A Outra Campanha: política para além das eleições!

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Mais um ano de eleições! Cavaletes estão armados pelas ruas, placas e faixas a postos, santinhos e adesivos espalhados… as caras e os números dos candidatos estão de volta. É a hora da velha história de renovação na política, de ouvir sobre “o que foi feito” e sobre as grandiosas promessas de mudanças para o futuro. Nas eleições, o povo costuma se posicionar de duas maneiras diferentes: ou acredita nas propostas de um representante, confia seu voto nele e até mesmo faz campanha, ou se afasta de qualquer assunto relacionado à política, deixando de se manifestar por considerá-la uma atividade corrupta e ineficiente.

As eleições são um momento de efervescência política e precisamos olhá-las para além das aparências. A postura de rejeição e ódio à política é favorável aos poderosos, pois se você deixa de se posicionar sobre os temas da vida pública, alguém cheio de interesses se posicionará no seu lugar, tomando decisões em seu nome. Por outro lado, confirmar o voto na urna não garante que o representante defenderá os interesses de seus eleitores. E por que isso, afinal? Porque a política e o poder não são exercidos somente pelas figuras que são eleitas pelo voto.

O voto popular não é nem de longe a principal fonte do poder na democracia representativa. As eleições já são “decididas” antes mesmo do povo votar. Pode parecer estranha tal afirmação, mas se vermos quem são os grandes apoiadores de candidaturas poderemos perceber quem manda mesmo nesse tipo de política: são as grandes empresas, donos de latifúndios e os poderosos que financiam as campanhas eleitorais e seus partidos!

Historicamente, a ocupação dos cargos políticos busca apenas a obtenção de novos privilégios para velhos privilegiados: grandes empresas, grandes proprietários de terras, meios de comunicação, bancos, caciques políticos, grupos organizados de gente poderosa e farta de grana que patrocinam os políticos profissionais para representarem os interesses deles! Vencer uma eleição custa caro, o que faz dela um grande balcão de negócios. Assim os representantes eleitos, ao longo dos mandatos, têm o compromisso prioritário com aqueles que os bancam nas eleições e não com os trabalhadores que depositam seu voto e que acabam acreditando em suas propostas.

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Alguns partidos e candidatos buscam representar o povo através dos movimentos sociais, que são segmentos do povo organizados em torno de suas necessidades, sejam elas transporte, terra, moradia, educação, saúde, emprego digno ou outros. É o caso do PT, que surgiu da união de vários movimentos sociais. Ao longo dos anos, para conseguir ganhar eleições e ocupar o Estado, o partido se aliou a gente casca grossa do poder e fez muitas negociações, dando muito mais assistência para os ricos do que para os pobres. 

Os movimentos populares, depois que o PT chegou ao poder se burocratizaram, passaram a servir aos interesses dos representantes ao invés de fazerem luta de classes. Os sindicatos, associações de moradores e o MST elegeram muitos representantes, especialmente Dilma e Lula, mas os salários, reforma agrária e urbana e os serviços públicos não aconteceram como o povo queria. Os ricos ficaram ainda mais ricos nos 12 anos de PT, mas as políticas sociais foram paliativas e as reformas estruturais que os movimentos demandavam não foram realizadas. Ou se está do lado do povo, da classe trabalhadora e oprimida, ou se está do lado dos empresários e latifundiários, classe burguesa. 

Se houve alguma melhora foi porque existiu muita luta e não pela vontade individual deste ou aquele político. E as possíveis melhoras não deixam de vir acompanhadas de muitos ataques como a venda de recursos naturais, privatizações, piora dos serviços públicos, uso do dinheiro público para financiar grandes negócios e uma série de medidas que agradam os mesmos de sempre. O povo só resiste a esses ataques quando têm a democracia em mãos. A verdadeira democracia não se faz nas urnas, mas na luta constante dos movimentos populares por seus direitos. Essa é democracia direta, onde não há a necessidade de representantes ou líderes soberanos, que de seus gabinetes irão escolher os destinos do povo. A ação política direta é a arma da população para transformar a realidade imposta.

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Uma das grandes experiências de poder popular vem das comunidades Zapatistas, no México. Desde 2006, os zapatistas desenvolvem “A Outra Campanha”, uma alternativa às eleições representativas. Partindo de uma linha claramente de esquerda e anticapitalista, “A Outra campanha” baseia-se na consulta e no diálogo direto com a população, na descentralização da prática política e no estímulo a formas autônomas de organização e cooperação. Políticos profissionais e pequenos grupos de líderes são vistos como desnecessários: é de baixo – ou seja, do povo organizado – que vem as reivindicações, propostas e ações. Um modo horizontal e autogestionário de se fazer política. Tal prática sedimentou-se não apenas nas comunidades zapatistas, onde o legado é visível na criação de espaços autônomos (como escolas e hospitais) geridos pela própria população, sem intermediários. Ela espalhou-se pelos mais diversos cantos do mundo, onde se consolidou como uma alternativa crítica à grande farsa das eleições e da democracia representativa.

Seja com candidatos “progressistas” ou com os velhos coronéis, as eleições foram, ao longo da história, ineficazes para resolver os problemas do povo e realizarem mudanças verdadeiras e profundas na sociedade. Pelo contrário, elas tendem a manter o sistema como ele é. Que em tempos de promessas, santinhos e discursos falsos e vazios, possamos tomar o exemplo dos companheiros zapatistas e pensarmos em uma Outra Campanha, em uma outra forma de se pensar e fazer política: uma forma de organizar, lutar e criar o Poder Popular, abaixo e à esquerda!

O POVO ORGANIZADO GOVERNA SEM ESTADO!

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