Resistência Popular

Reitoria da UFPR Ocupada!

O comando de greve dos estudantes da UFPR tentou hoje, dia 31 de agosto, continuar a negociação das pautas estudantis. Houve uma assembleia geral dos estudantes seguida de um ato para pressionar a negociação. Buscamos barrar os cortes orçamentários advindos do ajuste fiscal e defender a universidade pública e de qualidade. É importante salientar que esse processo de negociação vem acontecendo desde o começo do ano com a Frente de Mobilização do Estudantes do Paraná (FMEP) pois entendemos que só a organização coletiva dos/as diretamente implicados muda a vida. A reitoria, infelizmente, dificulta nossos avanços por meio de sua postura autoritária e burocrática, retrocedendo e não assinando nenhum documento garantindo aquilo com o qual verbalmente se comprometeram na última negociação.  Em virtude dessa postura não dialogável, foi decidido pressionar por meio de uma ocupação do prédio administrativo da reitoria.

Entendemos que nenhuma conquista vem de cima. Se hoje nossa educação ainda é pública, foi devido à organização coletiva e combativa dos/as de baixo. Assistência estudantil não é uma brincadeira e nenhuma esmola, é a resistência daqueles/as que são ameaçados a abandonar seus cursos pela falta de políticas públicas.

Uma ocupação é um meio de pressionar e garantir condições mínimas para o funcionamento da universidade.  Ela serve como um instrumento de luta legítima para pressionar a reitoria quando ela se nega a avançar nas nossas pautas. Pois de todas as possibilidades, ficar parado frente ao que nos assola é a que menos faz sentido. Somente através de ações diretas como essas tomamos a história em nossas mãos e nos provamos sujeitos ativos da luta. Pois quem não se organiza, é organizado por alguém.

Defendemos que essa organização se dê de forma horizontal e autogestionada. Ou seja, que ela tenha como princípio que todos tenham voz e participem ativamente das decisões do movimento. Quando os de baixo se movem, os de cima tremem.

SÓ A LUTA MUDA A VIDA! RUMO A NOVOS AVANÇOS!

greve ufpr

[TERP-RS] CAMPANHA PRA QUE(M) SERVE TEU CONHECIMENTO?

Retirado de: https://www.facebook.com/rpestudantil/posts/650801545057392:0

Enfrentamos uma série de obstáculos para estudar. E durante todo o percurso, desde os primeiros anos, o modelo de educação e o processo de escolarização são voltados para um fim próprio, que é obter uma formação de mão de obra mais ou menos qualificada para o mercado de trabalho, que sabemos, vai ocorrer em cima de um sistema que reproduz a desigualdade, sendo sempre mais precária para os pobres.

Apesar do esforço de alguns professores, questões sociais ficam em segundo plano, e o discurso oficial é o da formação para o trabalho, para assim ter um “lugar” na sociedade. Mas que lugar é esse que desejam para nós nesse modelo de sociedade capitalista que produz desigualdade e violência, onde 1% da população domina quase toda riqueza do mundo?

No âmbito da universidade somos conduzidos à produção, aprendemos metodologias e técnicas de produção e aplicação de conhecimentos específicos. Basicamente, somos motivados pela alimentação de nossas plataformas lattes e nosso currículo. Aprendemos muito sobre pouco e pouco sobre o todo. Formamos-nos tendo em vista o mercado de trabalho que é dominado pelos ricos e patrões. Enquanto isso todo esse conhecimento não ultrapassa os muros e não há comunicação com as ruas e periferias, nem mesmo o reflexo do que aqui é produzido.

O convênio de empresas e a grande participação do setor privado na educação é uma parte importante para fazermos a reflexão do para quem serve o conhecimento produzido. O empresariado brasileiro vem ao longo dos anos ampliando suas formas de atuação para ter uma maior participação na esfera pública e poder de certa forma intervir em sua gestão.

A questão dos investimentos no ensino toma uma grande parte nesse processo, pois visam a formação de um técnico-profissional (mão de obra qualificada a longo prazo), assim como obtém benefícios como responsabilidades (tanto sociais como legais), o marketing (que abrange boa parte da população), incentivos ficais, dentre outros aspectos que estão, muitas vezes, ligados entre si.

Observamos, no entanto, que a relação entre setor privado e a coisa pública é prejudicial ao conjunto da sociedade. Convênios como o da Ufrgs e outras universidades com a empresa israelense ELBIT (representada pela AEL), por exemplo, visa uma série de vantagens e a produção conjunta do conhecimento ligado a um massacre praticado ao povo palestino, um lucro efetivado em cima do sangue dessa população. Ou a relação de bancos e outras empresas com escolas de ensino médio, a exemplo do Jovem Aprendiz, que subordina o ensino à formação de mão de obra precária para o mercado de trabalho. Convênios que são simplesmente empurrados para os brasileiros, sem consulta e sem a grande reflexão: para que(m) serve nosso conhecimento?

