[AOC] Jornal d’A Outra Campanha – Paraná 2016

A Outra Campanha – Paraná é construída por várias organizações e militantes do campo libertário da esquerda e realizou neste ano uma série de atividades de apoio e propaganda às lutas sociais, em especial ao movimento secundarista que ocupou mais de 1.000 escolas no Paraná.

Uma das organizações empenhadas na construção da AOC, o Coletivo Quebrando Muros tem o orgulho de ter contribuído com a produção do Jornal d’ A Outra Campanha, que teve tiragem de 1.500 exemplares e foi distribuído durante as atividades de militância nas dezenas de ocupações de escolas, universidades, debates e atos em que A Outra Campanha esteve presente.

Agora, distribuímos o Jornal d’A Outra Campanha também em formato digital.

Boa leitura!

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Lutas e vencer fora das urnas!

Autonomia e autogestão, é nós por nós defendendo a educação!

Abaixo e à esquerda sempre!

 

 

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Criminalizar a combatividade: isso sim é fazer o jogo da direita

Em um artigo de opinião publicado em 02 de dezembro no site oficial da Insurgência, corrente interna do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o militante Eduardo d’Albergaria apresenta uma análise sobre os acontecimentos do dia 29 de novembro, quando o Senado Federal aprovou, em primeira votação, a Proposta de Ementa Constitucional nº 55 (antiga PEC 241, que congela em 20 anos os investimentos em serviços públicos) por 61 votos a 14 enquanto do lado de fora da Casa se estabelecia um cenário de guerra entre manifestantes de todo o Brasil e as polícias da capital.

A análise se configura em uma crítica à atuação do chamado Black Bloc não apenas nesse ato em específico e sim, de forma generalizada, no Brasil, sendo motivada por um recente retorno da prática de desqualificação e criminalização de ações mais radicalizadas por parte de determinados setores que reivindicam a luta das massas. Essa prática volta à tona no momento em que a tática Black Bloc torna a ganhar expressão no cenário de mobilizações nacional contra o processo de medidas anti-povo acelerado por Michel Temer, mas já vinha acontecendo desde o levante de junho de 2013 e, com força ainda maior, durante as manifestações contra a Copa do Mundo de 2014. Durante esse período, tais setores da esquerda – principalmente ligados ao petismo – fizeram coro uníssono com a direita contra a juventude combativa que tomava as ruas convicta de sua luta e autonomia e inovando em táticas, reforçaram a narrativa reacionária que distingue manifestantes de “mascarados” e inclusive chegaram a confrontar e entregar manifestantes para a polícia, atuando como a P2 do próprio movimento.

O texto apresenta diversas falhas de leitura sobre os fatos que sucederam no dia 29 de novembro, algumas mais “inofensivas” como ao comemorar uma suposta baixa adesão de (ex)governistas ao ato quando a presença desses setores e o papel cumprido por eles de recuar a manifestação foram nítidos, ou então ao apontar o número de “mascarados” entre 50 e 100. Outras falhas, porém, são mais sérias e não podem ser vistas como mero descuido: o artigo literalmente responsabiliza as ações dos adeptos da tática pela truculência policial, como se a força policial que mais mata no mundo fosse incapaz de atacar uma manifestação pacífica e como se qualquer manifestação que incomodasse minimamente aqueles que terão seus interesses protegidos pela PEC 55 não seria reprimida pelo braço armado do Estado que só governa para os de cima.

O Black Bloc é uma tática essencialmente de defesa das manifestações e seus adeptos se utilizam de diversos materiais para evitar danos maiores aos manifestantes. Então, ao invés de alegar que não haveria repressão policial caso não houvesse ação dos Black Blocs em Brasília, por que não se perguntar como seria a repressão policial caso não houvesse resistência em Brasília? O confronto não teria durado horas, a manifestação teria dispersado logo no início e todo mundo voltaria para suas cidades (e só com muito cinismo com a sensação de dever cumprido). Como seria o massacre de 29 de abril em Curitiba se não houvesse “mascarados” com seus escudos a frente da manifestação para que uma quantidade menor de bombas e balas de borracha atingissem os presentes, chutando as bombas de volta para a polícia, carregando os feridos para longe do confronto e ajudando-os, distribuindo materiais que amenizam o efeito das bombas, etc.?

