Os estudantes da FAP contra a negligência do Estado

A Faculdade de Artes do Paraná sofre com o sucateamento das suas condições de trabalho e ensino. Essa é um prática política generalizada de desvalorização da educação no Brasil, principalmente a cursos em que a produção acadêmica não traz o retorno financeiro desejado pelo Estado. Por exemplo:os cursos de ciências humanas e artes.

Na FAP os projetos são limitados pela falta de infraestrutura e organização administrativa. Algumas disciplinas obrigatórias não estão sendo ministradas por falta de professores. O quadro regular de docentes é sobrecarregado com disciplinas, alguns passam a lecionar sem total domínio do conteúdo. Reservas de equipamentos são perdidas, pagamentos das poucas bolsas de pesquisa e extensão atrasam e documentos protocolados demoram demais para chegar ao seus destinos.

Não há assistência estudantil! Sem restaurante universitário, moradia estudantil ou bolsas, muitos estudantes acabam se vendo obrigados a trabalhar, gerando altos níveis de evasão, observáveis ao se comparar o pequeno número de alunos que se formam por ano em relação ao número de vagas. A dificuldade de inserção no mercado de trabalho é enorme aos estudantes de artes, o que torna ainda mais urgente a necessidade de políticas de apoio à permanência na universidade.

O Movimento Estudantil na FAP enfrenta uma série de dificuldades. A repressão sistemática dos estudantes mobilizados, a proibição de empréstimos de equipamentos em dias de atos e/ou assembleias são alguns exemplos das táticas mais infames de desmobilização de nossa prática política. Os Centros Acadêmicos não possuem espaços próprios para reuniões e a reserva de salas é negada ao Movimento Estudantil. Estamos juntos na construção do Diretório Acadêmico, mas entendendo que a Luta para além das instâncias burocráticas é prioridade para conquistarmos nossas pautas.

Desde o começo do ano, houveram mobilizações e discussões sobre as demandas estudantis. De todos os problemas levantados, três pautas foram elencadas como prioritárias: Um: Mais professores. Dois: Assistência Estudantil. Três:Sede para os Centros Acadêmicos. No dia 23 de outubro a FAP parou entorno destas exigências. Durante o dia todo houveram atividades e discussões com os estudantes. Foi entregue uma carta com as reivindicações à administração da faculdade, chegando às mãos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior. As três pautas foram negadas alegando escassez orçamentária e, além disso, a única resposta concreta foi de que não haverá expansão no corpo docente no ensino superior do Estado do Paraná.

O descaso do Estado com o ensino superior submete a educação à lógica do mercado. Desse ponto de vista, as artes, por atuarem na dimensão do simbólico, não são nem de longe prioritárias. Portanto, precisamos intensificar a Luta! Os estudantes, assim como professores e demais trabalhadores, precisam se organizar a partir das demandas de sua realidade cotidiana. É importante fortalecer os CAs, instituir um DA, e a construção de sindicatos de base pelos docentes e agentes universitários. Só com muita pressão os burocratas cederão às nossas exigências.

O Coletivo Quebrando Muros compõe essa Luta junto com os estudantes da Faculdade de Artes do Paraná. Acreditamos na força da organização do Movimento Estudantil em suas bases. Desta forma conseguiremos direcionar nossa prática política contra o descaso e intransigência do Estado para com seus estudantes e profissionais da Ensino Superior. À Luta, companheirxs!

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1 comentário

  1. Muito bom saber da mobilização de estudantes que já compõem a faculdade. Fico um pouco irritado em saber que há tanto a se fazer para que as condições de vida, moradia, alimentação e etc. sejam levadas a sério. Estarei participando, no ano letivo de 2014, do quadro de estudantes da Faculdade de Artes do Paraná no curso de graduação de Bacharelado em Música Popular. Estou ansioso em querer articular-me também com os alunos desta instituição. Aproximei-me do Coletivo Quebrando Muros nesse ano de 2013, participando de reuniões, palestras, debates e estudos. Foi tudo muito bom. Aprendi muito e pretendo continuar aprendendo. Hoje, me vejo como um participante político com cada vez mais sede de mudança, transformação e melhorias de condições sociais, econômicas, culturais, administrativas, artísticas, etc. Provavelmente irei morar em Curitiba no ano que vem e quero viver dignamente, trabalhando na área de conhecimento que tenho interesse. Quero aprimorar-me, desenvolver-me, lapidar-me como artista e agente cultural, assim como tantos outros estudantes que lutam por seus sonhos e ideais.

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