Defendemos uma educação realmente pública, com condições iguais de acesso e, principalmente, que garanta a permanência dos estudantes. Um sistema de ensino que trate não só de assuntos específicos mas também daquilo que esta entrelaçado com a atualidade e o contexto da sociedade. Somos peças fundamentais em todo o processo e nosso papel enquanto estudantes é o de lutar para garantir que a formação dos estudantes traga consigo diversos aspectos do conhecimento e não seja um entendimento isolado, que vise a emancipação humana e não uma simples reprodução do sistema do mercado de trabalho.

ESTUDAR, LUTAR! CRIAR PODER POPULAR!

[RP Sindical – RS] Terceirização: Mais exploração e retirada dos direitos trabalhistas

Retirado de: https://www.facebook.com/rpsindical/photos/a.1426410284295321.1073741827.1426407787628904/1577482789188069/?type=1&fref=nf

A PL 4330 é um projeto de lei, recentemente aprovado na Câmara dos Deputados, que permite que a terceirização ocorra de forma irrestrita, ou seja, que todos os serviços possam ser subcontratados pelas empresas. Isso inclui a “terceirização da atividade-fim”, a atividade principal de uma empresa (antes da PL somente era permitido a atividade-meio).

Como ocorrerem os subcontratos?: A terceirização já uma realidade em boa parte dos setores de serviços, impondo um regime de extrema exploração aos trabalhadores. Esse tipo de contrato se dá através de uma terceira empresa que faz o vínculo entre o trabalhador e a empresa onde exerce sua função.

Algumas consequências às condições de trabalho:

1) As empresas terceirizadas costumam não pagar inúmeros direitos e no caso, da “pejotização” (criação de pessoas jurídicas), os DIREITOS TRABALHISTAS, como férias e 13° salário, não serão respeitados. Como a empresa que emprega não é a que recebe os serviços (ao menos formalmente, pois não faltam casos de “laranjas”) é regra e não exceção que se faça vistas grossas aos atrasos e desmandos contra os trabalhadores terceirizados.

2) Redução salarial: segundo o Dieese, o salário de trabalhadores terceirizados é 24% menor do que o dos empregados formais. Em alguns casos, como nos bancos, chega a ser 70% menor.

3) Divisão dos trabalhadores em diferentes sindicatos, acarretando perda do poder de mobilização e luta. Além disso a grande maioria dos sindicatos que representam terceirizados são “sindicatos patronais”, formados e controlados pelas empresas prestadoras de serviços. Assim, não só dificultam a luta dos terceirizados como assinam acordos que prejudicam ainda mais estes trabalhadores para beneficiar as empresas.

4) Perda da estabilidade: O PL 4330 incentiva rotatividade dos trabalhadores. Demitir para não acumular direitos trabalhistas e recontratar com salários ainda piores é uma das regras das empresas terceirizadas. Abre-se ainda mais a brecha para que os concursos públicos sejam substituídos por contratação de trabalhadores vinculados a empresas tercerizadas, o que já acontece em diversas áreas, como limpeza e alimentação nas escolas e universidades por exemplo.

5) Saúde do trabalhador: o trabalhador terceirizado está sujeito a condições de trabalho muito mais precárias. Hoje, a cada 5 mortes por acidente de trabalho, 4 são de trabalhadores terceirizados. O assédio moral, também é muito maior quando se trata de trabalhadores terceirizados e as jornadas de trabalho por vezes chegam a 12, 14 horas por dia acarretando diversos problemas de saúde, como estresse, ansiedade e depressão. Os trabalhadores não são mais encarados enquanto tais, mas sim como “colaboradores”.

Lutar desde as bases contra a terceirização

A aprovação da PL 4330 significa a precarização das condições de trabalho e a flexibilização dos direitos. A terceirização deve ser combatida em prol de empregos estáveis e com direitos e não regulamentada como querem os patrões.

Nesse momento, é muito importante a organização e mobilização de toda classe trabalhadora: efetivos e terceirizados. Busque construir formas de paralisação, organização de debates, concentração em espaços públicos, panfletagem, participação dos atos agendados. Em seu local de trabalho, discuta os efeitos da terceirização, mobilize seus colegas e manifeste sua rebeldia!

A maioria das centrais sindicais convocam para o dia 15/4 mobilizações por todo o país contra a PL 4330. É importante que tomemos parte nessas mobilizações desde cada local de trabalho. Mas não devemos nos contentar com isso! Cabe a todos nós seguirmos a luta para além do dia 15/04, sem confiar em nas centrais governistas que também convocam os atos (caso da CUT e CTB por exemplo). Infelizmente, estas centrais estão mais preocupadas em negociar o PL, buscando “sensibilizar” parlamentares, ministros do TST, STF e a presidente Dilma/PT para vetar o PL.

Sabemos que tudo isso não passa de enrolação! É urgente fortalecer a luta das diversas categorias que começam a se levantar, entre elas trabalhadores terceirizados na limpeza da UFRGS e no município de POA. Fortalecer desde cada local de trabalho nossa organização e luta contra os ataques de patrões e governos, buscando unificar as lutas é a única possibilidade de termos uma grande onda de lutas contra a terceirização que possa culminar em uma greve geral.

