Mês: janeiro 2014

Nota de Solidariedade do Quebrando Muros aos estudantes de Jornalismo

Esta nota abaixo foi publicada no dia 28 de fevereiro pelo Centro Acadêmico de Comunicação da UFPR, data que estava prevista para as matrículas dos cursos de Comunicação Social.

“Um dia antes de dar entrada nos trâmites burocráticos e na matrícula na universidade, os aprovados para o curso de Comunicação Social – Jornalismo na UFPR receberam a notícia de que suas respectivas matrículas não seriam efetuadas. Avisados, ironicamente, por veículos de comunicação e não pelo próprio ministério, calouros se vêem sem perspectivas: as aulas em instituições de ensino particulares já estão para começar, a maioria com matrículas encerradas, e não há curso semelhante em universidade pública em Curitiba. Sem falar dos que não dispõem de recursos para mais um ano de estudos, tampouco de tempo a perder para esperar mais um ano por uma tentativa que lhes já havia sido garantida.

O grande problema reside em que o curso de Jornalismo, na realidade, não existe de si para si: ele faz parte de uma tríade da Comunicação Social — em suas habilitações Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Relações Públicas. Dado tal ponto, por que o restante das habilitações, partilhando muitas vezes de professores em comum, mesma coordenação, mesmo departamento, mesmo campus, mesmos equipamentos, não tiveram suas matrículas canceladas pelo Ministério? O sentimento de revolta e de tristeza que o cancelamento deixou nos alunos de Comunicação Social e nos novos calouros ajuda a explicar o problema: a atitude do MEC é uma represália aos estudantes pelo que eles fizeram, anos atrás, tentando chamar atenção aos problemas do curso, boicotando o Enade — prova aplicada pelo ministério para “avaliação” dos cursos de ensino superior.

Obviamente o MEC não consegue diferir o esquerdo do direito, tampouco o direito do errado. Como pode uma habilitação que tem os mesmos elementos de outras e até mais professores; que forma bons profissionais, renomados e atuantes no mercado; que forma pesquisadores; que, de fato, é uma das mais concorridas da UFPR; e que conta com um corpo discente repleto de ótimos alunos ser cancelado enquanto seus semelhantes não sofrem alteração alguma? Como as habilitações de Publicidade e Propaganda e de Jornalismo recebem notas diferentes pelos seus respectivos colegiados se é o colegiado é mesmo para ambas? A resposta está dada.

Há sim uma série de problemas no curso, essencialmente técnicos e burocráticos. E foi esse o objetivo dos alunos ao chamar a atenção ao problema quando do boicote do Enade. Fechando os olhos para as reivindicações dos alunos, o MEC mostra a sua cara de educador: não o que ouve e entende o aluno, mas aquele que bate com a palmatória. A punição se mostra a cara do ministério, como um exemplo dado para que a história não se repita.

Mas nós, alunos, discentes, Centro Acadêmico de Comunicação Social não concordamos com isso. Não estívemos parados durante esse tempo, mas em reunião com professores, em conversas com futuros calouros, com a gestão, tentando de diversas maneiras achar uma solução para o problema que vem dando a cara desde o fim do último ano. Pedimos aos futuros calouros que não percam suas esperanças e mantenham seus esforços. Vocês passaram por um processo seletivo com edital e regras, cumpriram o protocolo e agora são impedidos de ocupar a vaga na instituição.

O cancelamento do curso e a anulação do concurso foram feitos após as provas, as inscrições e, agora, após o resultado. Pedimos que entrem com processos, que busquem as suas vagas na UFPR, que recorram à justiça. Pedimos apoio à universidade, aos outros estudantes, CA’s (CAAV UFPR, CADI – UFPR e etc), partidos, coletivos e também ao DCE UFPR, como representante dos alunos. Nós também continuaremos fazendo o que pudermos, articulando com professores e universidade, buscando uma solução para o problema. Não viraremos a outra face. Morderemos a mão que nos rouba. Não é uma ameaça, é uma promessa.”

