser feita de forma horizontal, dando voz e voto para todos os que queiram participar. Mas como obter isto?

Para uma política horizontalizada, é de fundamental importância a organização por núcleos de base, seguindo o princípio da democracia direta. Ao invés de uma plenária com milhares de pessoas, que nada tem de funcional, seria mais coerente voltarmos para nossos locais de origem, onde poderemos puxar reuniões e assembleias locais para discutir a política e os rumos do movimento. Dessa assembleia local, elege-se um delegado revogável (pode ser tirado a qualquer momento) para levar as decisões do coletivo local à assembléia maior do Fórum (a plenária que temos feito atualmente), englobando todos os núcleos. O delegado é controlado pela base, não é um burocrata nem um representante que tira as políticas da sua cabeça. Após, volta-se com as discussões da assembléia maior para as locais, onde novamente são discutidos os rumos do movimento nas instâncias regionais e novamente eleito um delegado (não necessariamente o mesmo anterior) para levar as decisões do coletivo local à assembleia maior.

OP_na_luta_parawebTal método visa centrar o diálogo nas particularidades de cada grupo. Ouvir todas as partes que estão envolvidas na luta e, assim, construir o Poder Popular pela base. Portanto, organize-se com os integrantes de seu bairro, centro acadêmico, sindicato, associação de moradores, etc. A partir disto, leve, através de um delegado, as decisões do coletivo local para a Assembleia Maior, onde serão discutidas as questões a partir das decisões locais.

Só com as decisões horizontalizadas que poderemos construir o Poder Popular e alcançar as mudanças que queremos! Vamos deixar claro aos poderosos que continuamos lutando!

TODAS/OS À LUTA! PELA CONSTRUÇÃO DO PODER POPULAR!!

ORGANIZAÇÃO POPULAR (Tendência combativa e autônoma) organizacaopopular@gmail.com

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