É desde cada local de trabalho, debatendo pacientemente e envolvendo colega por colega nessa necessária e urgente luta que conseguiremos barrar este ataque brutal dos patrões contra nós, trabalhadores.

Não aceitamos nenhum direito a menos!
Basta de terceirização e empregos precários!
Basta de salários defasados e assédio moral.

Resistência Popular – Tendência Sindical

 

[RP – Alagoas] QUILOMBOLA Nº1 – 2015 – Mobilidade Urbana: A solução vem da luta, não por decreto.

 

    Pensar num projeto de mobilidade urbana para cidade tem que ser fruto dos interesses da população usuária e dos trabalhadores de transportes urbanos. Quem usa o transporte e quem trabalha nele tem melhores condições de identificarem os maiores problemas e podem apontar para soluções que apontem para uma saída coletiva e que promova o bem estar da cidade como um todo.
    A câmara de vereadores de Maceió aprovou em dezembro de 2014 uma lei que pretendia reduzir o tempo de espera entre as viagens de ônibus em 20 min. Algo que a primeira vista parece um boa para a maioria da população, porém se melhor analisado vai se ver a total ineficácia de sua aplicação. Primeiro porque não é por decreto que se mudará situações como essa. Precisamos pensar a mobilidade dentro da cidade como algo prioritário e que garante o funcionamento de várias outras atividades. Para isso tínhamos que pensar a cidade para a maioria da população e não para apenas alguns poucos. Privilegiar o transporte público e valorizar o trabalhador que trabalha nele.
    Se a cidade tivesse o transporte público como prioritário e não o individual não teríamos tantos engarrafamentos, nem tanta poluição, por exemplo. Temos que pensar as vias públicas de outra maneira e num transporte que possa fazer o deslocamento da população com segurança, conforto e agilidade.
    Diminuir a tempo entre as viagens sem dá a condição para isso pode prejudicar e muito a situação de desgaste e estresse vivenciada pelos rodoviários, sem atingir o objetivo desejado. Essa categoria precisa ser mais bem valorizada, tendo tempo de descanso respeitado para que possa transportar a população em segurança.
    Precisamos de mais transportes públicos, mas com vias que permitam seu trânsito com agilidade. A cidade tem que ser para quem mora nela e não para quem lucra com ela.
    As empresas de ônibus financiam muitas campanhas de vários políticos, que tem que prestar conta a elas depois que são eleitos. Não podemos esperar que a solução venha da boa vontade deles. Somente a organização dos debaixo (a maioria de quem vive na cidade) pode ter força suficiente para lutar por uma melhor política de mobilidade urbana.
    O transporte dos habitantes da cidade deveria ser um bem público e não um negócio lucrativo para aqueles que não sofrem nenhum problema de ordem econômica. Os empresários repassam todos os seus gastos para a população com sucessivos aumentos de tarifa, desproporcional ao aumento dos salários da população trabalhadora. Tão pouco os rodoviários são beneficiados. Porque não conseguem nem o mínimo reivindicado em reajuste salarial, muitas vezes tendo sua direção de sindicato negociando aumento menores do que o desejado pela categoria.
    Para onde então vai a grande arrecadação que se tem com tarifas de ônibus? Viram lucro dos empresários.
   Lutar por uma outra lógica de transporte urbano é uma luta difícil que não passa por fazer “acordões” com políticos e empresários. Somente com muita mobilização da população usuária em unidade com os trabalhadores de transporte urbano teremos força para conseguirmos avançar na disputa da cidade.

[RP – Alagoas] QUILOMBOLA Nº1 – 2015 – Ocupar ruas e praças, pelo direito à cidade

Retirado de: http://resistenciapopular-al.blogspot.com.br/2015/03/quilombola-ocupar-ruas-e-pracas-pelo.html

Ocupar ruas e praças, pelo direito à cidade

Desde que os seres humanos desenvolveram a habilidade de caminhar sobre duas pernas iniciaram um processo de exploração e ocupação de novos territórios. Seja para fins de alimentação ou abrigo, a ideia de que nós poderíamos ir aonde nossas pernas permitisse já existia – mesmo que inconscientemente. E a partir disso nos foi possível adequar a natureza às nossas necessidades e desenvolver meios de socialização para além do uso da terra para o trabalho; surgem então as práticas de lazer – jogos, corridas, etc.

Percebemos, então, que desde os primórdios – e isso foi se refinando com o desenvolvimento intelectual – os humanos buscavam exercer seu direito de ir e vir e usar a terra para diversos fins. No entanto, na mesma medida em que se buscava usar a terra livremente, existiam outros que quiseram – e tiveram esse poder – de usar a terra como propriedade privada.