O Coletivo Quebrando Muros presta solidariedade e apoio à Luta do CACOS e ingressos do curso de Jornalismo. Estes estudantes que se esforçaram durante um ano ou mais para poderem ingressar numa Universidade Pública, que pagaram sua inscrição e sofreram com a pressão do ano de vestibular, não são os responsáveis pela falta de estrutura do curso de Jornalismo, muito menos os estudantes de Comunicação Social, que se utilizaram do boicote ao ENADE exatamente para denunciar a pouca estrutura de seu curso, ao contrário do que a Reitoria vem a afirmar em nota publicada no dia 6 de dezembro do ano passado : “[…]A professora Maria Amélia Sabbag Zainko, Pró-Reitora de Graduação da UFPR, informa que as vagas para o vestibular não estão ameaçadas. Ela acrescenta que os cursos não têm problemas estruturais, de espaço, equipamentos ou corpo docente. As baixas notas no Enade são decorrência do boicote dos estudantes, que questionam a validade do exame e entregaram, na maioria, as provas em branco.” (http://www.ufpr.br/portalufpr/noticias/nota-de-esclarecimento-sobre-o-enade/).

Somos totalmente contrários à forma de avaliação mercadológica adotada pelo SINAES- Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior, que coloca sobre o ENADE todo o peso da avaliação das Universidades, e que em função deste, os cursos que deveriam receber maior apoio do Governo são cada vez mais empurrados ao sucateamento pela “falta de pontuação”. Então quando estudantes e professores decidem reivindicar suas pautas diante do MEC, ao invés de buscarem melhorar as condições de ensino, decidem por cancelar o ano letivo do curso.

Exigimos que a Reitoria venha a garantir a entrada destes novos aluno e que as condições do curso de Jornalismo sejam melhoradas. Enquanto uma força do Movimento Estudantil, combatemos estes programas de avaliação e ensino que venham a sucatear tanto Universidades Públicas quanto Particulares. Estamos ao lado de quem realmente sofre com o descaso do Governo à Educação brasileira. É necessário que nós, estudantes, nos organizemos para combater esta lógica neo desenvolvimentista da Educação.

Não está morto quem peleia!

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A revolução será transfeminista, ou não será! – Dia da Visibilidade Trans*

Hoje, dia 29 de janeiro, é o Dia Nacional da Visibilidade Trans*. Só em 2013, 121 pessoas Trans* foram assassinadas no Brasil (que se teve notícia).  O ano mal começou e uma mulher trans* foi impedida de utilizar o banheiro feminino do local de trabalho em Salvador, e mais pessoas trans* já foram assassinadas por todo canto do Brasil.

Hoje, o Coletivo Quebrando Muros deseja colocar não apenas suas solidariedade e apoio às pessoas Trans*, mas como também apontar a necessidade de uma revolução social que tenha como base o feminismo intersecional – abarcando as questões de classe, de gênero, de sexualidade e de raça.

Sabemos que ainda hoje existe no feminismo, no movimento gay e também em outros espaços da esquerda, transfobia descarada que não só humilha e agride pessoas trans*, mas como as impede de lutar lado-a-lado conosco pelas mudanças sociais. Os espaços da esquerda ainda são em sua maioria masculinos, brancos e cissexistas, o que é uma incoerência óbvia uma vez que estes são os espaços que se propõem a lutar por uma transformação que traga equidade nas relações sociais para todas as pessoas. E enquanto as pessoas cis, os homens, as pessoas hetero e as pessoas brancas se calarem diante dessas opressões, não reverem seus privilégios e não se proporem a construir um espaço que não só permita, mas que dê voz à todas as pessoas oprimidas, isso não vai mudar.

Somos um coletivo classista libertário, e acreditamos na revolução a partir da construção de um povo forte. E enquanto pessoas libertárias, sabemos que não temos o direito nem devemos deixar que categorias oprimidas sejam excluídas da construção desse povo forte.

Sendo assim, viemos demonstrar toda a solidariedade ao movimento transfeminista, pois acreditamos que através da organização das pessoas oprimidas, as mudanças acontecem. A revolução será transfeminista, ou não será!

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Repúdio a agressão física de militante do PSOL contra militante do Quebrando Muros: Irresponsabilidade pode ter um alto preço para os revolucionários.

