Mês: maio 2014

Repressão na UEM: Lutar não é crime!

A Reitoria da Universidade Estadual de Maringá, em conjunto com a Prefeitura de Maringá e a PM, vem desencadeando um processo intensificado de repressão aos estudantes da UEM e em específico a seu movimento estudantil. Este ciclo de repressão tem uma história longa, se iniciando em 2008 quando a Prefeitura Municipal, à serviço dos empresários que lucram com a especulação imobiliária, proibiu a venda de bebidas alcoólicas no entorno da UEM durante os vestibulares da universidade. A Prefeitura de Maringá incluiu essa medida para todos os dias do ano, em um raio de 150m da universidade as pessoas não podem consumir bebida alcoólica dentro dos bares. Pouco a pouco, a maioria dos bares em torno da universidade foi fechada. Logo a PM passou a reprimir as festas organizadas nas repúblicas do Jardim Universitário, multando os estudantes e se utilizando da violência contra estes com freqüência. Sem ter mais um lugar seguro para confraternizar, o movimento estudantil da UEM começou a organizar saraus dentro do campus, onde não só os estudantes, mas também os moradores das periferias de Maringá encontraram o único lugar na cidade onde tinham acesso às atividades culturais gratuitas. Foram realizados diversos saraus dentro do campus no período de 2008 a 2013, e estes serviram de palco para que artistas locais pudessem expor sua arte para um público sem o poder aquisitivo para freqüentar os bares e baladas elitizados de Maringá. Em 2011 a Reitoria da UEM foi ocupada durante oito dias pelo movimento estudantil da universidade, que no momento reivindicava, entre várias pautas, melhorias no Restaurante Universitário, a construção da Casa do Estudante e de uma concha acústica dentro do campus para a realização de atividades culturais. Estas reivindicações foram todas prometidas pela Reitoria e pelo Governo Estadual, porém nenhuma delas foi cumprida. Logo depois da ocupação da Reitoria, o Reitor da UEM, Júlio Santiago Prates Jr., como represália, iniciou um processo ainda mais acentuado de repressão ao movimento estudantil. Entre os estudantes que ocuparam a Reitoria, oito tiveram que responder para a Polícia Federal, e vários bolsistas perderam suas bolsas. Em 2012 testemunhamos o aumento da presença da PM dentro do campus de Maringá, e no ano seguinte esta repressão chegou ao seu auge, derramando o sangue de estudantes da universidade.

Em 2013 a PM passou a entrar no campus para reprimir todos aqueles que organizaram e freqüentaram os saraus. Simultânea à ação da PM, os vigias da UEM, à mando da Reitoria, começaram à ameaçar e intimidar os estudantes. Ouve até o absurdo, não visto desde a época da ditadura, de um vigia ameaçar alunos com um pedaço de madeira em que estava escrito “direitos humanos”. Frente a este aumento da repressão da PM e da Reitoria, na noite de cinco de setembro de 2013 o movimento estudantil realizou uma reunião na frente do DCE para discutir o aumento da repressão e o direito a realizar atividades culturais dentro do campus.  Os estudantes foram surpreendidos por um grupo de vários vigias da UEM – grande parte deles sem a identificação obrigatória – e quando se negaram a sair do campus, foram violentamente agredidos pelos vigias. Entre vários alunos agredidos, um aluno teve seu nariz quebrado e uma aluna foi atingida brutalmente com uma pedra no rosto, tendo que levar vários pontos na face. Segue um vídeo produzido pelos alunos que expressa essa noite trágica: http://www.youtube.com/watch?v=x4bh44A28_k

A atual gestão da reitoria da Universidade Estadual de Maringá é mais do que conivente com essa ação contra os estudantes. A Reitoria é responsável por essa violência. 

Seis dos alunos que apanharam dos vigilantes estão sendo submetidos a um processo de sindicância e processados pela universidade por desacato, desobediência e resistência. Esses alunos estão impedidos de colar grau até o final do processo administrativo e correm o risco de expulsão da universidade! É absurdo que os próprios estudantes que foram vítimas da violência cometida pelos vigilantes da UEM agora estejam sendo perseguidos administrativamente pela universidade.

O direito ao campus está profundamente ligado a proposta da universidade em ser composta por ensino, pesquisa e extensão. A universidade pública não deve servir apenas àqueles que tiveram condições de passar pelo funil do vestibular, ela deve servir a toda a sociedade e cumprir um papel de inclusão social. Numa cidade elitista e excludente como Maringá, onde a maioria da população não tem acesso à cultura, as atividades culturais organizadas pelo movimento estudantil dentro do campus da UEM, hoje proibidas pela reitoria, cumpriam um papel de inclusão social e promoviam o contato do movimento estudantil com a comunidade externa à universidade.

Pedimos o fim da proibição de atividades culturais dentro do campus, o fim da repressão ao movimento estudantil da UEM, o cancelamento dos processos contra os estudantes que foram agredidos e a punição dos agressores.

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Lutar não é crime!

Protestar não é crime!

Arriba lxs que luchan!

Greve na UFPR: Reitoria fecha as portas na cara dos estudantes e técnicos!