Desse modo, a terra possuía um dono, que restringia seu uso e ocupação por quem necessitava. De outras maneiras isso se mantém atualmente nos espaços urbanos em que vivemos. O direito à cidade é o direito de ocupar os espaços da rua, da praça, do bairro, etc… O geógrafo urbano David Harvey afirma que o direito à cidade é um direito “inalienável”, ou seja, um direito do qual não podemos abrir mão e é entendido como essencial para se garantir o pleno acesso à cidade e à efetivação de outros direitos, como saúde, educação, cultura, etc. Para isso, considera-se essencial democratizar os espaços de lazer. Exercer o direito à cidade significa assumir a nossa responsabilidade no processo de produção e de transformação da cidade. Discutir mobilidade urbana e direito à cidade significa problematizar a realidade de injustiça, opressão, agressão e exclusão que permeia o cotidiano das cidades e seleciona de forma hierarquizada (e elitista) os que podem ou não desfrutar e exercer efetivamente o direito à cidade. Significa discutir sobre que tipo de cidade queremos: uma cidade projetada na escala humana ou na escala do capital? Os bairros nobres são atendidos por toda a sorte de serviços, escolas, quadras poliesportivas, hospitais, uma infinidade de locais para o lazer e a prática de esportes, enquanto que na periferia a realidade é outra, completamente oposta, em que mal existe sistema sanitário, com as ruas tornando-se lama quando chove e a principal prioridade é o posto policial para “garantir a segurança”. Na periferia quem garante os espaços de lazer é a própria comunidade, transformando um terreno abandonado em campinho de futebol ou utilizando uma rua pouco movimentada para dar um “rolé” de skate. Mas se uma determinada área periférica desperta o interesse das elites, elas logo se encarregam de toma-las para si, como foi o caso da desocupação do pinheirinho em São Paulo e como está sendo na questão da vila dos pescadores de Jaraguá.

Há no debate de direito à cidade um pano de fundo também para a discussão do que diz respeito à mobilidade urbana, o direito de se deslocar pela cidade e acessar aos diversos serviços que ela oferece. E dentro desse debate encontramos também a desigualdade social como ponto central para a discussão. É necessário se deslocar à escola, ao centro de saúde, ao cinema, ao local de trabalho, etc. O debate sobre a mobilidade urbana versa, dessa forma, sobre a garantia de condições necessárias à utilização dos serviços, como também sobre os obstáculos a essa utilização. Os altos preços da tarifa de ônibus, a falta de estrutura para meios de transporte alternativos, como as ciclovias, são obstáculos à utilização dos serviços acima referidos.

Aqui mesmo na zona sul é possível encontrar um exemplo latente de restrição ao direito a cidade: é o caso dos que andam de skate, esporte bem tradicional por aqui; todos os dias basta percorrer as ruas e as praças do bairro do Vergel do Lago e adjacências para encontrar com a galera praticando o esporte, não porque há incentivo para a prática, pelo contrário, a estrutura é zero, mas porque a rapaziada se organiza e improvisa os obstáculos. Bem diferente da realidade dos bairros nobres da cidade que contam com pistas bem estruturadas – dos quatro principais locais para a prática do esporte, três estão localizados em bairros nobres e apenas um na periferia, que é o caso da rampa do Biu –, ou seja, como dito anteriormente os bairros nobres são atendidos por toda a sorte de serviços. Aqui na zona sul o pessoal teve que lutar para conseguir fechar uma rua à noite para poder praticar o esporte.

Família PST, que marca presença forte nas praças da Zona Sul
     “Infelizmente aqui em Maceió nosso esporte não é tão valorizado. Os melhores locais para os rolês são na pista da Pajuçara e na praça do skate e até mesmo lá existem vários buracos na pista e poucos obstáculos, dificultando o rolê da galera e a evolução”. É o que afirma Samuel Rodrigues, morador da Zona Sul e praticante do esporte. Afirma ainda que a prefeitura, através da secretaria de esporte, decretou a praça do Rui Palmeira como sendo praça do esporte e do lazer mas só o que encontramos ao ir a praça são duas placas da prefeitura que servem apenas para sinalizar que a rua está fechada. “O bob é um cara da região que tem uma loja de skate e vem fazendo muito pelo esporte, foi ele quem, praticamente, ressuscitou o esporte na Zona Sul, sempre nos reunimos para fazer obstáculos novos, inclusive fizemos uma pequena pista próximo ao milénio onde praticamos contemplados pela Lagoa Mundaú’’, completa ele. Ou seja, se não fosse pela iniciativa da comunidade a prática do skate na Zona Sul seria praticamente nula.
Rolê na praça dos pobres
     O movimento do skate tem um grande histórico de lutas e resistência na busca pelo direito à cidade, já que o esporte enfrentou diversas proibições e por conta disso ainda hoje é taxado como um esporte marginal. Ao longo de sua história o skate se tornou, sem dúvidas, o esporte mais urbano que existe. Nas ruas, os skatistas fazem suas próprias rampas e ocupam as cidades usando-as como um grande skate Park. O mais urbano dos esportes aproximou-se de outra cultura igualmente urbana, o Hip-Hop, com presença forte também aqui na zona sul, aglutinando suas formas de expressão como a arte, a música e a moda, tornando-se uma cultura híbrida e sólida. Os skatistas não praticam somente um esporte, são adeptos a um estilo de vida. A história está ai para nos mostrar que a única forma de conquistar o direito de acesso a cidade é nos organizando e lutando juntos por tais direitos. Essa luta deve ser organizada e protagonizada por nós mesmos, seja na nossa comunidade, na escola ou até mesmo no local de trabalho, pressionando as elites através das diversas formas de mobilização que temos em mãos, partindo das lutas mais locais e imediatas, como a luta por uma praça do Skate aqui na Zona Sul e evoluindo para lutas e conquistas mais amplas, como a mobilidade urbana e o direito a cidade, caso contrário ficarmos a mercê de políticos que surgem de dois em dois anos com suas promessas, pois sabemos bem de que lado eles estão nessa disputa por direitos.

