homofobia

Nota de Apoio ao Antifa 16

Nós do coletivo Quebrando Muros viemos ao público manifestar nosso apoio e solidariedade a luta antifascista, e principalmente na luta pela libertação de um companheiro que se encontra preso pela justiça burguesa há mais de um ano, Adriano De Souza Martins, conhecido como Para-raio.

Curitiba sempre fora marcada historicamente pela grande presença e atuação de gangues neonazistas na cidade que pelas ruas escurecidas e esquecidas da cidade modelo cometem e promovem os mais covardes episódios de violência. Atrás de um discurso nacionalista e conservador, defendem uma ideologia atrasada de ódio e intolerância, perseguem e agridem minorias: pessoas negras, gays, lésbicas, pessoas trans*, nordestinos, moradores e todos aqueles que se levantam contra essa ameaça. Mas diante de todo esse horror há ainda quem ouse resistir e combater a disseminação dessas ideias. Surgem assim grupos organizados, como o coletivo Antifa 16, que tem sofrido perseguições e ameaças constantes desses grupos fascistas.

Em março de 2014, ocorria o evento do Psycho Carnival na praça Eufrásio Correa, próximo ao shopping Estação. Durante a apresentação de algumas bandas, um grupo de neonazistas atacaram algumas pessoas que estavam ali assistindo ao evento. Diego Batista, conhecido como Xaropinho, foi esfaqueado covardemente por um grupo de 5 neonazistas, levando 6 facadas, sendo todos eles maiores e mais fortes. Durante toda a confusão, Adriano (Pararaio) é preso pela policia, acusado de esfaquear todos, inclusive seu próprio amigo Xarope, o que ressalta a incongruência da investigação policial, deixando sempre claro seu caráter e de que lado se encontra nesta trincheira: no dos muito bem afortunados jovens de classe media, que se escondem atrás da influencia e do poder econômico de suas famílias.

Para-raio se encontra encarcerado há mais de um ano. Enquanto isso, os que esfaquearam o Xaropinho e tantas outras pessoas estão livres e soltos nas ruas, com o aval da justiça para continuarem espalhando o ódio e medo na vida das pessoas. E Para-raio, por não ter condições de pagar um bom advogado nem ser filho de um, continua sendo mais um dentre milhares que compõe as estatísticas carcerárias do país, num sistema prisional atrasado que só se baseia numa única resposta para o problema da criminalidade: a prisão em massa da juventude pobre e negra desse país. País este que tem a 3ª maior população carcerária, que prende porque no futuro isso pode se tornar lucro. Um sistema de exterminação da classe pobre, negra e periférica, mas que jamais poderá ser uma proposta de reabilitação para a sociedade.

Para-raio, bastante conhecido na contracultura punk da cidade de Curitiba, um jovem que tem ideais, que acredita em outra sociedade, diferente dessa que se estrutura em exploração e dominação, ousou acreditar e ousou lutar por um mundo sem racismo, sem homofobia, onde todos sejam iguais e livres. Sempre contestou as injustiças sociais. Não se calava, não se submetia ao que lhe era imposto. E quando não aceitou ver seu amigo ser esfaqueado por cinco covardes e tentou livrar seu amigo dos agressores, foi porque acreditou naquilo, na resistência, e acabou pagando caro pela sua reação. Continua pagando o preço, só que paga mais ainda por não pertencer a uma classe privilegiada, que é o que importa antes de mais nada para ser encarcerado e privado de sua própria vida neste sistema.

Declaramos total repúdio a mais essa ação de criminalização dos movimentos sociais, e manifestar total apoio aos que lutam, aos que não se calam, aos que se encontram abaixo e a esquerda, e aos que ousam se levantar contra esse mundo de opressões e injustiças.

BASTA DE CRIMINALIZAÇÃO!!
LIBERDADEPARA PARARAIO!!
VIVA A LUTA ANTIFASCISTA!!
SOLIDARIEDADE AO COLETIVO ANTIFA 16!!

DIEGO BATISTA PRESENTE!

cqm

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Nota de solidariedade às mulheres da UFPR

O Coletivo Quebrando Muros presta todo apoio e solidariedade às mulheres estudantes da UFPR, em especial as dos campi Politécnico e Reitoria, que recentemente têm enfrentado uma série de ameaças e violências dentro do espaço da universidade.

No dia 25 de maio, no prédio de Arquitetura e Urbanismo apareceu um cartaz extremamente lesbofóbico e com incitação ao estupro corretivo – prática defendida para a “cura” de mulheres lésbicas – além de outros xingamentos. Na mesma semana, outras pichações com conteúdo misógino e anti-feminismo surgiram na Reitoria, em especial dentro do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CACS).

Aplaudimos a firme auto-organização das mulheres, que resistem apesar das duras críticas recebidas dos setores mais conservadores. Entendemos que é um certo teste de privilégio social o quanto somos permitidas a responder às nossas opressões. Infelizmente, esse é o tipo de ataque que costumamos esperar ao levantar nossas vozes. Historicamente o espaço público e da política não é destinado à mulheres, nem à pessoas negras, trans*, homossexuais e pobres. E o recado que estão tentando nos dar é bem claro: não ouse lutar, não ouse gritar!