No último sábado 25 de janeiro, foi realizado em Curitiba o primeiro Ato Contra a Copa do Mundo que reuniu militantes de movimentos sociais, organizações políticas e sindicatos, que saíram em marcha em direção a prefeitura contra os gastos e abusos da Copa, e também em repúdio ao já anunciado aumento da tarifa do ônibus. Logo no início do ato o militante Renato Almeida do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), coordenava as falas quando um militante do PSTU pediu o megafone para puxar uma palavra de ordem. Renato negou o megafone alegando que ele poderia fazer a fala em outro momento, e teve a sua postura questionada por um militante do Quebrando Muros, que acertadamente afirmou que assim ele estaria tomando posse das falas, caçando a palavra de outras organizações, em um ato que contava com pouca ou nenhuma coordenação. Renato (PSOL) ficou surpreendentemente alterado e acertou um soco no rosto do militante do Quebrando Muros. Uma agressão como esta poderia ter descambado no fim do ato, mas dada a política de nosso coletivo de não comprometer o movimento social por conta de ações individuais, nosso militante não reagiu. Esta atitude lamentável, porém, não pode passar batida e as implicações de atos deste tipo devem estar bem claras para todo participante de movimento social ou organização política, principalmente aos que se propõem a construir uma sociedade justa que supere a barbárie de nossos dias.

Renato é um dos referenciais do PSOL em movimentos sociais, e não deveria agir de forma irracional, podendo comprometer o ato como um todo. A falta de lucidez de Renato era tal que nem percebeu que o militante do Quebrando Muros em questão é um dos envolvidos na luta popular e comunitária que participou do mutirão de limpeza para o sarau puxado pelo Núcleo Periférico do PSOL, movimento do qual Renato é um dos organizadores. Após o vergonhoso ocorrido e de cabeça mais fria, ele procurou nosso militante para se desculpar, usando a infeliz justificativa de que imaginava que ele fosse um militante do PSTU, e ainda que não acatasse esse tosco argumento, o militante do Quebrando Muros ironizou: “Carpi para ajudar no Sarau até fazer calos nas mãos, e a retribuição é um soco na cara…”

A irresponsabilidade tem um alto preço para os revolucionários: ao invés de nos organizarmos cada vez mais, aprofundarmos nossos debates e reflexões teóricas – incluso aí a saudável e necessária divergência em um momento de reorganização dos movimentos sociais – e construir a solidariedade de classe na luta prática, perdemos nosso tempo com atitudes destrutivas, individualistas e inconsequentes. Nós não somos contra o uso da violência.  Somos a favor dela como um instrumento do povo e da esquerda contra os seus inimigos (governos e patrões) e não para ser usada contra os seus próprios pares, de maneira arbitrária e desnecessária. Além disso, discernimento e sangue frio são características que não podem faltar aos que se colocam para organizar movimentos sociais e ser referência para os que nele se somam.

                Por fim, somos irredutíveis quanto a nossa solidariedade de classe, mas não podemos esquecer que o problema foi causado por alguém que ocupa um papel relevante em uma organização de esquerda. Nós do Coletivo Quebrando Muros, pedimos uma atitude responsiva do PSOL frente ao descontrole e a imaturidade de seu militante, além de uma retratação pública, não pela rusga causada, mas porque neste ano teremos muitas mobilizações e muito trabalho a ser feito na luta contra a Copa, contra o aumento da tarifa e tantas outras lutas, que não podem de forma alguma ser postas em risco por atitudes imaturas e precipitadas.


 

20 anos do Levante Zapatista!

No dia primeiro de Janeiro de 1994 era implantado o NAFTA (Tratatado Norte-Americano de Livre Comércio). Com a justificativa de “ganhar competitividade no mercado internacional”, aprovaram-se diversas medidas vantajosas para a agroindústria americana e desvantajosas para os agricultores mexicanos, além de expandir políticas neoliberais de redução dos direitos trabalhistas. Além disso, foi cancelado o artigo da constituição mexicana que proibia a venda das terras nativas dos indígenas. Nas palavras dos zapatistas, foi assinada uma “sentença de morte para os pobres mexicanos”. 

Nesse contexto, o EZLN – Ejército Zapatista de Liberación Nacional – no mesmo dia em que o NAFTA foi implantado, levantou-se em armas contra o governo mexicano. Após a luta armada, que terminou com um cessar-fogo (em grande parte não respeitado pelo governo), os indigenas mexicanos passaram a organizar-se em comunidades autônomas, governadas de baixo para cima. Posteriormente, decidiu-se que o exército deveria ser subalterno à vontade do povo.

20 anos se passaram desde o levante, e os indígenas continuam se organizando e lutando por trabalho, terra, teto, alimentação, saúde, educação, independência, liberdade, democracia e paz!

Confira o ultimo comunicado lançado pelos EZLN:

http://enlacezapatista.ezln.org.mx/2013/12/22/rebobinar-2-de-la-muerte-y-otras-coartadas/