 

[TERP – RS] Educação Libertária: experiências em uma comunidade no Rio Grande do Sul

Retirado de: http://tendenciaestudantilrp.blogspot.com.br/2014/12/educacao-libertaria-experiencias-em-uma.html

 
Galpão da Vila Pontilhão, hoje reassentamento Moradas do Carvalho

 

Os modelos teóricos acerca da pedagogia libertária são muito variados e algumas vezes opostos entre si. As teorias vão desde a defesa de um neutralismo pedagógico, proposto por Ricardo Mella Cea (1861-1925), até modelos como o de Francisco Ferrer (1859- 1909) que defendem a educação de caráter sociopolítico, ou seja, educar para o compromisso da transformação da sociedade. Nesse sentido, pensamos que a neutralidade não seria viável (e tampouco positiva), e que sim, a educação deve ser encarada como uma prática sociopolítica, ou seja, pautada a partir das necessidades de determinado contexto. Quando consideramos que a prática pedagógica não é isenta de ideologia não significa que o educador deva fazer discurso ideológico para as crianças. No entanto as ideologias carregam valores e cabe ao educador escolher, se é o seu propósito fortalecer valores que contribuam para a transformação da sociedade ou os que contribuem para perpetuá-la.

Nossos objetivos, enquanto “educadoras”, é a construção de um espaço de compartilhamento de conhecimentos, de práticas solidárias, de problematização, de construções de acordos e de ações sobre a realidade. Um espaço comunitário e permanente, e por isso, um espaço de resistência neste contexto em que vivemos de individualismo, organizações populares de curta duração, falta de enraizamento, campanhas sobre temas variados que não resistem ao próximo tema da moda.

A Escola Comunitária Resistência Popular surge em 2005, na então chamada vila Pontilhão, em Gravataí – RS. A vila tratava-se de uma ocupação urbana de condições muito precarizadas onde construiu-se uma história de lutas e resistência por água, luz, trabalho, reconhecimento dos catadores de materiais recicláveis e moradia. Neste local havia um espaço coletivo, um galpão, onde desenvolveu-se, ao longo dos anos, a primeira Associação de Catadores de Gravataí, o primeiro Comitê de Resistência Popular, o Comitê Vale do Gravataí do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), a Escolinha da Resistência e muitas outras atividades. A Escolinha surge com a preocupação de oferecer um espaço de educação informal para crianças e adolescentes, promovida por militantes destes movimentos sociais e com o apoio de trabalhadores da educação e de agentes culturais do teatro, hip hop, capoeira, entre outros que foram somando-se no processo. A educação se constitui em uma preocupação relevante nesses movimentos sociais que visam o protagonismo popular, e portanto acreditam que desde a criança, até os adultos, é necessário fomentar a adesão consciente aos processos coletivos de organização e ação através da conscientização, do debate, da formação horizontal, e não, como praticado por tendências políticas de cunho autoritário, a adesão alienada e baseada na obediência às ordens de dirigentes.

Em 2009 parte do terreno onde estava a vila foi comprado pela empresa de condomínios Alphaville. Após muita pressão, a comunidade conseguiu ser reassentada em um local próximo, com a construção das casas como contrapartida da empresa, e com espaços para reconstrução do galpão (apenas as colunas e o telhado) entre outros espaços sociais. O reassentamento ocorreu em 2011 para o condomínio Moradas do Carvalho. Em 2013 retomou-se a realização da Escolinha em espaços improvisados e ao ar livre. Atualmente as aulas desenvolvidas são de Horta Comunitária (com enfoques transversais diversos como educação socioambiental, educação alimentar e saúde, ciências, matemática, português…).

Diaz (1977) coloca que toda a comunidade tem o direito e o dever de participar cada vez mais no processo educativo comunitário. Assim, acreditamos que a comunidade pode e deve ser um espaço de educação, assim como a família e a escola, na qual as crianças podem aprender através do meio ambiente em que vivem e refletir criticamente sobre as dificuldades e lutas comuns entre os vizinhos. Importante reflexão também faz o educador mineiro Tião Rocha, fundador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, quando diz que “Como educador eu não quero tirar os meninos da rua, eu quero mudar a rua…se é nelas que nos formamos como cidadãos e como povo, por que privar os meninos disto…”; “Nós, adultos, deveríamos ser “pais e responsáveis “ por todas as crianças, independentes se nascidas da  gente ou não …”.