É de extrema irresponsabilidade colocar a polícia e o Black Bloc como atores de um mesmo papel que protagonizou as imagens que a mídia burguesa precisava para desmoralizar a manifestação, esvaziando todo o debate político que ela deveria trazer. Assim como o empresariado, banqueiros, grandes proprietários de terras e caciques políticos, os detentores dos meios de comunicação da grande mídia fazem parte de um pequeno grupo que trabalha para manter seu poder e privilégios. A maior parte da população será prejudicada pela PEC 55, mas se informa principalmente através destes veículos de comunicação e não está consciente disso – não porque um grupo de manifestantes quebrou algumas vidraças e a mídia foi obrigada a retratar isso de forma negativa, mas sim porque a imprensa promove cotidianamente propaganda favorável à PEC 55 e a qualquer outra medida que continuará privilegiando os velhos privilegiados enquanto ataca a nossa classe.

Agora, se a mídia “alternativa” (que de independente não tem nada) reproduz o mesmo discurso que criminaliza as ações mais radicalizadas – como os Jornalistas Livres que insinuaram que os jovens que estavam no front em Brasília eram infiltrados – se faz necessário analisar as coisas com muito mais cautela do que simplesmente comprar e reproduzir esse discurso. É curioso notar que, logo após o impeachment de Dilma e as primeiras movimentações pelo “Fora Temer”, essas ações, mesmo que desordenadas, foram recebidas de forma até mesmo amigável pelas organizações e mídias com maior proximidade com o governo que acabara de ser deposto. A partir do momento que esses setores percebem que não podem parar essa juventude no canetaço e acordaço com os patrões como fazem com as greves de seus sindicatos aparelhados ou que não podem organizar esses jovens em suas fileiras por rejeitarem a representatividade e a verticalidade que são tudo o que essas organizações têm a oferecer, o discurso muda. Aqueles que, por sua coragem, disposição e desbravamento, são várias vezes convidados a contribuírem para o movimento, agora são inimigos e devem ser combatidos – no discurso ou não.

O artigo aponta ainda para uma suposta despolitização e desorganização dos adeptos da tática Black Bloc, coisas que eles não podem provar pura e simplesmente por falta de contato. Desconsideram esse setor, em sua maioria da juventude periférica, que vai às ruas ardendo pela transformação social e está aprendendo, a partir da prática, a importância da organização popular cotidiana. Estas pessoas não reconhecem nas velhas formas um campo fértil para sua atuação, o que não quer dizer que não possam avançar no processo crítico para uma construção coletiva mais efetiva.

É muita ingenuidade ou falta de autocrítica afirmar que apenas a violência nos protestos afasta as massas da luta. O povo que ainda não se organiza e vai às ruas também rejeita boa parte das bandeiras, organizações e partidos que compõe os atos. O PT e a esquerda institucional têm responsabilidade nessa rejeição, mas a grande culpada é a mídia burguesa que cumpre o seu papel de fazer com que a população tenha aversão à organização e luta populares, pois é isso que dá as condições de libertar a classe trabalhadora de sua condição de explorada.

É claro que o Black Bloc enquanto tática utilizada pelos movimentos sociais tem muitas limitações e nunca foi intenção de seus adeptos derrubar sozinhos a PEC. Nós entendemos que apenas a organização de base nos diferentes locais de estudo, trabalho e moradia e outros que torna possível acumular força suficiente para barrar esses ataques. Não existem atalhos para reverter décadas de despolitização e burocratização nos movimentos, e para isso é preciso trabalhar junto ao povo desde já. No entanto, é necessário superar essa falsa distinção entre ação direta e trabalho de base, porque as duas coisas são perfeitamente possíveis e complementares. Conforme os movimentos sociais se fortalecem, devemos avançar no planejamento estratégico e nas instâncias de democracia direta para aplicar força da maneira mais eficiente no alcance de nossos objetivos. A radicalidade leva acúmulos históricos para o movimento. Nesse sentido, sendo a tática Black Bloc bastante recente no Brasil, entendemos como perfeitamente natural que haja problemas de organização e que a atuação até o momento não seja a ideal, mas a crítica que tem sido feita não vai ao sentido de aperfeiçoá-la, mas sim de criminalizar e silenciar toda expressão de combatividade.

