Arquivo de dezembro, 2015

Rus da UFPR paralisam por não pagamento de salários

Publicado: dezembro 8, 2015 em Sem categoria

Hoje trabalhadores e trabalhadoras da limpeza e dos restaurantes universitários da UFPR paralisaram suas atividades devido ao não pagamento dos salários. Portanto, os RU’s não abrirão para o jantar hoje. Não é a primeira vez que esses atrasos acontecem no repasse para as empresas terceirizadas, somado a este cenário também há a situação de atraso no pagamento das bolsas estudantis. Anteriormente a Reitoria colocou a culpa na mobilização estudantil, na tentativa de quebrar a unidade entre os próprios estudantes e também criando desconfiança com os trabalhadores, mas agora não há ocupação. As mentiras já não cabem (se é que um dia tiveram espaço em algum lugar), não há como fugir da responsabilidade. Mais uma vez os cortes do Governo Federal e a negligência da Reitoria prejudicam a vida de quem mantém a Universidade funcionando. Será que o salário do Reitor também atrasa? Sabemos que não. A indiferença se dá sempre com os mais pobres. As trabalhadoras da limpeza há muito tempo precisam trazer e arcar com custos de alguns materiais, pois estes não tem sido fornecidos. São elas as primeiras a chegar para garantir o funcionamento dos prédios limpando diariamente nossas salas e os gabinetes, são os trabalhadores que preparam diariamente nossas refeições, limpam nossas bandejas, e no fim do ano quando os gastos se elevam recebem este “presente”. Este descaso é revoltante, fere a dignidade de quem trabalha e merece o repúdio de toda a comunidade!
SEM SALÁRIO NÃO TEM TRABALHO!
TODO APOIO À LUTA DAS(OS) TRABALHADORAS(ES)!

Estudantes dão a aula!

Publicado: dezembro 2, 2015 em Sem categoria

 

Em São Paulo, o governo de Geraldo Alckmin (PSDB) anunciou um forte ataque ao ensino público: a “reorganização”, ou mais precisamente o fechamento de mais de 100 escolas no Estado e o cancelamento de muitas turmas. Estudantes secundaristas se organizaram desde então, de forma autônoma e combativa, em um movimento pautado pela Ação Direta, tendo realizado atos de rua e discussões com a comunidade. O que o governo do estado fez? Ignorou, mais uma vez, a voz destes que são os maiores interessados. O caminho, a partir de então, estava claro para aqueles que constroem o movimento de acordo com as suas necessidades e atuam por conta própria ao não enxergar uma alternativa em candidatos ou ONG’s: a radicalização da luta!

A resposta da estudantada foi dada com muita organização. A ocupação das escolas começou há mais de vinte dias atrás e em muitas delas as deliberações são tomadas em assembleias e funcioando a organização interna de maneira horizontal. São formadas comissões para limpeza, alimentação, organização, segurança, atividades culturais e demais trabalhos. Dentro da escola ocupada as relações já não são as mesmas, foram descentralizadas. Alunos(as), professores(as) e demais trabalhadores(as) decidem e aplicam em conjunto as atividades realizadas, que vão desde alimentação à  aulas, oficinas e debates. A hierarquia cedeu lugar a autogestão.

Mais de 220 escolas ocupadas no Estado! Estes jovens não só se colocaram no cenário politico de forma admirável como também despertaram a solidariedade e o sentimento da necessidade de luta pelo Brasil a fora! Levam com eles não apenas nosso apoio, como nossos corações inflamados pela rebeldia. Porém, sempre que o povo avança criando e fortalecendo o poder popular, a repressão dos senhores-chefes vem na contra mão tentando anular sua força. O governo estadual já tentava suprimir o movimento dos estudantes via judicialização. E embora não tenha conseguido mandado (com pedido de reintegração negado mais de uma vez), iniciou outra estratégia para a criminalização da mobilização. O aúdio vazado¹ recentemente mostra a Secretaria de Educação de São Paulo assumindo uma guerra contra a resistência nas escolas!

Estudantes estão enfrentando agora a repressão policial e o apoio trapaceiro de algumas direções para a desmobilização. “Agora a aula é na rua”, pois se intensificam a represália é dada a resposta com a mesma potência! Trancar ruas e avenidas, fazer a cidade parar! A tropa de choque levou alguns bravos lutadores detidos em manifestação nesse dia 01/12, lançou bombas de gás, atirou e atuou mais uma vez tentando instaurar o medo a serviço dos chefes de gabinetes e seus interesses medíocres, sem se importar com os danos causados às crianças e adolescentes. O movimento não retrocede, quem deve retroceder é o Estado e os interessados no declínio da educação (já precária) pública!

