luta de classes

Reitoria da UFPR Ocupada!

O comando de greve dos estudantes da UFPR tentou hoje, dia 31 de agosto, continuar a negociação das pautas estudantis. Houve uma assembleia geral dos estudantes seguida de um ato para pressionar a negociação. Buscamos barrar os cortes orçamentários advindos do ajuste fiscal e defender a universidade pública e de qualidade. É importante salientar que esse processo de negociação vem acontecendo desde o começo do ano com a Frente de Mobilização do Estudantes do Paraná (FMEP) pois entendemos que só a organização coletiva dos/as diretamente implicados muda a vida. A reitoria, infelizmente, dificulta nossos avanços por meio de sua postura autoritária e burocrática, retrocedendo e não assinando nenhum documento garantindo aquilo com o qual verbalmente se comprometeram na última negociação.  Em virtude dessa postura não dialogável, foi decidido pressionar por meio de uma ocupação do prédio administrativo da reitoria.

Entendemos que nenhuma conquista vem de cima. Se hoje nossa educação ainda é pública, foi devido à organização coletiva e combativa dos/as de baixo. Assistência estudantil não é uma brincadeira e nenhuma esmola, é a resistência daqueles/as que são ameaçados a abandonar seus cursos pela falta de políticas públicas.

Uma ocupação é um meio de pressionar e garantir condições mínimas para o funcionamento da universidade.  Ela serve como um instrumento de luta legítima para pressionar a reitoria quando ela se nega a avançar nas nossas pautas. Pois de todas as possibilidades, ficar parado frente ao que nos assola é a que menos faz sentido. Somente através de ações diretas como essas tomamos a história em nossas mãos e nos provamos sujeitos ativos da luta. Pois quem não se organiza, é organizado por alguém.

Defendemos que essa organização se dê de forma horizontal e autogestionada. Ou seja, que ela tenha como princípio que todos tenham voz e participem ativamente das decisões do movimento. Quando os de baixo se movem, os de cima tremem.

SÓ A LUTA MUDA A VIDA! RUMO A NOVOS AVANÇOS!

greve ufpr

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A Fagulha N°10 – maio/2015

O Coletivo Quebrando Muros acaba de lançar a 10ª edição do jornal A Fagulha! Nesta edição falamos sobre a luta dos servidores e servidoras do Paraná, os ataques da classe dominante à Educação, a tentativa de aumento da terceirização e de redução da maioridade penal.

Confira nossos textos sobre: resistência dos servidores e servidoras à repressão e corte de direitos; sindicalismo combativo x burocracia sindical; luta e ataques à Educação; TERCEIRIZAÇÃO NÃO: ataque da classe dominante com o PL4330; e REDUÇÃO NÃO: Paraná contra a redução da maioridade penal.

Confiram clicando na imagem ou no link: A Fagulha 10

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Nota de solidariedade às/aos estudantes e trabalhadores da UNESP

O Coletivo Quebrando Muros vem por meio dessa nota expressar todo o apoio e solidariedade aos estudantes e trabalhadores da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

O ano de 2015 têm sido, desde o início, um ano de muita luta e resistência diante das políticas de austeridade do Estado. Em prol do lucro dos empresários, vivemos uma época de extremo retrocesso em relação aos direitos da classe trabalhadora.

Por lutarem por direitos básicos para a permanência dos mais pobres na Universidade, como moradia e assistência estudantil, estudantes têm sido perseguidos e ameaçados pela Reitoria. Além de não atender as demandas da comunidade acadêmica por condições dignas de trabalho e estudo, a Reitoria da UNESP usa da velha tática do Estado de criminalização do movimento social, com tentativas de expulsões, sindicâncias e repressão policial contra estudantes. Isso nos mostra, mais uma vez, o real descaso do governo com relação à universalização do ensino superior.

Apesar da revogação da expulsão de 17 estudantes do campus Araraquara (que permanecem suspensos), a repressão segue contra aqueles que lutam contra os desmandos e o autoritarismo da Reitoria.

A luta por melhores condições de ensino e de trabalho nas universidades públicas é uma luta legítima pela inclusão! Desse modo, a resistência de estudantes e das trabalhadoras e trabalhadores da UNESP segue como um exemplo, e nos colocamos ombro a ombro nessa luta!

cqm

Contra a criminalização das lutas! Lutar não é crime!
Por uma universidade pública, gratuita e de qualidade! Para todas as pessoas!
Lutar! Criar Poder Popular!

Nota de Apoio ao Antifa 16

Nós do coletivo Quebrando Muros viemos ao público manifestar nosso apoio e solidariedade a luta antifascista, e principalmente na luta pela libertação de um companheiro que se encontra preso pela justiça burguesa há mais de um ano, Adriano De Souza Martins, conhecido como Para-raio.

