Mês: maio 2017

Apoio crítico à Chapa 1 – Quero Me Livrar Dessa Situação Precária nas eleições para o DCE da UFPR em 2017

O Coletivo Quebrando Muros, agrupamento de tendência libertária que atua no movimento estudantil universitário do Paraná, vem por meio desta nota manifestar seu posicionamento diante de mais uma eleição para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal do Paraná, que acontecerá nos próximos dias 10 e 11 de maio, respectivamente quarta e quinta-feira da semana que vem. É válido informar que as eleições de 2017, ao contrário das anteriores, se darão de forma separada entre a direção executiva e os conselhos superiores, separação que pode prejudicar a unidade do movimento estudantil em sua ferramenta de articulação e de representação nos conselhos universitários que discutem e deliberam sobre as políticas internas da UFPR. Estão concorrendo um total de seis chapas divididas entre as duas instâncias.

A intenção dessa nota é expressar publicamente nosso apoio crítico à Chapa 1 – Quero Me Livrar Dessa Situação Precária e trazer à tona as motivações que nos levaram, mais uma vez, a não participar do processo eleitoral para o DCE. Portanto, nos situamos enquanto apoiadores, também por entender que a Chapa 1 é a única que compreende a problemática na falta de unidade do movimento, concorrendo de forma conjunta para a direção executiva e os conselhos superiores.

Em um cenário de ataques constantes aos nossos direitos e ao setor público, sobretudo à educação tanto em nível básico quanto superior, é preciso construir um movimento estudantil forte, combativo, pela base e que esteja ombro a ombro com as e os trabalhadores tanto na luta contra os ataques, os cortes e as reformas como dentro da própria Universidade, se colocando em posição de diálogo  constante com as diferentes categorias tais como professores, técnicos administrativos e terceirizadas/os. Isso só será possível se estivermos presentes no cotidiano das e dos estudantes, vinculados às suas realidades e construindo o movimento de baixo para cima. Acreditamos que a melhor forma de fazer isso hoje é nas instâncias mais próximas da base, tais como Centros e Diretórios Acadêmicos e coletivos de cursos e setoriais, desde que sejam pautados pela horizontalidade e autonomia e que suas gestões não encarem essas instâncias como uma extensão do programa político de suas organizações ou como mero prestador de serviços para os estudantes.

Não negamos, contudo, a importância de instrumentos mais amplos como o Diretório Central dos Estudantes em potencializar a luta pela defesa de uma Universidade pública, de qualidade e que se adeque à realidade socioeconômica dos alunos; a depender, inegavelmente, dos grupos políticos que estão à sua frente. Na UFPR já fomos assombrados com exemplos de gestões que atravancavam as lutas, se posicionaram de forma contrária a ocupações, negociaram com a Reitoria questões que afetam a todas e todos sem informar à comunidade estudantil, boicotaram ou implodiram espaços gerais e legítimos de deliberação das e dos estudantes, entre outras situações que ilustram como atuam gestões ligadas a governos, partidos de direita ou atreladas à burocracia interna da Universidade.

No entanto, não podemos ignorar o quanto esse instrumento tem se apresentado de forma descolada das bases, demonstrando falta de compreensão com relação à realidade das e dos alunos. Isso acentua o afastamento destes das discussões e processos políticos e, consequentemente, na incapacidade do movimento em apresentar soluções práticas para os problemas que temos enfrentado dentro da Universidade, relacionados, sobretudo, à permanência das e dos estudantes trabalhadores e mais precarizados.

As disputas políticas internas ao DCE, que muitas vezes se refletem nos espaços gerais, têm sido um gasto de energia na construção de uma ferramenta que está distante da base estudantil, ao passo que a construção e o fortalecimento de instâncias como CAs, DAs e coletivos de cursos e setoriais são secundarizados por organizações que concorrem ao DCE. Essa situação, de acordo com o que defendemos e pautamos, é contrária à construção de um movimento estudantil desde a base, em que o DCE deveria ser a representação aglutinadora das necessidades de mobilização dos cursos e não uma ferramenta descolada da base e pautada por uma política de cima pra baixo, como bem sabemos que pode ocorrer.

Finalmente, entendemos que o momento exige a unificação das lutas e que o apoio à uma chapa composta por pessoas e organizações que se alinhem, em diferentes medidas, a uma prática combativa e horizontal e que se preocupem com a mobilização dentro e fora da Universidade é essencial. É evidente para nós que outros grupos políticos que se colocam na disputa não irão atender às demandas estudantis ou articular de modo coerente as lutas que serão necessárias nesta conjuntura de crise econômica e precarização da Universidade e da Educação Pública. Sem perder de vista os elementos colocados, reiteramos nosso apoio à Chapa 1 – Quero Me Livrar Dessa Situação Precária – nas eleições para o DCE da UFPR em 2017!

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