O ponto mais preocupante que o texto levanta é a afirmação de que a lógica do enfrentamento seria “macho-centrada” e, portanto, afastaria mulheres e LGBT’s. Além de desconsiderar a realidade de movimentos como o Zapatista do México, a Revolução Curda no Oriente Médio e o papel fundamental das mulheres na Revolução Espanhola, o autor também demonstra desconhecimento sobre as raízes do próprio Black Bloc. Vale lembrar que LGBT’s também protagonizaram levantes extremamente radicais contra a perseguição institucionalizada pelo Estado. O que teria sido Stonewall (nos EUA), se não uma demonstração de força do movimento LGBT contra a violência policial? É impossível negar a contribuição daquela rebelião para a luta e organização pelos direitos desse setor oprimido da sociedade. LGBT’s e mulheres cerraram fileiras e resistiram nas barricadas em Brasília e em outras lutas ao redor do mundo. Enfrentamento é coisa de mulher sim e reivindicar fragilidade e incapacidade de se autodefender é que é machista e LGBTfóbico!

A desinformação acerca da tática Black Bloc propagada por esse campo da esquerda volta a se estabelecer, mas é preciso tomar cuidado para que ela não ganhe espaço e assuma uma face ainda mais perigosa e reacionária: da criminalização posta em prática e não apenas em discurso, como algumas organizações já se demonstraram capazes de fazer. É necessário combater o quinta-colunismo e esvaziar seu discurso, nos afastar do purismo tático e debater para longe do oportunismo toda ação autônoma e combativa.

Seguir organizando a revolta popular com independência de classe e de forma autônoma a disputa do Estado, pela força das ruas!

Ação Direta contra a retirada de direitos!

No dia 29 de novembro, em Brasília, enquanto estudantes, trabalhadores, camponeses, povos da floresta e outros setores oprimidos uniam-se em frente a Esplanada para manifestar sua indignação frente a PEC55(antiga 241), um cenário de guerra foi instaurado. A mídia burguesa não faz questão nenhuma de mostrar as imagens de truculência policial e da resistência popular.

O Estado não agiu de forma violenta apenas quando a tropa de choque avançava com bombas e balas ininterruptas para suprimir o protesto, pois sua ação não foi um ato isolado. Faz parte do cotidiano dos explorados a violência e a repressão. O governo trouxe uma medida violenta que afeta a vida de toda a nossa classe, serão vinte anos de contenção. Vinte anos de sucateamento no SUS, vinte anos de precarização na educação (aliada a reforma do ensino médio), isso para privilegiar pagamentos de juros. Não há diálogo quando se trata de manter a fartura dos ricos às custas do trabalhador. Aprendemos com a história até onde pode chegar a repressão política e vivenciamos recentemente, em 2013, que os governos sempre farão de tudo para frear a força das ruas. Violenta é a PEC, violento é o Estado. Lutamos na defensiva, lutamos por nenhum direito a menos! Que o povo siga organizando sua revolta.

É barricada, greve geral, ação direta que derruba o capital!

Movimento estudantil combativo da UNESPAR na luta contra a retirada de direitos

Na tarde do dia 29 (terça), estudantes da UNESPAR Curitiba (FAP e EMBAP) saíram em ato para a SETI (Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior), visando negociar suas reivindicações. Os/as estudantes, que mantém ocupações em seus locais de estudo, foram barrados nos portões e ameaçados com armas de fogo pelos seguranças.