As crianças da periferia possuem um rico conhecimento do lugar em que vivem, relacionar o seu conhecimento empírico com os conteúdos teóricos de diferentes disciplinas torna o aprendizado muito mais palpável do que aquele obtido nas salas de aulas com base em temas abstratos. Em uma das aulas ao ar livre, de Horta, estávamos discutindo sobre semeadura. Pedimos às crianças que identificassem, em meio à vegetação espontânea que cresce pelo terreno, sementes. O menino que mais enfrenta dificuldades na escola foi o primeiro a encontrar. Mesmo assim, enfrentou o desdém de outras crianças que tiram boas notas na escola, surpresas quando falamos, sim, o colega está correto, isto é uma semente!

O lugar em que se vive é ideal para trabalhar a teoria e a prática de forma interdisciplinar. Segundo Orr em Alfabetização Ecológica (2006):

“Os lugares são laboratórios de diversidade e complexidade, misturando as funções sociais e os processos naturais. O lugar tem uma história humana e um passado geológico; ele é parte de um ecossistema com uma variedade de microssistemas, é uma paisagem com uma flora e uma fauna particulares. Os seus habitantes fazem parte de uma ordem social, econômica e política (…)”.

Com este enfoque, um dos conteúdos principais que temos trabalhado é a Educação Socioambiental, ou Educação Ambiental Crítica que entende o ser humano e suas relações sociais como parte do meio ambiente e problematiza as questões ambientais dentro de um entendimento de que “não estamos todos no mesmo barco”, estamos em uma sociedade de classes onde as classes dominantes usufruem  da maior parte dos recursos naturais, e por outro lado, são os oprimidos que sofrem a maior parte dos desastres ecológicos advindos de um modelo de sociedade capitalista. As pessoas costumam apontar os moradores das vilas como grandes degradadores do meio ambiente. Ao lado da vila Pontilhão, havia um banhado, área úmida protegida pela legislação ambiental do estado do Rio Grande do Sul, frequentado por diversas espécies de pássaros, ratões do banhado, entre outros animais. Os esgotos das casas iam para este banhado, alguns colocavam lixo, outros moradores eventualmente capturavam ou caçavam os animais. Sim, são danos ambientais, porém o banhado estava ali. Mas depois que a empresa comprou o terreno para fazer o condomínio, cortou diversas árvores, aterrou quase todo o banhado, deixando apenas um pedacinho (onde já não se vêem os pássaros). Em cima de uma grossa camada de aterro, fez um belo paisagismo mesclando espécies exóticas com espécies nativas. Por mais que tenha plantado árvores para reparar o dano, não se consegue restituir aquele ecossistema especial que estava ali. Em 2 anos, o dano ambiental de uma empresa foi maior que aquele promovido pela vila que estava ali há mais de 20 anos. Em 2010 a comunidade sentiu as consequências da devastação ecológica. Sem árvores para fazer barreira aos ventos, qualquer tempestade era motivo de preocupação, pois a ventania destelhava as casas que estavam na parte mais alta, deixando várias famílias desabrigadas.

A sociedade capitalista impõe não apenas uma dominação econômica, política, mas também ideológica. A separação de homem e natureza, e a noção de que a natureza é um bem a ser consumido e explorado está em todas as classes sociais. As comunidades originárias, anteriores ao capitalismo, podem nos ensinar como enxergar novamente os seres humanos como filhos e filhas da natureza.

Na trajetória da Escolinha também tem tido espaço importante a cultura, trabalhando aspectos como expressão corporal, oral, gráfica, seja através do teatro, capoeira, música, pintura, fotografia. A arte é uma aliada da Educação Sociombiental, pois permite ao retratar a realidade em que se vive desde um outro ponto de vista, onde o distanciamento permite refletir sobre essa realidade de uma maneira diferente do que vivendo ela rotineiramente.

Em uma experiência que realizamos com fotografia, o banhado que nos referimos anteriormente foi retratado com toda a sua beleza, excluindo-se o lixo do fundo das casas. Ao mostrar para as crianças. elas nem reconheceram o lugar e comentaram como era bonito. Ao revelar que aquele lugar estava bem ali, do lado, foi grande a surpresa! Neste sentido, a exemplo do que escreveu Pamela Michael  no artigo de “Alfabetização Ecológica” (2006):

“Como a educação ambiental, e grande parte da educação em geral, não consegue muitas vezes reconhecer o papel crucial das emoções no processo de aprendizagem, as atividades que tanto informam a mente quanto envolvem o coração provaram-se uma combinação poderosa e eficaz. Nós logo começamos a definir a nossa missão como sendo a de ‘ajudar as crianças a se apaixonar pelo planeta Terra’. Como as pessoas protegem aquilo que amam, esta é uma receita eficaz de preservação e esperamos que, por fim, também de afinidade.”