Mas resistiremos! Sempre tentaram nos calar, mas nunca nos calarão! Acreditamos na auto-organização das pessoas de baixo, oprimidas e exploradas, para a construção de uma nova sociedade.Temos a certeza que se os nossos gritos forem cantados em consonância, serão escutados!

Que nossa revolta alimente nossa ação, e nossa raiva seja canalizada em mais força para lutar!

NÃO, NÃO, NÃO PASSARÃO!

nãopassarão

Nem Estado nem patriarcado

A esquerda quer tomar a rua. Quer fazer da rua um campo de batalha. Mas esquece que para as mulheres a rua já é uma batalha travada faz tempo. Ocupar os espaços públicos, infestados pelos privilégios e pelas falas masculinas é uma luta que se espalha dos cantos mais reacionários aos mais revolucionários do mundo a fora. Machismo não tem ideologia, ele toma conta dos punhos cerrados até das pessoas em luta só para direcionar o soco ao rosto dos grupos oprimidos. Não há nada de efetivo numa esquerda que afirma algo como uma questão de classe quando metade dessa classe está sendo subjugada e marginalizada. Não há nada de revolucionário em passar por cima do racismo, da homofobia, lesbofobia e transfobia por solidariedade de esquerda. Não há nada de libertário em ignorar a luta e empoderamento dos grupos oprimidos na nossa tão visada transformação social.

A destruição da autoridade não se resume à extinção do estado e do capital. Queremos quebrar os muros de toda forma de dominação do ser humano pelo ser humano; visamos extinguir a exploração sim, mas em conjunto com todas as demais formas de opressão. E entendemos que extinguir futuramente a exploração não é o suficiente se numa sociedade pós revolução existisse machismo, homofobia, lesbofobia, transfobia, racismo, capacitismo, e demais formas de opressão. E que hoje ser combativo da exploração, precarização e mercantilização sem levar em conta as opressões sobrepostas a elas é travar uma luta vazia. Nosso desejo é desmoronar o edifício de todas as relações de centro e periferia. Ou seja, a relação que existe quando há dominação, quando um grupo de pessoas utiliza a força social do dominado ou do agente subjugado para realizar seus objetivos, os objetivos do dominador.

Não se usa os erros políticos de uma pessoa para oprimí-la, não importa que erros sejam esses. Sejam em atos, reuniões, palestras, onde quer que seja, essas posturas precisam ser criticadas. Na última assembléia geral que aconteceu no pátio da reitoria da UFPR, por exemplo, houve uma denúncia de machismo que deve ser tomada como muito séria. Principalmente por se tratar de pessoas com as quais militamos junto, pessoas supostamente de esquerda de quem esperamos coerência em relação a essa questão.

A assembleia não pode responder à base do grito, vaiando e com postura agressiva frente às vítimas. Nos deparamos com cortes feitos às falas de mulheres organizadas em atos que compõe, ou expulsões de mulheres da comunidade de palestras por não respeitarem as inscrições e inúmeros outros casos. Existem formas de lidar com erros da esquerda como oportunismo político, corte de falas e implosão de reuniões de uma forma politizada, sem usar a opressão como tática. Quando erros políticos são feitos precisam ser combatidos, mas normalmente eles recebem respostas muito mais impositivas e grossas quando são feitas por meninas ou outras pessoas de demais grupos oprimidos. Entendemos que isso não é a toa, isso tem nome e se chama machismo.
Quando uma companheira de luta falar algo do qual não concordamos, podemos tomar uma postura opressora e lançar mão de estratégias como silenciamento e intimidação. Ou podemos mostrar um mínimo de coerência e esperar ela terminar de falar, fazer inscrição e contra argumentar. Somos solidárias a toda mulher que sofre opressão machista e reconhecemos que a esquerda, não mais que a direita, tem ainda muitos opressores. Como não os queremos no nosso meio, fazemos questão que se denuncie de maneira clara as opressões que ocorrem em nosso meio militante, por solidariedade e para que não sejamos nós as próximas vítimas.

Não aceitamos usar o centro como um instrumento de emancipação; a nós não cabe nem estado, nem patriarcado. A luta contra o centro é nosso modelo revolucionário. E nossos sujeitos transformadores são todos os grupos marginalizados, e os excluídos dentre esses grupos. Que sejam ouvidas as mulheres, os e as negras, os e as lgbt’s e grupos sociais marginalizados. Não basta a classe trabalhadora se revoltar contra a burguesia se só quem conseguem trabalho são os e as brancas. Ou os campos se movimentarem com uma mão na luta e a outra tampando a voz da boca das companheiras. Que o povo na sua totalidade conduza a sociedade à sua própria emancipação. Que o estado – em sua essência um governo de massas de cima para baixo- “com uma minoria intelectual, e por isto mesmo privilegiada, dizendo compreender melhor os verdadeiros interesses do povo, mais do que o próprio povo.” não nos sirva. Que nossa mobilização seja do nível político organizado como minoria ativa, sem hierarquia e nem domínio social, político, de gênero, racial ou qualquer outra forma de opressão e exploração.

NEM ESTADO, NEM PATRIARCADO.
A LUTA CONTRA O CENTRO É NOSSO MO
DELO REVOLUCIONÁRIO.

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