Curitiba sempre fora marcada historicamente pela grande presença e atuação de gangues neonazistas na cidade que pelas ruas escurecidas e esquecidas da cidade modelo cometem e promovem os mais covardes episódios de violência. Atrás de um discurso nacionalista e conservador, defendem uma ideologia atrasada de ódio e intolerância, perseguem e agridem minorias: pessoas negras, gays, lésbicas, pessoas trans*, nordestinos, moradores e todos aqueles que se levantam contra essa ameaça. Mas diante de todo esse horror há ainda quem ouse resistir e combater a disseminação dessas ideias. Surgem assim grupos organizados, como o coletivo Antifa 16, que tem sofrido perseguições e ameaças constantes desses grupos fascistas.

Em março de 2014, ocorria o evento do Psycho Carnival na praça Eufrásio Correa, próximo ao shopping Estação. Durante a apresentação de algumas bandas, um grupo de neonazistas atacaram algumas pessoas que estavam ali assistindo ao evento. Diego Batista, conhecido como Xaropinho, foi esfaqueado covardemente por um grupo de 5 neonazistas, levando 6 facadas, sendo todos eles maiores e mais fortes. Durante toda a confusão, Adriano (Pararaio) é preso pela policia, acusado de esfaquear todos, inclusive seu próprio amigo Xarope, o que ressalta a incongruência da investigação policial, deixando sempre claro seu caráter e de que lado se encontra nesta trincheira: no dos muito bem afortunados jovens de classe media, que se escondem atrás da influencia e do poder econômico de suas famílias.

Para-raio se encontra encarcerado há mais de um ano. Enquanto isso, os que esfaquearam o Xaropinho e tantas outras pessoas estão livres e soltos nas ruas, com o aval da justiça para continuarem espalhando o ódio e medo na vida das pessoas. E Para-raio, por não ter condições de pagar um bom advogado nem ser filho de um, continua sendo mais um dentre milhares que compõe as estatísticas carcerárias do país, num sistema prisional atrasado que só se baseia numa única resposta para o problema da criminalidade: a prisão em massa da juventude pobre e negra desse país. País este que tem a 3ª maior população carcerária, que prende porque no futuro isso pode se tornar lucro. Um sistema de exterminação da classe pobre, negra e periférica, mas que jamais poderá ser uma proposta de reabilitação para a sociedade.

Para-raio, bastante conhecido na contracultura punk da cidade de Curitiba, um jovem que tem ideais, que acredita em outra sociedade, diferente dessa que se estrutura em exploração e dominação, ousou acreditar e ousou lutar por um mundo sem racismo, sem homofobia, onde todos sejam iguais e livres. Sempre contestou as injustiças sociais. Não se calava, não se submetia ao que lhe era imposto. E quando não aceitou ver seu amigo ser esfaqueado por cinco covardes e tentou livrar seu amigo dos agressores, foi porque acreditou naquilo, na resistência, e acabou pagando caro pela sua reação. Continua pagando o preço, só que paga mais ainda por não pertencer a uma classe privilegiada, que é o que importa antes de mais nada para ser encarcerado e privado de sua própria vida neste sistema.

Declaramos total repúdio a mais essa ação de criminalização dos movimentos sociais, e manifestar total apoio aos que lutam, aos que não se calam, aos que se encontram abaixo e a esquerda, e aos que ousam se levantar contra esse mundo de opressões e injustiças.

BASTA DE CRIMINALIZAÇÃO!!
LIBERDADEPARA PARARAIO!!
VIVA A LUTA ANTIFASCISTA!!
SOLIDARIEDADE AO COLETIVO ANTIFA 16!!

DIEGO BATISTA PRESENTE!

cqm

Protestar não é crime – Criminoso é o Estado!

Depois da maior repressão ao funcionalismo público da história do Paraná, a Secretaria de Estado da Segurança Pública (SESP) quer encontrar um bode expiatório para “justificar” o massacre ao movimento de luta que resiste ao desmonte da educação e da previdência dos servidores públicos do Paraná. No dia 29 de abril de 2015, no Centro Cívico de Curitiba, a polícia atacou e feriu centenas de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes. Mas o Estado quer culpar alguém por ter começado o dito “confronto”.

Quem tentou impedir a votação desse projeto de lei absurdo, que acaba com a previdência dos funcionários públicos, foi o movimento de luta composto por professores, professoras, agentes penitenciários, funcionários da saúde e educação e estudantes. Não foram grupos ‘radicais’ que protagonizaram a luta direta contra os ataques do governo – como Francischini afirmou em coletiva de imprensa, foram os próprios trabalhadores, trabalhadoras e estudantes, afetados diretamente por tais ataques.