Relatando outra situação, em um contexto em que grande parte das crianças eram filhas de catadores de materiais recicláveis, e eram tachadas na escola negativamente como “carroceiras” ou “lixeiras”, construir uma esquete de teatro sobre a história de uma família de catadores permitiu que as crianças olhassem aquela realidade conhecida e percebessem uma identidade positiva nela, a importância destes trabalhadores, seus sacrifícios pra sustentar suas famílias, sua importância para o meio ambiente. A esquete foi apresentada e elogiada em diferentes ambientes e públicos, fortalecendo a auto-estima das crianças.

As escolas tem dificuldade em entender a identidade local das crianças que está educando. Seria muito proveitoso se trabalhadores da educação tivessem um tempo na sua carga horária pra conhecer a casa das crianças e entender o seu contexto. Ver por exemplo, que tem crianças que não têm um lugar pra estudar dentro de casa, que não tem uma mesa, ou mesmo uma cama só sua, e muito menos uma estante de livros. Recentemente uma criança durante a aula da escolinha disse “a professora está louca, deu um tema de casa que a gente precisa consultar no dicionário. Ela não sabe que aqui onde a gente mora ninguém tem dicionário”. “Claro que tem” respondemos, “aqui na escolinha temos dicionário”. Infelizmente enquanto não for reconstruído o galpão não poderemos trazer a biblioteca que tínhamos, os livros estão provisoriamente armazenado em um galpão de catadores em outra comunidade. Mas guardamos alguns livros pra estas situações. Este comentário é sintomático. Nossas crianças são crianças da classe oprimida, filhos de trabalhadores em sua maior parte precarizados, com baixa escolaridade, moradores da periferia urbana, carente de serviços públicos de qualidade tal como transporte, educação, saúde, cultura, lazer e transporte, sob a influência do tráfico de drogas, da violência, etc. Todos estes elementos exercem uma influência nos indivíduos que precisam ser considerados, debatidos, problematizados de forma crítica, de forma a reforçar aquilo que é positivo nessa identidade coletiva e sempre que possível  construir ações que combatam aquilo que precisa ser transformado.

Outra questão, que carrega aspectos do meio, da história pessoal e de inúmeros fatores que não ousamos aqui descrever, é a formação da identidade individual. Nossa prática educativa busca descobrir e fortalecer em cada indivíduo as suas potencialidades e como ele pode contribuir com o coletivo, para fortalecer, por consequência, seu próprio desenvolvimento. Por fim um terceiro aspecto do tema da identidade é, de forma mais ampla, a identidade popular, a história dos oprimidos, dos negros, índios, dos imigrantes pobres que lutaram e obtiveram as conquistas sociais que temos atualmente, e que deve ser conteúdo de formação de adultos e crianças. A ludicidade é importante, porém, se as crianças curtem histórias de super-heróis imaginários em contextos tão diferentes dos que vivemos, porque não escutarem as histórias dos heróis de verdade do povo brasileiro, tal como Roseli Nunes, Zumbi dos Palmares, ou Sepé Tiaraju…

Estes são conteúdos que consideramos importantes em um contexto de educação popular e libertária, porém mais que conteúdos prezamos por uma educação que fortaleçam princípios e valores, que combatam tudo aquilo que julgamos reprodutor do sistema capitalismo. Citamos entre estes princípios:

