Comunidade da UFPR barra privatização do HC em sessão do Conselho Universitário

Retirado de: http://www.sinditest.org.br/noticias_detalhe/5/funpar/1955/comunidade-da-ufpr-barra-privatizacao-do–hc-em-sessao-do-conselho-universitario

A retirada de 17 conselheiros – três docentes, cinco técnicos administrativos e nove estudantes – foi o real motivo para a não realização da sessão do Conselho Universitário (COUN) da UFPR, convocada para ontem, terça-feira (4), no prédio da Procuradoria Federal do Ministério Público (Marechal Deodoro).

A saída desses integrantes da comunidade universitária inviabilizou a sessão, já que não houve quórum mínimo necessário, mesmo com a presença de 45 conselheiros, que já haviam entrado no prédio antes do início do protesto da comunidade universitária.

A reunião, convocada pelo reitor Zaki Akel Sobrinho, tinha como pauta a votação da proposta da Reitoria, de adesão à EBSERH – Empresa Brasileira de Serviços Hospitares. Se aprovada, a Empresa assumiria a gestão do Hospital de Clínicas.

Falta de quórum

A retirada dos conselheiros da sessão do COUN foi justificada por ter sido convocada, pela primeira vez, para um espaço exterior à UFPR, já que o local escolhido foi o prédio da Procuradoria Federal. A medida impediu a participação, ainda que sem voto, da comunidade universitária, numa decisão que, entre outros motivos, fere a autonomia universitária, impede que o atendimento no HC seja 100% SUS, além de provocar a demissão de mais de 900 trabalhadores contratados pela FUNPAR.

A justificativa apresentada pela Administração da UFPR, para transferir a sessão do COUN (normalmente realizado na Sala dos Conselhos, na Reitoria) para o prédio da Procuradoria Federal (Marechal Deodoro), foi a preservação da integridade física dos 63 conselheiros que integram o COUN.

Esta transferência de local e sob esta alegação foi considerada sem fundamento pelos conselheiros. A comunidade universitária e a população em geral, reunida no pátio da Reitoria, somente protestavam em defesa da manutenção do HC tal como foi fundado, em 1961, como hospital-escola, voltado ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão da UFPR.

Aparato policial

Os conselheiros, ao se dirigirem à Reitoria encontraram as portas do prédio totalmente fechado, com correntes e cadeados. Posteriormente, os conselheiros foram conduzidos ao novo local da sessão do COUN (Edifício D. Pedro II, também na Reitoria). O ingresso dos conselheiros a este prédio foi garantido pelo forte esquema de segurança montado pela UFPR (medida esta que depõe contra o discurso do reitor Zaki Akel, de que sua administração é democrática). Além disto, desnecessária porque a comunidade universitária presente somente tinha como objetivo defender a autonomia universitária. 

Poucos foram os conselheiros autorizados, pelo pró-reitor de Administração, Álvaro Pereira, a entrar no D. Pedro II. Isto porque, a grande maioria nem se dirigiu ao local, pois foi avisada, antecipadamente pela Reitoria, de que a sessão estava suspensa.

Tratamento diferenciado

Os conselheiros presentes, indignados com a falta de respeito e com o tratamento diferenciado dispensado pela Reitoria, fizeram um documento repudiando a medida e o protocolarem junto à Pró-Reitoria de Administração. Neste momento, foram informados de que uma mensagem seria enviada informando novo horário e local da sessão do COUN.
Os conselheiros que já haviam se manifestado contrário à proposta de adesão à EBSERH, apresentada pela Administração, receberam a convocação para a nova reunião com apenas15 minutos de antecedência, medida esta que demonstra claramente tratamento diferenciado por parte da Reitoria. Prova disto é que ao chegarem à Procuradoria Federal encontraram outros 28 conselheiros, o que evidencia que a convocação foi feita em dois momentos: uma, com uma hora de antecedência e outra com 15 minutos, de acordo com os interesses da Administração.

Golpe na convocação

Após verificarem o golpe, a manobra feita pela Reitoria, alunos, técnicos administrativos e docentes, trabalhadores FUNPAR, integrantes da Frente de Luta “Para não perder o HC” e usuários do Hospital, que estavam concentrados no pátio da Reitoria, se dirigiram ao prédio da Procuradoria Federal. No local, protestaram contra a falta de democracia e pela manutenção do HC – maior hospital público do Paraná, fundado há 52 anos com a missão de desenvolver o ensino, pesquisa e extensão na UFPR.

Adesão na surdina

Contrariado e num clima de muitos protestos, o reitor da UFPR Zaki Akel Sobrinho foi obrigado a encerrar a sessão do Conselho Universitário, instância máxima da UFPR. Por enquanto, a autonomia universitária, o HC 100% SUS, o emprego dos trabalhadores FUNPAR estão garantidos a menos que, o reitor já tenha assinado a adesão à EBSERH sozinho, na calada da noite.

Se assinou, não conta com o respaldo dos integrantes do COUN. Caberá à Zaki Akel Sobrinho todo o ônus que, sem dúvida alguma, uma atitude como esta trará não apenas para a UFPR como para a população carente atendida do HC.


 

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