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Foto: Revista Vírus

A SETI é a secretaria do governo estadual que define e coordena as políticas que envolvem o Ensino Superior do estado. As Universidades Estaduais vem sofrendo com a sistemática precarização e privatização das instituições, e a Unespar é uma das universidades que se encontra em situação alarmante. As verbas de custeio vêm deixando de ser repassadas e não há recursos para a manutenção dos cursos, equipamentos, pagamento de funcionários, contas e permanência estudantil. As verbas previstas para a UNESPAR em 2017 não serão suficientes nem para manter o funcionamento da universidade durante o ano, e as aulas certamente serão interrompidas por falta de recursos. A maior parte dos trabalhadores e trabalhadoras dos campi são terceirizados e são várias as ocasiões em que ficam sem receber salário, devido à falta de pagamento da universidade e à exploração das empresas.

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Ninguém vai privatizar a Unespar. Foto: Estudante

Mas se as condições da educação estão piores, é também maior a disposição pra lutar. A FAP e a EMBAP são as últimas universidades ainda ocupadas na cidade, em um movimento que iniciou no dia 4 de novembro. Os/as estudantes resistem pois sabem que se não houver luta agora as portas da universidade serão fechadas em 2017, e nos próximos 20 anos muitas outras farão o mesmo em decorrência do congelamento dos gastos do Governo Federal previsto pela PEC 55 (que estabelece limite para os gastos públicos pelas próximas duas décadas).

Nós do Coletivo Quebrando Muros nos colocamos juntos às e os estudantes de luta, construindo todos os dias a resistência contra os ataques dos governos. As consequências dessas medidas serão duras e poderemos sentir por muito tempo. É preciso avançar na organização do movimento estudantil autônomo e combativo, acumulando força, experiência e articulação conjunta com outros setores da classe oprimida. A luta do povo organizado é a única forma de barrarmos os ataques aos direitos e garantirmos educação e saúde públicas, gratuitas e de qualidade.

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Estudantes em ato, em frente à SETI Foto: Estudante

Por uma vida digna! Nenhum direito a menos!

Nota de repúdio à UPES, UBES e UJS – Respeitem o movimento secundarista!

Os estudantes secundaristas de todo o Paraná estão dando uma verdadeira aula de luta por direitos! Desde a primeira escola ocupada contra a Medida Provisória nº 746, que impõe uma Reforma no Ensino Médio, há quase um mês, o número de ocupações já ultrapassou a marca de 800 escolas no estado. Aos poucos, a luta dos e das secundaristas contra os ataques à educação pública vem tomando um caráter nacional e já elevou a casa de mil ocupações em todas as regiões do país, sendo um número histórico em nível internacional.

Além da pressão da grande mídia, do governo e, muitas vezes, das direções das escolas contra as ocupações, a mobilização dos estudantes se tornou alvo de organizações de direita, como o Movimento Brasil Livre – MBL, que aproveita o efeito das campanhas mentirosas da mídia e do governo para chamar manifestações em frente às escolas ocupadas. Os estudantes tem sofrido diversos ataques e tentativas de desocupações forçadas que ameaçam aqueles e aquelas que estão lutando pela não-retirada de direitos. A direita planeja seus ataques, mas a solidariedade dos de baixo tem falado mais alto e manifestações de apoio tem ocorrido em quase todos as ocupações que esses grupos tentam chegar, impedindo suas ações.

Atendendo à demanda do governo estadual, a Justiça concedeu a reintegração de posse de 25 escolas ocupadas em Curitiba na última quinta-feira (27), além de outras liminares que já haviam sido assinadas em cidades como Londrina e Ponta Grossa. Entre as escolas de Curitiba que deveriam ser desocupadas imediatamente, está o Colégio Estadual do Paraná, o maior do estado e uma referência nacional das ocupações secundaristas.  No entanto, ao contrário do que pretendem certas organizações, isso não significa em hipótese alguma o protagonismo dessa escola em detrimento das demais. A força do movimento reside no grande número de ocupações, na organização e mobilização por local de estudo, nas periferias e regiões metropolitanas – que contra todas as adversidades tem construído a resistência dia após dia.