No mês de fevereiro quem impediu que o ‘pacotaço de maldades’ fosse votado a toque de caixa pela Assembleia Legislativa do Estado do Paraná (ALEP) foi a ação direta dos trabalhadores e estudantes que, por meio da ocupação daquela casa, levou à retirada do projeto. Desta vez foram, novamente, os próprios trabalhadores e estudantes que resistiram até o fim contra o PL da Previdência.

Agora, querem acusar os ‘black blocs’, o movimento Antifascista e o Coletivo Quebrando Muros de serem grupos criminosos, mas os verdadeiros responsáveis por esse massacre são Beto Richa, Fernando Francischini e todo braço do Estado (PM, CHOQUE, BOPE, cachorros treinados, atiradores de elite, cavalaria, helicóptero) que nos atacaram com jatos d’água, spray de pimenta, cassetetes, balas de borracha, chutes, socos, bombas de gás lacrimogênio vindas de todos os lados, inclusive do helicóptero, não preservando sequer as crianças da creche que fica ali perto.

Quem começou o ataque foi o próprio Governador Beto Richa quando, por meio da PL 252/2015, atacou o direito à previdência dos servidores do Paraná, e os deputados que votaram favoráveis a esse projeto de lei. O governador se utilizou do maior contingente policial da história do Paraná para reprimir o movimento social.

Foram milhares de pessoas indefesas contra uma artilharia de guerra. Apenas um lado dessa ‘guerra’ tinha armas, o que houve não foi um confronto mas sim um massacre. Centenas de pessoas desmaiaram, ficaram feridas, perderam parte da audição, parte da visão e estão de cama até agora. Além dos milhares de trabalhadores e trabalhadoras que vão ter sua previdência destruída.

Entendemos que não foi por acaso que escolheram justo os libertários e anarquistas para serem bodes expiatórios. Há muito tempo na história da humanidade o anarquismo é erroneamente confundido como sinônimo de baderna e desordem. Entretanto, os libertários compõem um setor dos trabalhadores oprimidos que se organiza para combater toda forma de dominação e exploração. O governador Beto Richa e o seu secretário de segurança Fernando Francischini querem se aproveitar do erro banal do senso comum para colocar na cabeça do povo que a culpa do massacre não é deles, mas nossa! Eles querem usar desse jogo para tirar de foco o massacre do dia 29 de abril!

Hoje, mais de 90% da população paranaense apoia a luta dos professores e a popularidade do governo está em baixa. O governador não vai enganar o povo dizendo que usou de toda aquela força para reprimir ‘black blocs’. O povo sabe por meio da mídia alternativa e dos diversos vídeos que deixam claro que criminalizar “grupos radicais” não passa de mentiras e enganação.

Não nos deixaremos abater! Buscamos derrubar os muros que isolam e alienam todos e todas nós da realidade que nos cerca. Nós, do Coletivo Quebrando Muros, somos um coletivo libertário que atua no movimento estudantil de diversas faculdades e universidades paranaenses; somos professores estaduais do Paraná atuantes no movimento sindical; construímos um movimento comunitário por moradia digna para todas e todos e fazemos diversos trabalhos sociais como hortas agroecológicas, alfabetização de adultos, cursinhos pré-vestibulares e cirandas de educação infantil.

Somos estudantes e trabalhadores que lutam por movimentos construídos horizontalmente, com protagonismo do povo e sem líderes ou patrões. Estamos em defesa da educação, da saúde e do transporte públicos, estamos e vamos continuar na luta contra todas as formas de dominação e opressão que sofremos; nós, trabalhadores, estudantes, mulheres, homossexuais, negros, pobres da periferia.

Nenhum passo atrás!
Nenhum direito a menos!
Não à criminalização dos movimentos sociais!

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O massacre da educação e a luta dos de baixo

29 de abril será lembrado como o dia em que o governo do Estado do Paraná promoveu um massacre. A dois dias do histórico Primeiro de Maio, o Centro Cívico de Curitiba foi transformado em palco de guerra para garantir que o governador colocasse as mãos na aposentadoria de milhares de servidores e servidoras. Milhares também foram os policiais deslocados para ferir mais de 400 manifestantes, em uma operação militar brutal que mobilizou grande parte do aparelho repressivo estadual, com jatos d’água, cães, cavalaria (não utilizadas, mas estava preparada), armas de choque (estavam preparadas), e atiradores de elite (estavam mais do que preparados) além dos já habituais spray de pimenta, gás lacrimogênio e balas de borracha.