No Paraná, o governo de Beto Richa (PSDB), que este ano já demonstrou seu apreço pelos educadores ao nos arrancar a previdência à custa de nosso próprio sangue no dia 29 de Abril, anunciou que também gostaria de contribuir para a decadência da educação. A “reorganização” aqui visava o fechamento de 71 escolas no Estado. O alvo principal são as escolas rurais (31 foram elencadas), e os Centros de Educação Básica de Jovens e Adultos (Ceebjas), que somam 19 centros. Outras 21 escolas que ocupam imóveis alugados também estão na lista. Em Curitiba há pelo menos 9 colégios listados, entre eles: Colégio Estadual Tiradentes, no Centro; Colégio Estadual Barão do Rio Branco, no Água Verde; Colégio Estadual Dom Pedro II, no Batel; e Colégio Estadual Xavier da Silva, no Rebouças.
O argumento, mais uma vez, é a diminuição de gastos. Nada diferente de São Paulo, pretende-se executar a mesma política mascarada sobre os mesmos argumentos indefensáveis.

Que argumento poderia sustentar a indiferença? Sobre o pretexto dos cortes orçamentários diminuem a qualidade de vida de trabalhadores e estudantes. Ao fazer com que estudantes sejam realocados e precisem fazer um deslocamento muito maior, que pelas condições de transporte público, com tarifas cada vez mais abusivas, podem acabar por restringir o acesso à educação. Além de aumentar o número de estudantes por turma, o que torna ainda mais precário o trabalho de professoras/es e funcionárias/os, e consequentemente a formação das pessoas educandas.

A rede estadual de ensino público é responsável pela maior parte da formação em nível básico – e as matrículas aumentam a cada ano. Atualmente são 1.095.236 matrículas na rede estadual. Poucas pessoas têm condições de manter suas crianças em Colégios Particulares. É a juventude periférica e do campo que será a maior prejudicada. Outras medidas têm contribuído para a precariedade do ensino gratuito, como a falta de estrutura e materiais; as condições de trabalho de servidoras/es da limpeza, merenda e manutenção – que, terceirizadas, experimentam um regime de contratação precário e inseguro.

Em Goiás o governador Marconi Perillo (também do PSDB) já decretou o fim dos concursos públicos para professores e pretende colocar as OS’s para administrar colégios. Aqui no Paraná essa é uma realidade próxima, apesar de ainda não ter sido decretado seu fim, os concursos estão cada vez mais raros. A contratação de professoras e professores substitutos via PSS (Processo Seletivo Simplificado) é a exceção que se tornou regra, e significa a perda de direitos trabalhistas e remuneração mais baixa por hora aula. Eis a escola neoliberal, onde precários dirigem precários para formar uma geração de futuras (os) precarizadas(os).

Assistimos também o descaso do governo federal que deixa de priorizar a educação pública e passa a investir nas empresas de ensino. Iniciamos o ano com um corte gigantesco na pasta do MEC, ultrapassando 12 bilhões. Outros ministérios, como o da Saúde, resposável por necessidades básicas do povo, também sofreram grandes cortes. Ou seja, tanto nacional quanto estadualmente, os governos (PT e PSDB) querem que quem trabalha pague pela crise, enquanto os senhores-chefes lucram e desfrutam da riqueza que acumulam.

Será que as crianças dos governantes frequentam alguma escola pública? É sabido que não. Há uma nítida diferença entre a escola dos ricos, que forma e reproduz a elite, e a escola dos pobres, que nem mesmo responde ao mínimo de instrução. Desde cedo nos impedem de falar de igualdade de oportunidades. E é a escola dos ricos, o ensino privado que sai lucrando com os retrocessos do ensino público. Precisamos seguir atentos para que não tenhamos nenhuma turma à menos! Para barrar todas as agressões, para não abaixar a cabeça para os assaltos ao ensino gratuito! Será só com muita luta e Ação Direta que, nesses tempos onde se intensificam os ataques ao povo, poderemos assegurar nossos direitos.

Nenhuma escola a menos! Educação não é mercadoria!

Intercampi UFPR para por falta de pagamento

Publicado: dezembro 1, 2015 em Sem categoria
Tags:, ,

Hoje os estudantes da UFPR não puderam utilizar o intercampi (ônibus que faz o transporte entre os campi da universidade) devido à falta de pagamento aos motoristas. Segundo alguns trabalhadores, o repasse que deixou de ser feito à empresa que contrata os motoristas terceirizados era de 2 milhões de reais. A situação não tem previsão de ser normalizada, já que o pagamento ainda não foi feito.

8554596251_80329273d6

Cortes já prejudicavam os terceirizados

Essa notícia não desperta surpresa, já que recentemente a UFPR já havia anunciado a demissão de 20% dos funcionários terceirizados. Cerca de 450 trabalhadoras e trabalhadores terceirizados – da limpeza, portaria, segurança, manutenção – serão demitidos nos próximos meses. Após anos de adotar uma política de não abertura de concursos públicos e terceirização de vários serviços da UFPR, a universidade agora demite esses trabalhadores e corta esses serviços. O projeto de terceirização de serviços da universidade falhou miseravelmente. Falhou conosco, estudantes e trabalhadores. Para a reitoria, nem tanto, já que para eles os trabalhadores terceirizados – mais fáceis de demitir do que servidores – são descartáveis.