Bem Vind@s Calour@s 2015!

Estar na universidade pública é um privilégio (segundo o Senso da Educação do INEP-MEC¹, só 27,5% da já restrita população universitária está nas públicas) e, parafraseando o tio Ben, com grandes privilégios, vêm grandes responsabilidades. É por isso que a Universidade pública não é só ensino na sala de aula, mas ela tem o dever de produzir conhecimento e tecnologia que possam ser revertidos para o povo. A Universidade pública é mantida por meio de recursos financeiros arrecadados, em sua maior parte, por trabalhadores de baixa renda, devido à desigual carga tributária brasileira, mas a maior parte deles não tem acesso à universidade ou ao conhecimento produzido nela.  Isso quer dizer que, apesar da Universidade ser pública, ela não é de todos.

E olha que, manter-se nela também não é fácil. Muito cursos exigem um comprometimento integral do estudante, mas ele não recebe o suporte mínimo para isso. É por isso que nós estudantes nos organizamos para modificar essa realidade, em busca, além da universalização do ensino superior público, de condições de permanecer na faculdade. Mas infelizmente, nada disso vem da bondade da reitoria ou do governo, cuja pauta prioritária nem de longe é a educação. Isso vale tanto para o governo federal, decretou um corte de verba de R$ 7 bilhões para o Ministério da Educação no começo do ano², como para o governo estadual que, em suas medidas de austeridade, reduziu recursos a ponto de colocar em situação crítica a existência de quatro das sete universidades estaduais³. Aprendemos que é só com a ação direta dos estudantes que conseguimos arrancar o que deveria ser de direito. Na UFPR por exemplo, pautas como as bolsas, moradia estudantil, utilização do nome social para pessoas trans, auxílio-creche, Restaurante Universitário funcionando em todas as refeições, ampliação dos acervos das bibliotecas, e até mesmo a internet sem fio gratuita, foram conquistadas. Tudo isso só foi possível com as greves, ocupações da reitoria e atos do movimento estudantil. Ainda há muito o que avançar, como nas Universidades Estaduais, que ainda lutam para conseguir muitas dessas pautas!

Também é preciso lutar contra toda forma de opressão na Universidade, contra o machismo, racismo, LGTBfobia e capacitismo. Essas injustiças só deixarão de existir com a mobilização de quem é diretamente afetado por elas, ou seja, seremos nós, mulheres, pessoas negras, lésbicas, transexuais, bissexuais e gays e pessoas com deficiência que podemos dar a direção dessas lutas, e seremos todxs nós estudantes que determinaremos quais são nossas pautas e como iremos alcançá-las.

As pautas são muitas, e tem muita gente se mobilizando para lutar.  Nós do Coletivo Quebrando Muros, convidamos vocês, calouras e calouros, para além de participar das aulas e festas, a se engajarem nos vários espaços políticos da universidade, como os centros acadêmicos, assembleias, rodas de discussões e protestos, e descobrir que a política é algo indissociável de nossa vida, e não deve ser restrita aos grandes homens e poderosos.

¹ http://g1.globo.com/educacao/noticia/2014/09/matriculas-no-ensino-superior-sobem-38-e-atingem-73-milhoes-de-alunos.html

² http://www.opovo.com.br/app/opovo/economia/2015/01/09/noticiasjornaleconomia,3374089/ministerio-da-educacao-perde-r-7-bilhoes-com-a-definicao-dos-cortes.shtml

³ http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/sem-acordo-professores-mantem-greve-ek2qy9ujhqwkvwlooan7imrm6;jsessionid=395DDEC7C6A6504F05027F5327FA5310

cqm

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