Hoje ocorreu um ato unificado de estudantes e servidores, com cerca de 150 pessoas, para entregar as pautas tiradas nas assembleias das categorias para a Reitoria! Quando chegamos à porta do prédio da Reitoria, demos de cara com as portas fechadas por ordem da pró-reitora que parecia ser a única presente. Decidimos esperar – e fazer muito barulho – até que fossemos atendidos para protocolar nossas pautas e marcar uma reunião de negociação, tanto com servidores quanto com estudantes. A espera e o barulho insistente deram resultado: os pró-reitores resolveram nos receber no prédio D. Pedro II, para protocolar as pautas, com a promessa de que em 24 horas teremos uma resposta e uma data para a reunião de negociação!

Isso não nos surpreende. É a postura que a Reitoria vem utilizando com os servidores há muitos anos, a postura que sempre podemos esperar do Estado para com a classe trabalhadora. Se não tivéssemos insistido na nossa pressão, seríamos mandados embora sem sequer sermos ouvidos!

Isso nos lembra também a greve de 2012, e como corriam as negociações. Muita conversa sem resultado. A Reitoria simplesmente nos enrolava, negociação após negociação, dizendo que nenhuma de nossas pautas podia ser atendida. As negociações só mudaram depois da ocupação da Reitoria, e se conquistamos alguma coisa, foi graças à ação direta do movimento!

O ato de hoje foi muito importante: nos colocamos lado a lado com os servidores, na prática, e mostramos o apoio dos estudantes. Além disso, encaminhar as pautas e marcar a reunião de negociação é um primeiro passo importante, mas devemos ter claro que a luta não acaba aí!

 

Continuaremos lutando, ao lado dos servidores, em defesa da universidade pública e de qualidade!

 

                        Imagem

Ocupa CAZÉ!

Na tarde do dia 30 de abril de 2014, xs estudantes de Cinema e Vídeo da Faculdade de Artes do Paraná iniciaram a ocupação do antigo prédio administrativo do curso, abandonado há mais de três anos, localizado na unidade de Cinema, em Pinhais. A ocupação tem como objetivo tornar aquele prédio a sede do CAZÉ (Centro Acadêmico Zé do Caixão), proporcionando um espaço não apenas de atividades do CA, mas um local de apoio para as diversas necessidades dxs estudantes.

Enquanto as solicitações de reserva de salas para reuniões dos centros acadêmicos são simplesmente ignoradas, ou os protocolos pedindo cessão de uso das casas abandonadas no Parque Newton Freire Maia são perdidos e não respondidos, a FAP corre o risco de perder os imóveis da unidade de Cinema por conta de seu abandono e subutilização.

A ocupação significa um BASTA! Xs estudantes cansaram de esperar a resposta de protocolos, ofícios e reuniões que são simplesmente sabotadas pelos burocratas da Faculdade e do estado do Paraná. Há anos a via burocrática vem sendo usada, sem obter resultados satisfatórios. Xs estudantes cansaram de esperar pelo milagre e decidiram pela AÇÃO DIRETA, fazendo por suas próprias mãos.

Que a ocupação da sede do CAZÉ seja um novo fôlego para o movimento estudantil da FAP!

Contra a burocracia universitária e pela Ação Direta!

 

Imagem

A minha mão prá obra

Ao cabo de meu braço, a pá.
Ao alto de meu pescoço, o robô.
Aos fins de meu peito, as juntas.
O rejunte do azulejo
À borda do agasalho
Reboca a cada pavimento
O oco do trabalhador.

Ao cabo do carrinho de papel, o guri.
Ao alto de seus olhos, a fome.
Aos fins do coração, a busca.
O reviro do embrulho.
À raspa da confeitaria
Devora a cada embalagem
O sonho enfardado do catador.

Ao cabo de si mesma, a mulher.
Ao alto de sua garganta, a angústia.
Aos fins de seu sexo, o pão.
O esfregar do dinheiro
À superfície da carícia
Rouba a cada tostão
O afeto da ama de si

Ao cabo de sua mão, a enxada.
Ao alto de sua testa, o suor.
Aos fins de seus pulmões, o veneno.
O carpir da seca
À lasca da fartura
Arranca a cada golpe
O alimento do cultivador

Ao cabo de seus dedos, o anúncio.
Ao alto de sua razão, o desespero.
Aos fins de seus dias, a negação.
O vasculhar da ausência
À sobra da opção
Desgasta a cada retorno
O homem de bolsos vazios

Ao cabo do fuzil, seus olhos.
Ao alto da disputa, o crime.
Aos fins das brincadeiras, a boca.
O estouro da bala
À beira da cidade
Derruba a cada esquina
O peito nu do menino

Sonho tudo num cubículo
Diminuto espaço de respiro
Estendo braços ao redor
As dores todas me tocam
Partilho o bê-á-bá
Suspiro

Ilusão do sufrágio universal
Borrei na lista da estúpida crença individual
À prática da luta ative o peito
E na torção das linhas retas,
Pude enfim olhar de igual.

Prá cada um daqueles, a força.
Ao alto de nossas dores, a resistência.
Ao resgate da cultura,
À proteção do alimento,
O romper da ignorância,
Reconstrói nossa esperança
Ao grito de nossa voz,
Extravaza a persistente angústia
À percussão de nossos acordes,
Despertamos coletivos
(superados enfim, de nossa constante inconstância falta de fé).

 

Homenagem ao dia do Trabalhador e da Trabalhadora