Sabemos que não é de hoje que organizações estudantis vinculadas à política representativa como a União Paranaense dos Estudantes Secundaristas (UPES) e a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES) – ambas aparelhadas pela União da Juventude Socialista (UJS, juventude do PCdoB) – vendem sua imagem como organizações de luta que constroem suas políticas ao lado de trabalhadores e estudantes, mas na prática passam por cima das decisões coletivas e fazem acordos que só beneficiam seus próprios interesses, usando o nome de movimentos independentes que estão na luta por pautas concretas. Tais entidades, incluindo também a União Nacional dos Estudantes (UNE), fizeram parte do arco de sustentação ao projeto de conciliação de classes levado a cabo pelo Partido dos Trabalhadores (PT) no período em que esteve a frente do governo federal. Dentro desse projeto – que contou com a participação de banqueiros, empreiteiras, do agronegócio e de grandes empresários, além da institucionalização de diversos movimentos sociais – a UPES, UBES e UNE agiram como braços do governo federal, desmobilizando lutas e apoiando programas de transferência de recursos da educação pública para empresas privadas de educação. Seguiram a cartilha do governo federal, se negando a fazer qualquer crítica e freando movimentos contrários à tais medidas.

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Não esqueceremos! Em abraço com a líder ruralista Katia Abreu (PMDB), a presidenta da UNE, Carina Vitral, e a então presidenta da UBES, Barbara Melo. Ambas da UJS/PCdoB.

Esse caráter hierarquizante e conciliador ficou evidente para muitos estudantes nas assembleias das ocupações convocadas pelo ‘Ocupa Paraná’ – página vinculada a essas organizações – sobretudo na assembleia estadual realizada em 26 de outubro. Os secundaristas, que tiveram pouco espaço para se colocar (além da questão burocrática das inscrições por internet), defenderam a importância de impulsionar e nacionalizar o movimento. Afinal, a MP 746 e a PEC 241 (agora PEC 55) são pautas nacionais e fogem da alçada do governador Beto Richa negociá-las ou não, como propunham essas entidades sem ouvir a base estudantil.

Contudo, o desrespeito com o movimento autônomo dos estudantes chegou ao seu auge na última sexta-feira (28), quando o Colégio Estadual do Paraná foi notificado da reintegração de posse. Nessa ocasião, a UPES e UJS comprovaram seus reais interesses ao negociar, sem qualquer consulta aos estudantes, a desocupação das 24 escolas que estão na lista de reintegração para manter apenas a ocupação do CEP por mais 10 dias. Assim, todos desocupariam suas escolas para compor uma única ocupação  central, sem levar em conta a realidade das escolas periféricas que sofrem com a falta de visibilidade e apoio nas lutas, além da criminalização recorrente.

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Presidente da UPES e militante da UJS, Matheus dos Santos em campanha com Ney Leprevost (PSD). O PCdoB estava na coligação do candidato desde o primeiro turno.

Os estudantes que ocupam o CEP negaram essa proposta em assembleia e publicaram uma nota repudiando essa atitude centralizadora que, além de ferir a horizontalidade do movimento, também o enfraquece em um momento em que a perspectiva é de fortalecimento e nacionalização das lutas.

Demonstramos nosso apoio a todas e todos os estudantes secundaristas, que tem construindo coletivamente um movimento que segue como exemplo de luta e resistência frente aos constantes ataques que vem do andar de cima. É fundamental fortalecer constantemente os laços de solidariedade entre as ocupações, e princípios já presentes como a horizontalidade, a autogestão e a organização por local de estudo.

Só nos organizando de maneira autônoma e combativa que iremos mudar nossa realidade. Até vencer! Firmes!

NOTA DE APOIO ÀS OCUPAÇÕES NA UFPR – Não aceitaremos nenhum direito à menos!