  • Ajuda mútua: O capitalismo impõe o individualismo, a competitividade, onde para se dar bem cabe passar por cima dos outros. Kropotkin já argumentava, e contrariando o darwinismo social, que as espécies que melhor se adaptaram não foram aquelas que competiram melhor, mas aquelas que desenvolveram formas de ajuda mútua. Na periferia vemos algumas histórias de superação individual, mas em geral as soluções para os problemas comuns só se dão em ações coletivas, mesmo que haja graus diferentes de participação, afinal a crise de participação aflige a maior parte das organizações sociais, porém legitimadas no coletivo, por acordos comuns.  Mesmo propondo trabalhos coletivos, como uma horta, as crianças tendem a compartimentar o fruto do esforço coletivo em ações individuais “esta planta eu que plantei”, “essa ferramenta é minha”. Inclusive entre nós educadores é muito fácil cair nestas armadilhas “o meu projeto de educação”, “a minha aula” “a minha idéia”… Por isso a discussão sobre a ajuda mútua, solidariedade e coletividade devem permear toda a prática, e estar em constante avaliação após toda atividade.
  • Respeito: O respeito deve ser uma das regras coletivas da Escolinha. Respeitar as demais crianças, os adultos, o espaço coletivo, é a base para qualquer relacionamento. Aprender a conviver e respeitar a diversidade de maneiras de ser, idades, origens, etnias, gostos culturais, gêneros, orientações sexuais, religiões é um combate diário. Para haver respeito, sem imposição da força, é necessário construir uma relação de afeto e firmeza para cobrar os acordos coletivos. Ensinar a respeitar sobretudo a natureza em suas diversas formas, não como um bem a ser usufruído, mas como um ente vivo e sagrado.
  • Liberdade e auto-disciplina:  Citando a cartilha para educadores da Resistência Popular “Já dizia o lutador anarquista M. Bakunin que é preciso educar “da liberdade à autoridade”. Isso quer dizer que as crianças precisam de limites, de regras, aprender o que é certo e o que é errado, precisam da autoridade de um adulto. É possível construir as regras das aulas junto com as crianças, e fazê-las refletir sobre elas constantemente. Sempre que alguém faltar com alguma regra, pode-se parar tudo e fazer uma discussão sobre o que aconteceu. (…) Dessa forma, e só dessa forma, se educa para a liberdade, para que sejam adultos seguros de si, com auto-disciplina, que sabem o que querem, e não adultos mimados e fúteis (falta de limites na infância) ou reprimidos, violentos e frustrados (limites demais, punições demais).
  • Responsabilidade: Na nossa escola as crianças vêm porque tem vontade, elas não são obrigadas a vir. Porém, só quem participa pode usufruir dos seus frutos. Assim, para um passeio que a Escolinha consiga, só irão aqueles que participam. A colheita da horta, só será dividida pra quem nela trabalhou. Uma festinha só acontece se as crianças e adolescentes ajudam a organizá-la. Nós não somos assistencialistas, nós buscamos incentivar que as pessoas lutem pelo que querem, e mesmo as crianças precisam ter suas responsabilidades, saber que as conquistas vêm com esforço, há  momento importante da brincadeira mas também tem as tarefas difíceis. Muitas vezes vemos, na vila, pessoas até bem intencionadas, que vêm de fora trazer doações para a comunidade. E aí vemos roupas, que foram dadas, sendo queimadas após o primeiro uso. Brinquedos, quebrados no primeiro dia, atirados pelo campo. Cestas básicas, ajudando a sustentar traficantes. Aquilo que vem sem esforço não é valorizado. Vemos algumas propostas de educação alternativa que parecem bem interessantes, mas dão a entender que todo o processo educativo deve ser prazeroso. É lindo que seja, mas há coisas que exigem esforço para serem interpretadas, entendidas, executadas, em qualquer área do conhecimento.
  • Auto-organização: Dentro de um tema gerador ou de um projeto previamente escolhido, no caso, atualmente, temos o da Horta Comunitária, apresentamos a proposta de aula planejada. Há um momento de discussão sobre como as atividades serão feitas e no final há um momento de avaliação. Estes espaços reflexivos permitem, a nós e às crianças, estarmos frequentemente praticando a  auto-análise, o que é essencial para o planejamento de futuras atividades. As crianças trazem importantes contribuições, sugestões e observações. Periodicamente realizamos na Escolinha uma Assembléia das Crianças, reunindo todos, e para avaliar um período mais longo. Na assembléia deve haver  pelo menos um coordenador (para garantir a discussão da pauta), alguém para fazer inscrições, e um relator. Assim elas aprendem a discutir em coletivo, com democracia de base, habilidade tão importante para as organizações populares.
  • Honestidade: Como já foi mencionando, o capitalismo torna naturalizado que as pessoas busquem tirar vantagem em tudo e se matem por migalhas. A corrupção permeia todas as classes sociais, e as crianças não são isentas dela. Muitas coisas da escolinha foram roubadas por gente da própria comunidade, não podemos idealizar que o “mundo novo” está construído porque estamos fazendo uma proposta de educação libertária, estamos em plena guerra, combatendo valores capitalistas defendidos a unhas e dentes até pelos setores mais prejudicados por este sistema. As drogas entraram com tudo para fragmentar o já remendado tecido social das comunidades, não é a toa que têm sido usadas para contenção de processos de empoderamento popular (caso dos Panteras Negras, nos EUA), jogando pobres contra pobres.

Nossa proposta não está pronta nem acabada, seguimos em permanente reconstrução e reformulação das nossas práticas e concepções teóricas por uma educação libertária atualizada ao nosso tempo e lugar, que por si só não transforma a sociedade, mas é uma necessidade fundamental para organizações e movimentos que por isto almejem.

[RP – Alagoas] Resistência Popular convida – Consciência Negra!

 

Retirado de: http://resistenciapopular-al.blogspot.com.br/2014/11/resistencia-popular-convida-consciencia.html

Há mais de 400 anos surge onde hoje são terras alagoanas a maior resistência à opressão que já existiu no nosso país. O Quilombo dos Palmares persistiu por quase 100 anos numa experiência que envolvia os negros que tinham sido escravizados na África, mas que conseguiram escapar de seus opressores e fundar um polo de resistência baseado em princípios libertários. Sua experiência deve nos inspirar a reorganizarmos a luta do povo oprimido de um estado tão sofrido como Alagoas. Contra séculos opressão, dos Senhores de Engenho aos Usineiros, temos que reconstruir Palmares.
A Resistência Popular de Alagoas convida à todos para sua atividade do dia da Consciência Negra.
Viva a Zumbi!
Viva a Dandara!
Viva ao Quilombo dos Palmares!