Repressão na UEM: Lutar não é crime!

A Reitoria da Universidade Estadual de Maringá, em conjunto com a Prefeitura de Maringá e a PM, vem desencadeando um processo intensificado de repressão aos estudantes da UEM e em específico a seu movimento estudantil. Este ciclo de repressão tem uma história longa, se iniciando em 2008 quando a Prefeitura Municipal, à serviço dos empresários que lucram com a especulação imobiliária, proibiu a venda de bebidas alcoólicas no entorno da UEM durante os vestibulares da universidade. A Prefeitura de Maringá incluiu essa medida para todos os dias do ano, em um raio de 150m da universidade as pessoas não podem consumir bebida alcoólica dentro dos bares. Pouco a pouco, a maioria dos bares em torno da universidade foi fechada. Logo a PM passou a reprimir as festas organizadas nas repúblicas do Jardim Universitário, multando os estudantes e se utilizando da violência contra estes com freqüência. Sem ter mais um lugar seguro para confraternizar, o movimento estudantil da UEM começou a organizar saraus dentro do campus, onde não só os estudantes, mas também os moradores das periferias de Maringá encontraram o único lugar na cidade onde tinham acesso às atividades culturais gratuitas. Foram realizados diversos saraus dentro do campus no período de 2008 a 2013, e estes serviram de palco para que artistas locais pudessem expor sua arte para um público sem o poder aquisitivo para freqüentar os bares e baladas elitizados de Maringá. Em 2011 a Reitoria da UEM foi ocupada durante oito dias pelo movimento estudantil da universidade, que no momento reivindicava, entre várias pautas, melhorias no Restaurante Universitário, a construção da Casa do Estudante e de uma concha acústica dentro do campus para a realização de atividades culturais. Estas reivindicações foram todas prometidas pela Reitoria e pelo Governo Estadual, porém nenhuma delas foi cumprida. Logo depois da ocupação da Reitoria, o Reitor da UEM, Júlio Santiago Prates Jr., como represália, iniciou um processo ainda mais acentuado de repressão ao movimento estudantil. Entre os estudantes que ocuparam a Reitoria, oito tiveram que responder para a Polícia Federal, e vários bolsistas perderam suas bolsas. Em 2012 testemunhamos o aumento da presença da PM dentro do campus de Maringá, e no ano seguinte esta repressão chegou ao seu auge, derramando o sangue de estudantes da universidade.

Em 2013 a PM passou a entrar no campus para reprimir todos aqueles que organizaram e freqüentaram os saraus. Simultânea à ação da PM, os vigias da UEM, à mando da Reitoria, começaram à ameaçar e intimidar os estudantes. Ouve até o absurdo, não visto desde a época da ditadura, de um vigia ameaçar alunos com um pedaço de madeira em que estava escrito “direitos humanos”. Frente a este aumento da repressão da PM e da Reitoria, na noite de cinco de setembro de 2013 o movimento estudantil realizou uma reunião na frente do DCE para discutir o aumento da repressão e o direito a realizar atividades culturais dentro do campus.  Os estudantes foram surpreendidos por um grupo de vários vigias da UEM – grande parte deles sem a identificação obrigatória – e quando se negaram a sair do campus, foram violentamente agredidos pelos vigias. Entre vários alunos agredidos, um aluno teve seu nariz quebrado e uma aluna foi atingida brutalmente com uma pedra no rosto, tendo que levar vários pontos na face. Segue um vídeo produzido pelos alunos que expressa essa noite trágica: http://www.youtube.com/watch?v=x4bh44A28_k

A atual gestão da reitoria da Universidade Estadual de Maringá é mais do que conivente com essa ação contra os estudantes. A Reitoria é responsável por essa violência. 

Seis dos alunos que apanharam dos vigilantes estão sendo submetidos a um processo de sindicância e processados pela universidade por desacato, desobediência e resistência. Esses alunos estão impedidos de colar grau até o final do processo administrativo e correm o risco de expulsão da universidade! É absurdo que os próprios estudantes que foram vítimas da violência cometida pelos vigilantes da UEM agora estejam sendo perseguidos administrativamente pela universidade.

O direito ao campus está profundamente ligado a proposta da universidade em ser composta por ensino, pesquisa e extensão. A universidade pública não deve servir apenas àqueles que tiveram condições de passar pelo funil do vestibular, ela deve servir a toda a sociedade e cumprir um papel de inclusão social. Numa cidade elitista e excludente como Maringá, onde a maioria da população não tem acesso à cultura, as atividades culturais organizadas pelo movimento estudantil dentro do campus da UEM, hoje proibidas pela reitoria, cumpriam um papel de inclusão social e promoviam o contato do movimento estudantil com a comunidade externa à universidade.

Pedimos o fim da proibição de atividades culturais dentro do campus, o fim da repressão ao movimento estudantil da UEM, o cancelamento dos processos contra os estudantes que foram agredidos e a punição dos agressores.

Contra a criminalização dos movimentos sociais!

Lutar não é crime!

Protestar não é crime!

Arriba lxs que luchan!

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