Em meio às ocupações iniciadas por secundaristas que protestam contra a MP 746, que visa uma “Reforma” no Ensino Médio, e a PEC 241, que prevê o congelamento de investimentos públicos por 20 anos, uma ocupação foi iniciada na noite do dia 24/10/2016 (segunda-feira) no prédio Dom Pedro I no campus Reitoria da UFPR fomentada principalmente a partir de estudantes do curso de Pedagogia e com a participação de alguns estudantes de outros cursos. Hoje pela manhã uma outra ocupação foi iniciada pelos estudantes de Educação Física no campus Botânico em Curitiba, onde o Restaurante Universitário está fechado e apresenta diversos problemas estruturais. Os cursos de Turismo e Filosofia já deflagraram greve estudantil. Os Técnicos Administrativos estão em greve desde a última segunda-feira. Na UFPR Litoral em Matinhos, estudantes, técnicos e professores também se mobilizam e paralisam as aulas. A luta contra essas medidas é de todos(as) trabalhadores e estudantes, pois todos(as) seremos afetados(as) por tais medidas que visam acabar com nossos poucos direitos conquistados ao longo de vários anos de lutas.

Ao mesmo tempo, a direita se organiza para tentar deslegitimar a ascensão dos movimentos de resistência.Temos assistido em Curitiba e Região a atuação da direita fomentando movimentos de desocupação com depredação e violência, na tentativa de desarticular a luta contra a precarização da educação dos secundaristas, e na Universidade vemos a mesma movimentação partindo de estudantes que insistem em desconsiderar a gravidade do congelamento dos investimentos, já insuficientes, nos serviços públicos e da precarização da formação no ensino básico que terá reflexos diretos também para o ensino superior. Entendemos que todos nós devemos colocar nossos esforços para apoiar esse movimento de ocupações nas escolas, mas enquanto estudantes da UFPR também temos pautas para lutar e as mobilizações em nossa Universidade também cumprem um papel político importante ao paralisar as aulas e prestar apoio ao movimento marcando nossa posição.

A ocupação começou sem serem consultados os Centros Acadêmicos daquele prédio, nem havendo uma conversa aberta com a base sobre como ocorreria a ocupação. Um evento foi puxado em cima da hora no intuito de construir uma reunião setorial, a partir de alguns militantes, atropelando assim a possibilidade de mobilização dos demais cursos. Ao mesmo tempo o que estava ocorrendo era uma assembleia dos estudantes da Pedagogia, desse modo no começo algumas confusões atrapalharam a unidade de estudantes do campus. Frisamos isso pelo fato de acreditarmos que as ocupações devam ser pautadas por toda a comunidade acadêmica envolvida nesse espaço ocupado com apoio mútuo e participação de todos e todas os/as estudantes que podem e devem opinar sobre o prédio ou campus ao qual estão inseridos. Não é nosso papel nesse texto criticar a ocupação em si, pois acreditamos que ela tem um papel importante nas lutas pelas nossas reivindicações e é uma forma de reanimar o movimento estudantil na Universidade, contudo, devemos ter cuidado com nossos ânimos para não deixar que o processo de ocupação se torne algo verticalizado e sem construção conjunta das bases, que são a maior força de apoio de qualquer ocupação e lutas não só no movimento estudantil como nos movimentos sociais diversos. Dessa forma, ressaltamos que nossa crítica não é direcionada à ocupação, mas sim a forma como essa ocupação foi construída inicialmente.

Neste momento a conjuntura pede união nas trincheiras para resistir aos ataques impostos ao povo. Mas não deixaremos que o oportunismo de determinados grupos políticos passe despercebido entre nossas fileiras. Setores da juventude do PT, como o coletivo Kizomba, tentam se colocar à frente do movimento e usá-lo para autopromoção, de forma semelhante ao que acontece no movimento estudantil secundaristas por parte de entidades como a UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas) e a UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas), aparelhadas pela juventude do PCdoB.  