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A repressão foi para impedir que dezenas de milhares de trabalhadores, trabalhadoras e estudantes ocupassem a Assembleia Legislativa, cientes de que só a ação direta impediria a aprovação do PL 252/2015, que garante o roubo da previdência.

Para tentar nos amedrontar, também foram realizadas várias prisões, entre elas a de 4 estudantes da UEL, que estavam acampados para barrar mais este ataque. Os estudantes foram barbaramente sequestrados por policiais a paisana e enquanto se dirigiam ao acampamento sofreram diversas ameaças.

Enquanto alguns estavam presos e centenas hospitalizados o governador Beto Richa dava pronunciamento, vergonhosamente mentiroso e descarado, em que afirmava ser vitima de injustiça.

Não nos intimidaremos.

Injusta é a classe dominante! Responderemos à repressão com organização!

Hoje, quinta-feira, houve um novo ato contra os ataques do Estado aos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e contra a violência do Estado, com milhares de pessoas.

Tivemos três detidos que já foram soltos.

Amanhã, Primeiro de Maio, dia de luta e luta, haverá uma nova manifestação em frente à Praça 19 de dezembro, às 9 horas!

Seguiremos convictos de que só a organização e a radicalização dos de baixo barrará os ataques dos de cima.

Contra os ataques deste governo fascista!

Contra a repressão e criminalização dos movimentos sociais!

Lutar! Criar Poder Popular!

[RP – Alagoas] QUILOMBOLA Nº1 – 2015 – Mobilidade Urbana: A solução vem da luta, não por decreto.

 

    Pensar num projeto de mobilidade urbana para cidade tem que ser fruto dos interesses da população usuária e dos trabalhadores de transportes urbanos. Quem usa o transporte e quem trabalha nele tem melhores condições de identificarem os maiores problemas e podem apontar para soluções que apontem para uma saída coletiva e que promova o bem estar da cidade como um todo.
    A câmara de vereadores de Maceió aprovou em dezembro de 2014 uma lei que pretendia reduzir o tempo de espera entre as viagens de ônibus em 20 min. Algo que a primeira vista parece um boa para a maioria da população, porém se melhor analisado vai se ver a total ineficácia de sua aplicação. Primeiro porque não é por decreto que se mudará situações como essa. Precisamos pensar a mobilidade dentro da cidade como algo prioritário e que garante o funcionamento de várias outras atividades. Para isso tínhamos que pensar a cidade para a maioria da população e não para apenas alguns poucos. Privilegiar o transporte público e valorizar o trabalhador que trabalha nele.
    Se a cidade tivesse o transporte público como prioritário e não o individual não teríamos tantos engarrafamentos, nem tanta poluição, por exemplo. Temos que pensar as vias públicas de outra maneira e num transporte que possa fazer o deslocamento da população com segurança, conforto e agilidade.
    Diminuir a tempo entre as viagens sem dá a condição para isso pode prejudicar e muito a situação de desgaste e estresse vivenciada pelos rodoviários, sem atingir o objetivo desejado. Essa categoria precisa ser mais bem valorizada, tendo tempo de descanso respeitado para que possa transportar a população em segurança.
    Precisamos de mais transportes públicos, mas com vias que permitam seu trânsito com agilidade. A cidade tem que ser para quem mora nela e não para quem lucra com ela.
    As empresas de ônibus financiam muitas campanhas de vários políticos, que tem que prestar conta a elas depois que são eleitos. Não podemos esperar que a solução venha da boa vontade deles. Somente a organização dos debaixo (a maioria de quem vive na cidade) pode ter força suficiente para lutar por uma melhor política de mobilidade urbana.
    O transporte dos habitantes da cidade deveria ser um bem público e não um negócio lucrativo para aqueles que não sofrem nenhum problema de ordem econômica. Os empresários repassam todos os seus gastos para a população com sucessivos aumentos de tarifa, desproporcional ao aumento dos salários da população trabalhadora. Tão pouco os rodoviários são beneficiados. Porque não conseguem nem o mínimo reivindicado em reajuste salarial, muitas vezes tendo sua direção de sindicato negociando aumento menores do que o desejado pela categoria.
    Para onde então vai a grande arrecadação que se tem com tarifas de ônibus? Viram lucro dos empresários.
   Lutar por uma outra lógica de transporte urbano é uma luta difícil que não passa por fazer “acordões” com políticos e empresários. Somente com muita mobilização da população usuária em unidade com os trabalhadores de transporte urbano teremos força para conseguirmos avançar na disputa da cidade.