Sabemos como tais organizações atuam atreladas aos setores da classe dominante e do Estado, com acordões impostos e que tentam colocar suas decisões de cima pra baixo passando por cima do conjunto de estudantes. Essa militância não vê problema em apoiar um Reitor e um governo que diversas vezes nos atacou em benefício dos de cima e ao mesmo tempo querer puxar uma ocupação, mas ficamos felizes em saber que o movimento de ocupação da UFPR possui em sua maioria estudantes que não compõem essas organizações e que não irão deixar que essa forte e importante mobilização para barrar os ataques à população sirva como palanque para sua atuação pelega.

A ocupação é legítima e deve ser construída lado a lado pelos estudantes de forma horizontal e autônoma, sem deixar que grupos políticos fiquem a vontade para cooptar o movimento. Que as plenárias sigam como instâncias máximas de deliberação e que não prevaleça o protagonismo de certos grupos sobre a organização do movimento. É pela ação dos de baixo e com independência que pressionaremos o Governo e a Reitoria!

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Ocupar e Resistir contra a retirada de direitos, é pela base que se cria poder popular!

Todo apoio à ocupação da Escola Estadual Pe. Arnaldo Jansen!

Na noite de ontem, dia 03.10.2016, os estudantes secundaristas da E.E. Padre Arnaldo Jansen, em São José dos Pinhais, decidiram coletivamente ocupar a escola, como forma de protesto às propostas de reforma do ensino médio feitas pelo governo Temer. Já defendida por Dilma, a reforma é imposta agora na Medida Provisória 746.

Essa medida vem como mais uma frente de ataque à educação pública, e tem como carro-chefe a retirada das disciplinas de Artes, Educação Física, Filosofia e Sociologia e  do currículo obrigatório, ao mesmo tempo que dá um caráter mais técnico à formação e aumenta a carga horária de 800 para 1400 horas por ano. Além disso, ela também dá ao aluno a chance de “escolher” dentre 5 áreas para “aprender sobre os temas com mais afinco”. No entanto, as escolas não serão obrigadas a ofertar necessariamente todas elas (linguagens, matemática, ciências humanas, ciências da natureza e formação técnica), deixando no currículo obrigatório em todo o Ensino Médio apenas as disciplinas de Matemática,  Português e Inglês. Isso significa uma formação que não promove a reflexão e a crítica, e somente prepara os alunos como massa de trabalhadores a serviço do capital. Não sendo o bastante, a Medida Provisória também precariza o corpo docente, pois permite que profissionais possam “ministrar conteúdos de áreas afins à sua formação”. Ou seja, deixa de ser necessária uma formação técnica ou superior específica na área, fazendo com que uma formação em história possa ser o suficiente para o docente dar aulas de geografia, por exemplo. Não nos enganamos, sabemos que não há interesse nenhum em melhores condições de ensino, somente em uma formação mais rápida, eficiente e barata de mão de obra!

Contando com mais de 200 estudantes, a ocupação já na mesma noite foi alvo de intensa repressão policial, contando com a polícia militar e a guarda municipal para tentar desmobilizá-los e pressionar os alunos. Percebemos desde já a repressão por parte do Estado contra os de baixo que protestam de forma legítima e autogerida pelos seus direitos! Mas a lição de casa dos estudantes está sendo bem feita: OCUPAR E RESISTIR! Os alunos pedem apoio da comunidade com doações de alimentos, bem como apoio estrutural, como xerox, colchões, produtos de higiene. Além disso, pessoas que possam contribuir com oficinas, rodas de conversa, cursos ou demais atividades serão bem-vindos!

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Foto: Estudantes ocupam E.E. Arnaldo Jansem contra a reforma do ensino médio.

É necessário ressaltar a importância dessa ocupação, pois é a primeira no estado do Paraná em protesto à MP 746. Outros estados como São Paulo e Rio de Janeiro já tem diversas escolas ocupadas, mostrando que é SÓ COM A LUTA QUE MUDAMOS A VIDA!

Arriba camaradas!